Mostrando postagens com marcador #educaçãnobrasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #educaçãnobrasil. Mostrar todas as postagens

Projeto - mídia televisiva - poder e manipulação

Este projeto foi apresentado na Universidade Federal de Minas Gerais/Faculdade de Educação, na disciplina: Didática de Ensino.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Público alvo
O projeto de trabalho aqui proposto se destina a alunos do Ensino Médio.

Problema
Trabalhar a questão da mídia televisiva e suas correlações com o poder e a questão ideológica é um tema amplo. Ao pensarmos pela mídia como tendo diversas funções em nossa sociedade, surgem várias questões: 
  • Até que ponto a mídia e o advento da comunicação de massa contribuem para a democratização da informação?
  •  Até que ponto a informação recebida é manipulada? 
  • Até que ponto a televisão funciona como meio de entretenimento? 
  • Até que ponto a televisão funciona como instrumento de alienação? 
Como podemos perceber, há diversas contradições acerca da mídia que aparecem a partir do levantamento das questões.

Justificativas
A televisão é um instrumento de comunicação que permeia todas as camadas da nossa sociedade e está presente no cotidiano do homem contemporâneo. Ao abordarmos a questão da mídia correlacionada à questão do poder, abrimos espaço para que os alunos possam discutir e refletir acerca das influências e contradições da mídia televisiva. Isto permite que possamos construir, junto com os alunos, uma consciência crítica acerca de um meio de comunicação tão presente em nossas vidas, abrindo espaço para que os alunos não sejam apenas receptores passivos, mas seres questionadores e cidadãos, capazes de tecer críticas – positivas ou negativas – acerca das coisas que permeiam o cotidiano e, mais ainda, a sociedade contemporânea em que estamos inseridos.

Objetivo
  • Objetivo geral
Construir, através de discussões e questionamentos, uma visão crítica acerca da mídia televisiva.
  • Objetivos específicos
    • Desenvolver habilidades de socialização em grupo.
    • Fazer com que os alunos lidem com diferentes tipos de linguagem –textos, poemas, vídeos –que possam servir de instrumental para a reflexão.
    • Refletir acerca de questões da sociedade contemporânea e do papel da televisão nesta sociedade.
Fundamentação teórica
Ao tratarmos da mídia televisiva e de suas correlações com o poder, convém nos interrogarmos acerca da natureza de saber que este tipo de veículo midiático traz à tona e sobre os efeitos de verdade que ele visa.

Em relação aos efeitos de verdade, como o próprio nome sugere, eles dizem respeito à verdade em si –ou, nas palavras de Charaudeau (1997:48) “não se trata de ser verdadeiro” –mas, sobretudo de crer que aquilo é verdadeiro. Contrariamente ao valor de verdade, que se apóia na evidência, o efeito de verdade se apóia na crença, o que faz com que se leve em conta os saberes do opinião. Dessa forma, o efeito de verdade está inserido num dispositivo enunciativo de influência psicossocial em que cada um dos parceiros adere ao universo de pensamento e de verdade do outro. Verdade e crença instalam, portanto, uma diferença entre dois tipos de saber e estão intrinsecamente ligadas ao imaginário social de cada grupo.

Quanto à natureza do saber, Charaudeau (1997) postula que há basicamente, dois tipos de saber: os saberes de conhecimento, que dizem respeito a “uma representação racionalizada sobre a existência dos seres e dos fenômenos sensíveis do mundo” (tradução livre da p.44)[1] Este saber está relacionado a métodos empíricos e técnico-científicos utilizados pelo homem para tornar o mundo inteligível da maneira mais objetiva possível. Já os saberes de crença não existem por si mesmos, mas são resultantes do olhar subjetivo do homem sobre o mundo. Eles representam uma tentativa do homem de avaliar o mundo e de julgá-lo quanto ao seu efeito sobre o próprio homem e suas regras de vida. Estas crenças dizem respeito à maneira como se instauram as regulações das práticas sociais a partir da criação de normas efetivas de comportamento, mas também a partir da criação de normas ideais, que estão diretamente relacionadas com os imaginários de referência dos comportamentos (o que se deve e o que não se deve fazer) e com os imaginários de justificativa destes comportamentos (porque isto é bom ou ruim).

