Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Eco e Narciso
Conhecer a si
mesmo nem sempre é o caminho para uma vida tranquila. Isso é o que sugere a
história de Narciso, filho da ninfa Liríope e do deus-rio Céfiso. Quando ele
era menino, um vidente profetizou: "Narciso terá uma vida longa e feliz, desde
que jamais conheça a si mesmo". Desde pequeno, Narciso teve uma beleza
hipnótica. Quando andava pelos bosques, as ninfas suspiravam de paixão. Mas o
rapaz cresceu sem jamais corresponder ao amor de ninguém. Uma das ninfas
apaixonadas por Narciso era a desventurada Eco. Certa vez, havia ajudado Zeus a
encobrir suas infidelidades. Por castigo, Hera lançou sobre a ninfa uma
maldição: Eco se tornou incapaz de usar a própria voz, exceto para repetir as
palavras dos outros. Inutilmente, ela seguia Narciso pelos bosques. "Me
deixe em paz!", ordenava o egocêntrico Narciso, e Eco respondia apenas:
"Paz... paz... paz..." Sem jamais conseguir declarar seu amor com
palavras próprias, Eco acabou se esvanecendo de tristeza: o corpo desapareceu e
restou apenas a voz, condenada a repetir sons alheios.
A vaidade de
Narciso era tão grande que irritava alguns deuses. Foi o caso de Ártemis, que
resolveu puni-lo. Um dia, em suas andanças, ele se deitou junto a uma fonte de
água pura para saciar a sede. Mas, no momento em que se inclinava para beber,
Ártemis fez com que ele se apaixonasse pelo rapaz que o contemplava na
superfície da água: seu próprio reflexo. Narciso tentou abraçar o amado; mas a
água escorria entre suas mãos. Por fim, acabou enterrando uma adaga no peito. Segundo
outra versão do mito, de tanto olhar seu reflexo, ele caiu nas águas e morreu
afogado. Na grama às margens da fonte, cresceu a flor que hoje leva seu nome.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Na mitologia grega, o destino nem sempre é gentil com os amantes. Muitas das histórias de amor mais famosas no mundo dos mitos acabam em total desgraça. Moira, a deusa do destino - uma das filhas de Nyx, a Noite -, era uma divindade mais antiga e mais poderosa que o próprio Olimpo: ninguém contestava as suas decisões e nem mesmo Zeus podia contrariá-la. Além de potente, Moira era misteriosa e indecifrável. "Os antigos gregos acreditavam que as fatalidades e os sofrimentos eram inevitáveis e podiam se abater sobre qualquer um. O que realmente importava era a forma como o ser humano se comportava diante das dores da vida", explica Viktor Salis, especialista em fenomenologia dos mitos pela Universidade de Sorbonne, na França, e autor de livros como Mitologia Viva (Nova Alexandria, 2011).
Medeia e
Jasão
Ela era a neta
do Sol e a favorita das trevas. Ele era um príncipe sem trono, em busca de glória
nos confins do mundo. O amor entre ambos foi um dos mais intensos em toda a
mitologia grega - e também um dos mais sangrentos.
O encontro
aconteceu nas profundezas de um bosque escuro, junto a um altar de Hécate, a
temível deusa das bruxas. Achando estar sozinha, a princesa Medeia acabava de
fazer uma oferenda à sombria divindade. Filha de Aetes, rei da Cólquida, e neta
de Hélios, o deus do Sol, Medeia era uma das feiticeiras mais poderosas do
mundo antigo. Entre seus poderes, estava o dom de falar com os animais, acalmar
ou invocar tempestades e erguer ondas gigantes no mar.
Medeia escutou
um ruído entre os arbustos e voltou o rosto. Por um instante, a altiva
feiticeira ficou sem palavras. Um rapaz de físico perfeito a observava. Tinha
cabelos compridos, duas espadas na cinta, e uma pele de leopardo amarrada ao
redor do corpo. Imediatamente, Medeia sentiu que seu destino estava ligado para
sempre àquele homem. Estava terrivelmente apaixonada.