Isto significa que há um olhar do outro que julga o comportamento como positivo ou negativo, sob normas que foram estabelecidas socialmente e que são validadas através de diferentes evidências: éticas (o que é bom ou ruim); estéticas (o que é bonito ou feio); hedônicas (o que é agradável ou desagradável); pragmáticas (o que é útil ou inútil, eficaz ou ineficaz). Estas “evidências” advêm de julgamentos muito ou pouco estereotipados que circulam na sociedade e são representativos de um determinado grupo que os instaurou, servindo como modelo de conformação social. Em conclusão, as representações socais se apoiam na observação empírica da prática de trocas sociais e fabricam um discurso de justificativa daquilo que faz com que se coloque em prática um determinado sistema de valores eleito como norma de referência.

Assim, é produzida uma certa categorização social do real que testemunha aquilo que é “desejável” por um determinado grupo social a partir de sua experiência cotidiana, da forma como este grupo vê e torna o real inteligível através de um metadiscurso revelador de seus posicionamentos. Isto nos leva a admitir que as representações sociais revelam um desejo social, produzindo normas e trazendo à tona os sistemas de valores. Como  há o curta-metragem  A Mulher Fatal encontra o Homem Ideal (1987) que trata dessas questões.

Metodologia
O projeto será dividido em etapas, cada uma das quais contemplará uma atividade.
  • Etapa 1: Mídia televisiva e informação
Nesta etapa, discutiremos a importância da mídia televisiva enquanto elemento de democratização da informação, procurando traçar um histórico do advento da mídia de massa e a evolução das comunicações no século XX.

Atividade
Em pequenos grupos, os alunos farão uma micro-entrevista com algumas famílias. Nessa entrevista seria feito um levantamento a respeito dos seguintes itens:
  • Fatores sociais (faixa etária, renda familiar, sexo, grau de instrução, etc.
  • Horário mais comum em que se assiste à televisão.
  • Os programas mais assistidos e o motivo.
  • O grau de confiabilidade nas informações transmitidas pelos programas.
Com objetivo de buscar a validação das informações recebidas através de outras formas de comunicação, os alunos elaborarão as perguntas de acordo com os itens acima – e outros que porventura acharem relevantes – e, após a entrevista, socializarão as respostas com o restante da turma.

  • Etapa 2: Mídia televisiva e manipulação
Exibir do documentário “Muito além do Cidadão Kane”. Documentário de Simon Hartog produzido em 1993 pelo canal 4 da BBC. O documentário discute o poder da Rede Globo e teve sua exibição proibida no Brasil.

Atividade
Solicitar aos alunos que reproduzam algumas “chamadas” do “Jornal Nacional”, exibido diariamente pela TV Globo, com o fim de caracterizar a pouca profundidade de suas notícias, ou seja, sua superficialidade. A partir dessa conscientização, estender a discussão para a questão da alienação, da indução do telespectador etc.
  • Etapa 3: Mídia televisiva e alienação
Exibição do curta-metragem “A mulher fatal encontra o homem ideal”, de Carla Camurati. Neste curta, é mostrada uma dona de casa pobre cujo único bem é uma televisão. Esta dona de casa se envolve passionalmente com a história de amor de uma novela, se alienando nesta história que a faz “esquecer” das dificuldades reais em que se encontra.

Atividade
Promover uma discussão que leve em consideração os aspectos de alienação promovida pela televisão, pedindo aos alunos que listem programas em que eles acham que há uma indução à alienação, fazendo uma correlação com o curta assistido. Antes, pedir aos alunos que empreendam uma pesquisa teórica sobre o conceito de “alienação” e exponham o que encontraram e entenderam sobre o conceito.
  • Etapa 4: Mídia televisiva e espaços alternativos
Apresentação de redes alternativas de televisão – TV Cultura, TV Futura, Rede Sesc/Senac, Rede Minas, etc. Exibir programa de jornalismo alternativo como “Observatório da Imprensa”.

Atividade
Solicitar aos alunos que comparem as reportagens produzidas pelo programa “Observatório da Imprensa” e pelo “Jornal Nacional”, objetivando criar um espaço de reflexão crítica, tanto acerca de aspectos técnicos, quanto acerca de aspectos ideológicos que permeiam a questão do fazer jornalístico.