O jovem herói
lançou-se aos pés da bela bruxa. Contou sua história - e implorou ajuda.
Chamava-se Jasão e era filho de Éson, o rei destronado da cidade de Iolcos, na
Tessália. O trono fora roubado pelo irmão de Éson, o inescrupuloso Pélias.
Quando Jasão, o legítimo herdeiro, exigiu o que lhe era devido, o usurpador lhe
respondeu com um desafio aparentemente impossível: "Eu lhe darei o trono
de Iolcos quando você me trouxer o Velocino de Ouro".
O Velocino era
um artefato feito com a lã do fabuloso Carneiro Dourado. Filho de Poseidon e da
mortal Teofane, a mágica criatura tinha inteligência humana e voava como um
pássaro. Após sua morte, virou a constelação de Áries. Com sua lã dourada, foi
confeccionado um manto belíssimo e refulgente, que se tornou um dos tesouros
mais cobiçados do mundo mitológico. O mirabolante prêmio estava guardado em um
jardim no palácio de Aetes - pai de Medeia -, sob a mirada infalível de um
dragão de escamas verdes, que jamais dormia.
Para cumprir o
desafio, Jasão reuniu uma tropa com os 50 maiores heróis gregos da época. E
embarcou no Argos, o maior e mais famoso navio dos tempos míticos. Entre os
tripulantes do Argos - chamados de Argonautas - estavam o músico e poeta Orfeu
(protagonista de outra história de amor trágico, como você pode ver no box da
página 63); Héracles, o maior dos mortais; o príncipe Meléagro, da Calidônia; e
a princesa-guerreira Atalanta, da Arcádia. E lá se foram os Argonautas em
direção à distante Cólquida, onde hoje fica a região do Cáucaso.
Mas a
tripulação heroica não era o maior trunfo de Jasão. Antes de começar a jornada,
ele havia feito um sacrifício em um templo de Afrodite, suplicando sua ajuda. A
deusa do amor decidiu proteger e auxiliar o herói na busca pelo Velocino. Por
isso, Medeia se apaixonou à primeira vista: era o poder de Afrodite agindo
sobre ela. Em frente ao altar de Hécate, os dois jovens se beijaram e fizeram
amor. Em seguida, Jasão prometeu casar-se com Medeia. Dominada pela paixão, ela
decidiu abandonar pátria e família, e passar o resto da vida com aquele homem
que acabara de conhecer. A princesa entregou ao amante um frasco negro,
contendo uma poção feita com as águas do Letes, um dos rios que corriam no
inferno. Algumas poucas gotas foram o suficiente para fazer o terrível dragão
insone adormecer. Jasão rapidamente apanhou o artefato de lã dourada e, naquele
mesmo dia, o Argos zarpava de volta à Grécia.
Medeia prestes
a assassinar seus filhos.Nem bem chegaram lá, contudo, aquele amor cheio de
proezas começou a mergulhar nas trevas. Mesmo após a conquista do Velocino,
Jasão não conseguiu o trono que desejava. O povo de Iolcos desconfiava dele -
não por ser um estrangeiro, mas por ter se casado com uma feiticeira. Os
Argonautas se dispersaram pela Grécia e Jasão, ainda sem trono, foi viver em
Corinto - o rei da cidade, Creonte, era seu amigo. Jasão ainda amava Medeia, e
já tivera com ela dois filhos, Mêrmeros e Feres. Mas sua ambição política foi
maior que a paixão. Quando Creonte lhe ofereceu a mão de sua filha Creúsa - e
um posto no governo da cidade -, Jasão decidiu que era tempo de se separar de
sua companheira de aventuras: ordenou que Medeia fosse embora e renegou os
próprios filhos.
Medeia fingiu
aceitar a rejeição: mostrou-se dócil e chegou a oferecer a Creúsa um belo
vestido de casamento. Mas uma seguidora de Hécate jamais deixa uma ofensa
passar em branco. No dia do casamento, ao colocar o vestido sobre o corpo,
Creúsa soltou um grito de horror: o tecido grudou-se em sua pele e se
transformou em fogo. Horrorizado, Jasão viu a noiva se transformar em uma chama
viva. De espada desembainhada, correu até a casa onde Medeia vivia com os
filhos. Mas, ao chegar lá, deparou-se com uma imagem além do pesadelo mais
cruel - uma das cenas mais brutais que a mitologia grega nos legou. Coberta de
sangue, Medeia segurava nos braços os corpos degolados de Mêrmeros e Feres -
que ela mesma havia matado.
Um clarão
ofuscou os olhos perplexos de Jasão: era a carruagem de Hélios, o Sol, que
viera buscar sua neta. Com os corpos dos filhos, a feiticeira subiu aos céus.
"Contempla os filhos que eu mesmo apunhalei, para destroçar teu
coração!" gritou Medeia. "E tuas desgraças não estão completas,
Jasão: espera até chegar tua velhice". A profecia de Medeia se cumpriu.
Depois de vagar pela Grécia durante anos, Jasão morreu amargurado, velho e
sozinho, deitado sobre as areias de uma praia.
Por Geraldo Genetto Pereira
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Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Pomona era a deusa que presidia a floração dos frutos. Ela guardava de proteger as árvores frutíferas. Seu Bosque vivia fechado a entrada de seus incansáveis cortejadores, a maioria faunos e sátiros. A deusa alimentava dos mais tenros frutos. A deusa dos Pomares tinha um corpo invejável e uma pele perfeita. Ela andava só por entre os troncos das suas adoradas árvores. Entre os Apaixonados pela deusa, havia Vertuno, que era o Deus protetor dos frutos e dos legumes. Pomana sempre fugia dele. Ela não queria saber de amores.
Vertuno é do único Deus que atraia os desejos da deusa, por isso ela fugiu dele. Vertuno era mestre em disfarces e, diversas vezes, se apresentou diante da deusa de diferentes modos: como ceifador, pôs a foice no chão e se sentou aos pés de Pomona. Ela ficou totalmente envolvida com a sua tesoura a cortar os galhos e a retirar os fungos acumulado sem dar atenção ao deus.
Noutra ocasião, Vertuno apareceu como um pescador. Foi um disfarce infeliz. A deusa não gostavam de pescadores e detestava esta atividade. Por isso, ela expulsou Vertuno da sua presença.
Tempos depois, ele se apresentou vestido de coletor de maçãs. Pomona não conseguia alcançar os galhos da árvore e deus ofereceu ajuda. Vertuno começou a subir na escada quando sentiu a mão carga da deusa tocar lhe o pulso. Ela pediu ao deus para que ela mesmo pegasse o fruto. Assim que começou a coletar as maçãs, jogavam uma a uma a Vertuno. A maioria acertado em cheio na cabeça do deus. Pomona reclamava dos gritos do deus, dizendo que ele estava esperando os frutos deixando-os cair no chão.
Quanto mais Vertuno insistia em suas estratagemas, mais a deusa permanecia irredutível: terminando sempre na expulsão dele de seu Bosque sagrado, com maior ou menor delicadeza.
Um dia, uma velha encarquilhada apareceu diante Pomona. O dia estava quente e a deusa estava à vontade. A velha, que era o próprio Vertuno. Aproximou sorrateiramente. Quando chegou aos pés da deusa, sentou-se. Finalmente a deusa observou a presença dentro dela e a cumprimentou estendendo a mão de modo afável. A velha deu um beijo na mão da deusa. A moça recuou diante do gesto inesperado e surpreendente. A deusa estava podando uma vinha e Vertuno aproveitou a ocasião para fazer uma comparação. E que tudo servia aos seus objetivo. Disse para deusa que os galhos se enroscavam e que ela deveria fazer o mesmo. Disse a deusa que ele esteve a observando por muito tempo e percebeu que ela fugia de todos os seres que buscavam o seu amor.