Cronograma
O cronograma abaixo compreende cada uma das etapas gerais do projeto, assim como as etapas específicas de elaboração das atividades de cada etapa geral.
  • Etapa 1: 1 aula para exposição teórica (50 min)
Atividade 1: -1 aula para elaboração das perguntas (50 min)
- 3 aulas para realização das entrevistas (150 min)
- 1 aula para apresentação dos resultados (50 min)
- 1 aula para discussão qualitativa dos dados (50 min)
- TOTAL: 6 aulas (300 min/ 5h)
  • Etapa 2: 1 aula para apresentação e exibição do documentário (50 min)
Atividade 2: -Reprodução das chamadas do jornal (em casa)
- Meia aula apresentação das chamadas selecionadas (25 min)
- 1 aula e meia para discussão crítica das chamadas apresentadas (75 min)
- TOTAL: 3 aulas (150 min/ 2h30min)
  • Etapa 3:- 1 aula para apresentação e exibição do curta-metragem (50 min)
Atividade 3: -1 aula para apresentação e discussão do conceito de “alienação”
(50 min)
- 1 aula para discussão crítica do curta-metragem (50 min)
- TOTAL: 3 aulas (150 min/2h30min)
  • Etapa 4: -1 aula para apresentação de redes alternativas de televisão –mostrando a proposta de cada uma delas e a programação geral (50 min)
Atividade 4: exibição do programa “Observatório da Imprensa” (50 min)
- Reprodução das chamadas do “Observatório da Imprensa” (durante a exibição do programa em sala)
- 1 aula para elaboração, em pequenos grupos, da comparação dos aspectos técnicos e ideológicos entre o “Observatório da Imprensa” e o “Jornal Nacional” (50 min)
- Meia aula para sistematização geral das comparações feitas por cada grupo (25 min)
- 1 aula e meia para discussão crítica das comparações (75 min)
- TOTAL: 6 aulas (300 min/5h)

Tempo total
(Apenas uma sugestão, pois, o tempo pode ser reduzido ou ampliado)
  • Total geral de aulas disponibilizadas para a realização da oficina: 18 aulas.
  • Total geral de horas disponibilizadas para a realização da oficina: 15 horas (900 min)
Referências bibliográficas
A MULHER Fatal Encontra o Homem Ideal. Carla Camurati. Curta-metragem Rio de Janeiro, 1987 [s.n.]. 1 videocassete (30 min), sonoro, colorido.
CHARAUDEAU, Patrick. Le discours d’information mediatique: la construction du miroir social. Paris: Nathan, 1997.
CONY, Carlos Heitor. Insônias. Folha de S. Paulo, 13 abr. 2002. Opinião. (Texto adaptado)
HERNÁNDEZ, Fernando. Os projetos de trabalho: uma forma de organizar os conhecimentos escolares. In: A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. (5a. ed)
MUITO além do Cidadão Kane. Simon Hartog. Documentário. Londres: BBC, 1984. 1 DVD (30 min.), sonoro, digital.
PAES, José Paulo. À televisão. In: Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.72.






9. ANEXOS
Insônias
Carlos Heitor Cony


Um dos argumentos usados para promover a venda de canais a cabo foi o da insônia. A TV dita aberta tinha o hábito de sair do ar por volta das duas da manhã . alguns canais saíam antes, outros depois.
Aqueles que, por um motivo ou por outro, não estavam dormindo nem fazendo coisa melhor e ligavam o aparelho em busca de alguma coisa para ver ficavam condenados aos chuviscos; um ou outro canal mais afoito colocava o .colorbar., e tudo ficava por isso mesmo. Com o advento da TV por assinatura, os insones poderiam dispor de entretenimento, cultura, lazer, o diabo.
Pois sim. Outro dia , aliás, outra noite dessas ., dormi a tarde inteira e, à noite, fiquei sem sono. Fui testar as maravilhas prometidas pelas duas TVs a cabo que aluguei.
Por Júpiter! Nada daquilo me interessava. Não pretendo comprar tapetes, não vou adquirir complicadíssimos aparelhos de malhação, não rezo o terço bizantino, não posso nem quero testar as receitas culinárias oferecidas e demonstradas.
A vida sexual dos golfinhos nunca me interessou e minhas preocupações presentes, passadas e futuras não estão nas grutas pré-históricas do Tibete. Tampouco preciso exorcizar os demônios que me freqüentam, convivo bem com todos eles.
Mudei o canal para uma cena incompreensível. Dois javalis ou coisas equivalentes disputavam uma fêmea, acho que da mesma espécie. Era um pornô animal narrado cientificamente por um especialista de um instituto canadense.
Apertei mais uma vez o controle remoto e vi um sujeito barbado lendo um texto apocalíptico e anunciando o fim do mundo. Ao contrário de me despertar, deu-me um sono letal. E voltei para a cama, donde não deveria ter saído.