A deusa disse a velha que todos são boçais. Veturno, disfarçado de velha, disse que talvez nem todos o sejam. Enquanto conversava com a deusa, a acariciava as costas dela. Isso a irritou. A velha disse a deusa que existe alguém que está muito mais afim dela de que todos os seus outros pretendentes e que ela sabia quem era aquele que merecia o seu amor. A moça disse que sabia sim. Era o importuno Vertuno. A velha respondeu que era ele mesmo e que ninguém mais poderia fazê-la feliz mais do que ele. A deusa disse a velha que já chegava e se afastou descontrolado. Logo deu-se conta do que passava: descobriu que era Vertuno. A moça o repreendeu dizendo porque ele não experimentava aparecer sobre a sua própria forma ao menos uma vez. Vertuno percebeu que a deusa não tinha olhos para ninguém e buscava diversas formas de convencê-la sobre seu amor.
Desfazendo-se de seu disfarce, Vertuno surgiu diante da moça em sua forma esplendorosa. A deusa ficou deslumbrada com a sua beleza. Ele aproximou-se da dócil Pamona e a cobriu de beijos.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
As ruínas de Tróia ainda fumegam. Tróia, agora, não é mais do que um caminho e nós pito e pedregoso. Podia contar nos dedos um muro ou uma coluna que ainda estavam inteiros. Seu solo estava completamente juncado de pedras e tijolos, o que tornou ainda mais acidentado o terreno.
Sentado sobre uma grande pedra e recortado no pedaço de mundo semelhante a um imenso dente quebrado, estava um pobre e imundo Andarilho. De cabeça baixa, o velho, coberto de trapos, cozinhava qualquer coisa sobre uma minúscula fogueira de alguns poucos gravetos. Enquanto cozinhava, cavava no chão, com seu bastão feito de um velho galho de árvore, um pouco menos torto e nodoso do que ele próprio. O velho inclinava curvando corpo para adiante e ameaçava cair de boca no pó. Naquele exato momento, a atenção do velho é distraída pelo ruído de um outro bordão que se aproximava, vindo exatamente em sua direção. Tratava-se de outro Andarilho, vestido de contratos que têm o mesmo corte fresco e arejado do outro. O velho Maneta estende, ao recém-chegado, a sua tigela e os dois se entregam então ao grande momento do dia: paz e sustento sobre o manto cálido da noite. Eles comiam em silêncio até que o puxou um assunto trivial. Conversa vai e vem, o outro rezinga, o outro escarra. Um disse ao outro que ele é um maldito Troiano. O cego pala para o velho Maneta que ele é um maldito Aqueu. O grego é o Maneta; outro olhando é o cego. Após a hostilidade eles permaneceram parado.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Juno concebeu o turbolento deus de um contato que teve com uma flor cultivada nos campos de Oleno, na Acaia. Flora, a deusa da vegetação, queria sido a inspiradora da terna ideia. Quanto aos aspectos físicos, Marte é um belo rapaz da corte Marcial. Ele ostenta com galhardia em seu peito uma soberba e reluzente armadura. O fato é que nenhum de seus pares de imortalidade parecia ao líder a menor simpatia, nem mesmo seu suposto pai, Júpiter. Este dizia que Marte era o mais detestável dos deuses que habitavam o Olimpo. Afirmava que o deus tinha o espírito intratável e teimoso de sua mãe. Apenas a bela Vênus, a deusa do amor, nutria uma afeição por Marte.
Na condição de deus da guerra, ele andava sempre na companhia de seus dois filhos de tremenda figura: o Medo e o Terror. Quando seu carro ardente surgia, precedido por estes pavorosos Arautos, anuncia a fúria das batalhas que estavam prestes a se desencadearem. A Discórdia, com seus cabelos de serpentes, estava sempre a verter incessantemente uma baba fétida. Ela vai um pouco mais adiante deles, espalhando a intriga e a calúnia. Diante de Marte vai esse perverso conjunto de Arautos. Fechando o cortejo, estão aquelas que recebem o espantoso apelido de Cadelas de Plutão. Elas são as Queres, deusas sanguinários antecessoras dos modernos vampiros que mergulham sobre as vítimas abatidas para dilacerar suas carnes e beber seu sangue, depois arrastando para a morada das ondas.
As histórias das derrotas sofridas por Marte são mais abundante do que os relatos de suas vitórias. O pior dos seus fracassos seria quando o Marte viu-se aprisionado durante 13 meses dentro de uma jarra de bronze, por causa de uma afronta feita aos dois gigantes Aloídas, filhos de Aloeu e Ifimédia. Durante a guerra de Tróia, também não se saiu melhor com Diomedes, guerreiro aqueu, que o feriu com uma lança dirigida pela mão de Minerva. Quando se retirou a lança, contudo, Marte não se suportou com tanta bravura quando se poderia esperar, pois lançou aos céus um grito tão alto quanto ou de 9 ou 10 mil guerreiros.
Compreende-se, contudo, o motivo dessa Divina Rixa: é que Minerva, irmã de Marte deusa também associada a guerra, representa a tática e a diplomacia, apelando sempre ao instinto nobre do guerreiro; enquanto que seu irmão representa unicamente o aspecto sanguinários das guerras. Essa rixa combinou com o enfrentamento de ambos diante das muralhas da disputada Tróia: Marte lançou um dardo contra a irmã, que se desviou dele com facilidade, remetendo em seguida uma pedra sobre o pescoço do agressor que o deixou estendido ao solo, sem sentidos. Como isso não bastasse, teve de escutar os deboches que Minerva vencedora lhe lançou. No entanto, o fracasso de Marte não acabou ali. Sua coragem naufragou também quando, por duas vezes, teve que fugir vergonhosamente da fúria do invencível Hércules. Ao pretender vingar a morte da amazona Pentesiléia, morta por Aquiles, recebeu na cabeça raio da irado do próprio pai.
Este é Marte, Deus menor e privado de qualquer virtude, que só foi verdadeiramente cultuado com fervor pelos romanos, povo imperialmente bárbaro que só soube alcançar a grandeza através do ofício de pilhar e assassinar. Como esta cruel criatura pode aspirar o amor a Vênus e dar a ela um filho como o Cupido? Talvez porque sendo o amor também uma batalha, como todos os lances e estratégias de uma guerra, fosse natural que dois deuses estejam ao posto que acabasse por se sentir inevitavelmente atraídos. O fato é que, mesmo no amor, o atrapalhado deus não se saiu tão bem quanto esperava. Apesar de ter conseguido convencer a sua amada Vênus, teve que passar pelo de sabor de ser flagrado em pleno leito pelo marido desta, o não menos truculento Vulcano. Aprisionados ambos numa rede indestrutível, confeccionado a pelo próprio Vulcano, Marte ardoroso e Vênus infiel, foram expostos à execração pública, diante de todos os deuses do Olimpo.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Plutão, o Deus dos infernos, andava em quieto com agitação que vem abalando os fundamentos do Monte Etna na Sicília. O vulcão que ali existia Para de ser mais irado do que nunca. Ele cuspia fumaça e Faísca para todos os lados. Sabedor de que o interior daquelas montanhas abrigavam gigante tifão, que fora anteriormente derrotado por Júpiter e ali acorrentado, Plutão Decidiu ir pessoalmente ver o que estava acontecendo. Ele tomou a carruagem da noite e foi até o monte Etna. Logo avistou um grupo de mulheres que colhiam flores do campo. Por ali estavam também Vênus, a deusa do amor, com seu filho Cupido. A Deusa pediu para que o filho observasse que o Deus dos infernos havia decidido dar uma voltinha a luz do dia. Cupido disse que provavelmente isso aconteceu porque ele estava cansado de toda aquela escuridão. Que devia ser terrível se o rei de um mundo de mortos. Imediatamente, Vênus encostou sua boca a orelha de cupido e pediu para que ele arrumar se algo para distrair Plutão daquela solidão. Os olhos do jovem imediatamente iluminaram. Cupido pegou o seu arco; escolheu a flecha mais aguda de sua aljava e apontou para o Deus dos infernos. Vênus pediu para que o rapaz caprichasse na pontaria.