À TELEVISÃO
José Paulo Paes
Teu boletim meteorológico
me diz aqui e agora
se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?
A comida suculenta
que pões à minha frente
como-a toda com os olhos.
Aposentei os dentes.
Nos dramalhões que encenas
há tamanho poder
de vida que eu próprio
nem me canso em viver.
Guerra, sexo, esporte
. me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
já não preciso do mundo.

[1] Ce sont les savoirs Qui procèdent d’une représentation rationalisée sur l’existence des êtres et des phénòmenes sensibles du monde.

A história da educação brasileira - resumo

No dia 15 de outubro de 1827 foi instituída a primeira Lei Geral da Educação Pública brasileira. É devido a isso que se comemora o dia do professor.

Em 1834, houve o Ato Adicional. Esta lei criou as Assembleias Provinciais e deu autonomia para às províncias legislarem sobre a instrução pública.

Em 1837, foi criado o Colégio Pedro Segundo. Objetivo da criação do colégio era forma a elite nacional, os altos quadros políticos, administradores e intelectuais do Brasil. Os alunos bacharéis em letras pelo Colégio Pedro Segundo poderiam estudar em qualquer faculdade do império sem vestibular.

Em 1870, os estudos secundários achavam-se entregues quase que exclusivamente a iniciativa privada.

A CONSTITUIÇÃO DE 1891. Com ela, eliminou-se o voto por renda e instituiu o “voto cidadão alfabetizado” do sexo masculino. Ela normatizou que o ensino o Ensino Primário era responsabilidade da província e o Ensino Secundário e Superior eram responsabilidade do império. Nela o Ensino Médio foi nitidamente seletivo. Os alunos vinham de classes sociais mais elevadas. Foi na Primeira República que houve a separação entre o Ensino Popular – Ensino Primário – Ensino Normal e Ensino Profissional. O Ensino Primário era para as classes sociais menos favorecidas – de 1ª a 4ª série; já o Ensino Normal era para a elite. Ela frequentava os melhores ginásios - O ginasial é um curso aristocrático, seletivo e predominantemente masculina. O acesso de pobre e mulher era raro – e escolas superiores. Para dificultar ainda mais a entrada no ensino superior, o exame de saída do Ensino Médio passou para exame de entrada no curso superior.

Houve reformas sucessivas da educação brasileira durante os anos 1911 e 1915. O exame de admissão ao curso superior passou a chamar “vestibular”. Além de passar nesse exame, exigia-se dos alunos o certificado de aprovação nas matérias do curso ginasial.

Em 1930, houve novas leis do Estado Novo. Nesta época Francisco Campos tornou-se o primeiro ministro educação do Governo Vargas. Foi neste período que surgiu grandes movimentos em defesa educação pública. O movimento denominado ESCOLA NOVA era responsável pelas reformas educacionais naquele Estado Novo - reforma do ensino secundário em 1831. A Escola Nova propunha que o Ensino Médio deveria ter como objetivo formar o homem para a atividade nos setores comerciais e industriais do Brasil e não mas o curso superior, uma vez que a finalidade de preparar o discente para ensino superior havia sido superada na Reforma Educacional Italiana, feito pelo ministro Geovane Gentile – ministro de Mussolini. Este movimento italiano tinha como objetivo "formar indivíduos capazes de tomar decisões." Nesta época, a educação básica na italiana era formada de dois ciclos: Ensino Fundamental de cinco anos e Ensino Complementar de dois anos. Em Liceus, o Ensino Secundário era dividido em três anos para Ensino Fundamental e quatro anos para Ensino Médio com o objetivo de preparar os alunos para o ensino superior. O ensino italiano tinha currículos diferentes, conforme a destinação dos candidatos. Havia o ensino clássico e ensino científico. No Brasil, apenas os cursos secundários preparavam para o vestibular. Sem o diploma do curso secundário, nenhum estudante podia candidatar-se ao exame. O exame de admissão ao curso secundário ocorreu com a Reforma Federal de 1925 e foi mantido na reforma das Leis de 1931.

O MANIFESTO EDUCACIONAL foi assinado por 26 educadores de grande prestigio. Entre eles estavam Anísio Teixeira, Afrânio Peixoto, Roquete Pinto. Havia na reforma educacional dois grupos que defendiam a educação. Os LIBERAIS ELITISTAS defendiam posições predominantes da elite. Enfatizavam que a necessidade de articulação de todos os graus e tipos de ensino deveria ser reformada. Este grupo priorizar os aspectos biológicos, psicológicos, administrativos e didáticos do processo educacional. O outro grupo chamado de LIBERAIS IGUALITARISTAS era formado por pessoas como Anísio Teixeira que condenava a discriminação social realizado pela escola segregacionista e propunha a abolição do sistema dual de ensino primário-profissional e secundário-superior e a criação de uma escola única para todos, evitando a separação entre trabalhadores manuais e intelectuais.

A CONSTITUIÇÃO DE 1934 assegurou o ensino religioso, normatizou a escola secundária, limitando o número de estabelecimentos secundários, rompeu com o monopólio estatal do acesso ao ensino de terceiro grau e homogeneizou o currículo.

LEI ORGÂNICA DO ENSINO SECUNDÁRIO de 1937 dividiu o ensino ginasial em quatro anos e o segundo ciclo com opção entre o clássico é o científico, conforme o modelo italiano. Ao fim de cada ciclo, havia o exame de licença, ou seja, o diploma, com o objetivo de garantir o padrão nacional de todos os aprovados. Para os alunos que não conseguiram admissão ao Ensino Médio e para os que desejam ingressar na universidade, havia a opção de cursos profissionalizantes de nível médio. A Lei Orgânica do Ensino Secundário de 1937 transformou o ensino profissional em ensino de grau médio. De 1920 a 1930 e na década de 1940 houve a expansão do setor privado graças aspirações e a mobilidade das camadas médias urbanas. Entretanto, nesta época das 629 escolas existentes no Brasil 530 eram particulares e mais de 30 por cento se localizavam em Pão Paulo (196 escolas).

A LEGISLAÇÃO DE 1942 definiu que quem quisesse abrir uma escola secundária deveria requerer inspeção do Ministério da Educação, o qual acompanharia as atividades durante dois anos. Nessa época, a educação profissional do Ensino Médio voltou-se à formação de forças de trabalho específica para os diferentes setores da economia e da burocracia. Havia o ensino industrial (de nível secundário), o ensino agrícola (primário), ensino comercial (terciário) e o ensino normal (para formação de professores para lecionar no Ensino Primário). O ensino técnico tinha três anos de duração com o quarto ano com estágio supervisionado na indústria. O ingresso em cursos básico profissional dependia da passagem dos concluintes do curso básico profissional para o primário e aprovação em exame de admissão. Já o ingresso em curso técnico dependia da conclusão do primeiro ciclo do Ensino Médio no mesmo ramo profissional. A passagem dos concluintes do curso básico profissional para o segundo ciclo do ramo secundário era proibida. Candidatos oriundos dos cursos profissionalizantes só poderiam prestar exames em suas áreas na faculdade. O curso ensino comercial de segunda classe requeria a pouca exigência. A Lei Orgânica de 1942 proibia ainda denominações colégio e ginásio aos demais estabelecimento de nível médio. Já a formação de professores se dava em dois níveis de cursos. A primeira formação de docentes para a primário com duração de quatro anos em escolas normais.

GOVERNO CIVIL MILITAR DE 1950 A 1980. Em 1950 houve a verdadeira evolução do Ensino Médio brasileiro, o qual abriu a possibilidade de os alunos cursarem o ensino profissional se transferir para o ensino secundário. Facultava-se aos diplomados do secundário o direito de se candidatarem aos cursos superiores. De 1950 a 1970 ocorreu a grande expansão do Ensino Médio decorrente do crescimento demográfico e da crescente pressão popular pela ampliação do ensino elementar. A pressão dos movimentos sociais populares ocorria nos grandes centros urbanos e industriais do país, como São Paulo. Esses movimentos levaram a expansão das oportunidades educacionais e à integração do primário e o primeiro ciclo do Ensino Médio, antigamente denominado ginásio de 5ª a 8ª série.