Uma Flecha Dourada cortou o ar, indo atingir em cheio o coração do Deus infernal. No mesmo instante, botão ficou apaixonado pela mais bela das mulheres que tinha diante dos olhos. Era prosérpina, filha de Ceres, a deusa da fertilidade e da agricultura. A jovem poderia ser considerada uma Divina filha de sua mãe, com seus longos cabelos da cor do trigo. Plutão encolheu as rédeas cor de ferro que seguravam seus negros cavalos e se lançou em direção ao grupo de moças. Assustadas com aproximação do carro negro, todas correram em diversas direções, deixando prosérpina em Apuros. Plutão aproveitou o descuido e suspendeu a moça com o seu braço e a levou aos céus em seu carro veloz. Foi em vão a filha de Ceres pedir socorro.
Descendo do seu carro, o Deus dos mortos preparava-se para golpear o solo com seu tridente e abre caminho para retornar ao seu mundo. A Ninfa ciana, que estava por ali perto, tentou detê-lo. Plutão não deu ouvidos a moça e vendeu até com Golpe poderoso de seu tridente. Um abismo abriu aos pés de ambos. Antes que o rato e sua presa entrasse pela Negra passagem, Plutão transformou a ninfa em uma fonte, pois temia que ela viesse a dar com a língua nos dentes. Os cavalos relinchando e felizes regressaram a sua escura morada. Prosérpina perde os sentidos ao ver se Prestes aventar aquela escuridão sem fim. Plutão disse para ela não se preocupar, pois iria se tornar a rainha dos infernos. Ele deu um beijo na face da desmaiada prosérpina, antes de chicotear com forró os seus cavalos da cor da noite.
No mesmo dia, Ceres foi alertada pelas amigas de prosérpina sobre O Rapto. Ela ficou incrédula ao saber que o responsável foi Plutão. Desesperada, a deusa saiu a pé, do jeito que estava, em busca da filha. Quando a noite chegou, ela acendeu uma tocha e prosseguiu em sua solitária e desesperada busca. Assim que seres avistou Selene, a deusa da Lua, deteve o seu passo. Ela perguntou a deusa se havia avistado a sua filha. Selene disse que infelizmente não vira nada. A deusa passou a noite inteira percorrendo a terra iluminada apenas pelas estrelas e pela lua em busca da filha. Quando o dia amanheceu, ela encontrou-se com a Aurora, que já vinha adiante, precedendo o Radiante carro de Febo, o Deus do sol. A deusa perguntou Aurora por sua filha prosérpina. ceres chorava muito. Aurora disse não ter visto a moça. Ela estava disposta a ajudar na procura, mas o sol a impedia que continuasse a conversa.