L D B E N DE 1961 deu equivalência aos cursos técnicos e secundários para efeito de ingresso em curso superior.

L D B E N 5692/1971 tornou obrigatório o ensino comum de oito ano, Ensino Fundamental, antigamente denominado “primeiro grau”, fundindo o Ensino Primário e o Primeiro Ciclo do Ensino Médio. O Ensino Colegial, o segundo ciclo, constituiu o “Segundo Grau”, hoje Ensino Médio. O segundo grau passou a ser generalizadamente profissional ou profissionalizante, com currículos orientados para habilitações profissionais. O objetivo era suprir uma suposta carência de profissionais de nível médio. Impôs-se então uma profissionalização obrigatória no Brasil. As consequências foram o empobrecimento do currículo, esvaziamento dos conteúdos de formação geral, indispensáveis para a formação crítica da realidade social e fracasso na formação técnica.

Alguns conceitos da LDBEN de 1971 estavam pautados pela TEORIA DO CAPITAL HUMANO, em que “os conhecimentos e habilidades constitui o capital humano”. Tal ideologia subordinava a educação às demandas do mercado de trabalho, acarretando a descaracterização e a maior desqualificação do Ensino Médio, reforçando a dicotomia “educação para elite e educação para o trabalhador”.

EM 1980. No início desta década, o governo militar flexibilizou a obrigatoriedade do ensino profissionalizante - Lei 7044/82. As matrículas de Primeiro Grau chegaram a 24,8 milhões e a de Segundo Grau a 3 milhões. A exclusão social no Ensino Médio agravou-se com a extinção do Plano Nacional de Educação do governo João Goulart, o qual obrigava governo destinar um mínimo de doze por cento dos recursos da união para a educação. O Plano Nacional de Educação só foi retomado pela emenda constitucional número 24 de 1983 e pela constituição federal de 1988.

REDEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO. A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional de 1996 deram ao Ensino médio uma função formativa da etapa de conclusão da educação básica: infantil, fundamental, médio e educação de jovens e adultos. A educação básica passou a ser ofertada de forma adequada às necessidades e possibilidades da população de jovens e adultos com condições de acesso e permanência na escola. Houve ajustes na economia, acompanhado da presença de organismos internacionais para a orientação das reformas na educação. No governo Fernando Henrique Cardoso houve a desescolarização do ensino técnico e o predomínio do modelo de competência com o objetivo de atender a uma educação que vise demandas do mercado. A formação profissional transformou-se em instrumento da gestão individual das competências e dos atributos cognitivos dos assalariados na empresa e fora dela.

REINTEGRAÇÃO DO ENSINO TÉCNICO. A reintegração do ensino técnico aconteceu após fórum em defesa da educação pública e projetos de formação humana integral. Este evento propunha a superar a dualidade presente na organização do Ensino Médio promovendo a cultura e o trabalho, fornecendo aos alunos uma educação integrada ou unitária capaz de propiciar a compreensão da vida social, a revolução técnico-científica e da dinâmica do trabalho e da história.

DECRETO 515444/ 2004. O governo Lula reintegrou o ensino técnico ao Ensino Médio através deste decreto.

DECRETO 5840 /2006. Esse decreto estabeleceu o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a educação básica na modalidade EJA.

PROGRAMA BRASIL PROFISSIONALIZADO DE 2007. Visou fortalecer as redes estaduais de educação e tecnológica por repasse de recursos federais aos estados.

PNDE 2011-2020. Tinha como objetivo universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda população de 15 a 17 anos através da meta 3. Já a meta 10 propunha oferecer, no mínimo, vinte e cinco por cento da vaga de EJA na formação de integração da educação profissional nos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

JESUS, José Geraldo Pereira de. Resenha do Caderno 1 de Formação de Professores do Ensino Médio (págs. 01 a 26). MEC, 2013.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Novidade!

8º ano do Ensino Fundamental Língua Portuguesa

  QUESTÃO   1                                                              VALOR: 0,60                       NOTA:_______ Observe os três ...