Durante vários dias e várias noites, a deusa Ceres continuou a sua busca. Ela estava esquecida de seus deveres para com a natureza. Logo a terra começou a se tornar estéril. As águas não desceu mais do céu para regar as plantações e a fome começou a se espalhar por tudo. Um dia, completamente desanimada, sentou-se numa pedra e curvou a cabeça sobre o peito. Ela estava exausta. Enquanto descansava, percebeu que a seu lado uma fonte cantante respingada suas águas sobre si. A deusa Ceres percebeu nele o desenho do rosto de ciana. Imediatamente, quis saber da Ninfa o que havia acontecido. Não obtive nenhuma resposta. Quando a ninfa se metamorfoseou, ela perdeu a fala. A Ninfa fez alguns sinais que a deusa logo compreendeu. Entendeu que sua amiga havia sido engolido pela terra. Adeus às férias viu confirmado essa suspeita ao divisar flutuando sobre das Águas da fonte o cinto da sua adorada filha. Sem meios de poder descer até as profundezas do reino de plutão, a deusa Ceres decidiu subir aos elevados domínios de Júpiter, o pai de prosérpina. Ela pediu ajuda ao todo poderoso. Pediu que ele obrigasse lutam devolver a sua filha. Júpiter disse que lutam é o senhor em seus domínios. Ele deu a entender que não queria problemas com seu irmão das Trevas. A deusa ceres ficou irritada e mandou Plutão para os infernos. Júpiter debochou da deusa dizendo que ele já estava lá. A deusa não tinha tempo para brincadeiras. Júpiter ordenou que ela descer se até a terra e colocar se tudo em ordem, e já que havia meses que ela se havia diz cuidado dos seus afazeres. A deusa disse que a Terra ia continuar do jeito que estava. Não iria brotar 1 pé de couve sequer. Júpiter percebeu que sua esposa se aproxima para ver o que estava acontecendo e resolveu contemporizar pois sabia que duas mulheres viradas eram demais para ele. Logo aceitou ajudar a deusa Ceres. Disse que a filha da deusa poderia retornar para a Terra, desde que não tenha comido nada nos infernos, pois assim determinaram as parcas. A condição parecia meio absurdo, mas a mãe de prosérpina não tinha alternativa. Ela resolveu ir pessoalmente ao reino de plutão. Passou um longo tempo nas margens do rio aqueronte, aguardando a chegada do Barqueiro que a transportar ia até o reino das Sombras.
Uma vez desembarcada, ela foi barrada por Cérbero, o temível cão de três cabeças que guarda os portões do inferno. Mas uma mãe que procura a filha não se deixa intimidar por qualquer coisa. Com o facho que levava numa das mãos, Dirceu uma bordoada sobre as três cabeças do cão ao mesmo tempo e esse saiu chorando inferno Adentro. Sem dar ouvido a nada e nem a ninguém, ela avançou pelas regiões escuras. Logo, estava diante do Deus infernal, que estavam sobre o seu trono. Ele tinha ao lado, prosérpina. Essa se lançou aos braços da mãe com longo abraço. A deusa não podia emitir qualquer palavra. Ela apenas que saber da filha como ela se sentia ali. A moça disse que não era tão mal assim. Plutão não quis se intrometer na conversa. A deusa quis saber como podia sua filha ser feliz ali naquela escuridão. A moça disse a deusa Ceres que ali no mundo subterrâneo ela era a rainha, a senhora absoluta de todos daquele domínio. A deusa ceres disse que Plutão era terrível. No entanto, a moça disse a mãe que ele sempre a tratou com muita atenção e delicadeza, como uma legítima rainha. Prosérpina parecia feliz com seu novo estado. Sua mãe não podia suportar a ideia de tê-la para sempre longe de si ei perguntou se já havia comido algo desde que chegou ao inferno. A moça que saber o motivo da pergunta. Que saber se se parecia muito magra. Ela disse que apenas havia comido uma romã que colheu no Jardins de plutão. A deusa Ceres quase tombou desfalecida ao chão de tanta tristeza diante da terrível Revelação. Momentaneamente, ela abandonou a filha e foi falar com Plutão. Queria tentar reverter a situação, mas o Deus dos infernos mostrou-se resoluto. Ele recusava perder a esposa. Uma terrível discussão ameaçava se instalar entre a sogra e o genro. foi quando José Pina propôs uma solução que agradaria a todos: propôs passar metade do ano nos domínios de plutão e a outra metade em companhia da mãe, na terra. A deusa Ceres e Plutão chegaram a um acordo, A única solução consensual. Prosérpina seguiu com sua mãe de volta à Terra, para passar a sua primeira temporada. Estava disposta a retornar ao sub mundo dos mortos em 6 meses, conforme combinado. A partir daquele momento, a deusa da agricultura e da fertilidade retomou seus cuidados com a terra.
Por Geraldo Genetto Pereira
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Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Orfeu foi o poeta e músico mais célebre da Grécia mitológica. Tocava a lira com tanto sentimento que até as feras selvagens se deitavam, man...