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Gênero Teatro ep. 1: A loja das bonecas

  A loja das bonecas

Personagens
JOANA DARC: Cliente
GISELLE: Vendedora: 
RAIMUNDO: dono da loja: :

Giselle para na porta da loja e se põe a observar as bonecas. Imediatamente a mulher fica pálida e sua frio. O dono da loja está atrás de uma vitrine, mas não está à vista da cliente.

RAIMUNDO: Estas bonecas que adquiri, só faltam falar. São realmente perfeitas. (Olhando para uma boneca que está dentro da vitrine)
GISELLE: Eu sou uma boneca! Sou a mais linda daqui. (longe da visão da cliente, sentada em uma cadeia no escritório e contando moedas).
RAIMUNDO: Se as outras bonecas falassem, não concordariam com você.
JOANA DARC: Boa tarde! (Olhando fixo para a boneca que está na vitrine próxima ao proprietário.
RAIMUNDO: Boa tarde, senhora! Deseja alguma coisa que eu possa ajudar.
JOANA DARC: preciso comprar uma boneca para minha filha. Ela faz aniversário e quer, de presente, uma boneca que fala. Sabe, né, coisa de criança. Acho exagero, mas criança é criança.
GISELLE: Leva eu!
JOANA DARC: A...quela... Fa.. Fa...la! ( olhando fixamente para boneca que se mexe na vitrine e faz movimentos com os lábios).
RAIMUNDO: Sim. Ela é linda e está com um preço ótimo. Quer dá uma olhada?
JOANA DARC: Be...be..bem, não..não sou muito fã de boneca. Quan..quando criança, min...minha mãe gostava de assistir a filme de te... Te..te..terror como O boneco Assassino e eu qua...qua... quase não dormia.

Joana tira os olhos da boneca e fica a olhar por toda parte loja em que há balcões, prateleiras, dezenas de bonecas e seus pequenos corpos inertes amontoados.
RAIMUNDO: Filme de terror não é real. Eu não sei o porquê de criar filme com bonecos para assustar crianças, sendo esses brinquedos deveriam ser apenas brinquedos.
JOANA DARC: Pois é, senhor! (Olhando para outro lado em que há bonecas de vários tipos, todas muito antigas, com seus rostos de biscuit, cabelos opacos e seus olhos de cristal – fixos, mortos.

Moedas caem pelo chão do escritório. Raimundo se desloca para ver o que aconteceu com a Giselle. Ela sai do escritório e caminha em direção ao balcão. Joana Darc Vira devagar e vê a moça que realmente se parece com boneca com olhos de cristal verdes a piscar para ela.

JOANA DARC: Me...me..me..meu Deus! Me..me...meu Deus! Esta lo..lo..lo..ja é assom..som...som..sombranda! (Um terror gelou os seus ossos. Ela sai correndo da loja e clama por socorro.)
GISELLE: O que aconteceu, seu Raimundo? (olhando assustada para a cliente correndo pela rua).
RAIMUNDO: Acho que a boneca mais linda dessa loja assustou a cliente. Imagina as bonecas feias! (risos).

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Noviço poeta: Para a minha vovó

Querida Vozinha,
Sem você a minha vida
Seria tão triste e sozinha

Com você eu aprendo muito
Até mesmo que o amor é gratuito

Amo suas receitas
Elas ficam saborosas e perfeitas

Temos tantas historias para contar
Que até um livro da para montar

Você é muito especial
Estar com você é sensacional

Seu abraço é tão aconchegante
Perto de você eu me sinto gigante

Não tenho palavras para descrever
O tamanho do meu amor por você

Do meu jardim você é a mais bela rosa
Sempre tão charmosa

Eu te amo muitão
Você sempre vai estar
No meu coração

Luisa Costa - Ensino Fundamental

Noviço poeta: Homenagem a avós

Quando estou com a minha avó;
Tenho certeza que não estou só;
Apesar de sempre perder no dominó;
Já é de longe que sinto o cheiro do pão de ló;

Quando estou com a minha avó;
Logo me aconchego;
Pois eu tenho certeza;
Que com ela encontro o sossego;

É fato que ela é tudo para mim;
E possuí diversas habilidades de costura;
Pois confecciona gorros de cetim;
Com diferentes texturas;

Minha avó possui grande conhecimento na agricultura;
E acrescenta diferentes temperos a mistura;
Apesar do conteúdo duvidoso;
O biscoito sempre fica delicioso;

Ela me ensina que as plantas possuem diferentes peculiaridades;
E é necessário saber escolher dentre a variedade;
Dentre algumas existem até propriedades medicinais;
Nas quais os benefícios a saúde são fenomenais;


O aprendizado que recebo com ela;
Não é adquirido com nenhuma outra parentela;
Não é ligado a inteligência;
Pois a sabedoria que possui maior influência;

Tem coisas que ela me ensina;
Que nem a ciência sabe explicar;
Às vezes o conhecimento expira;
E a experiência que passa a falar;

Tantas coisas inexplicáveis;
Que ela interpreta com excelência;
Tantas coisas inimagináveis;
Que ela liga com paciência;

Tantas coisas imutáveis;
Que ela varia com perfeição;
Tantas coisas irrefutáveis;
Que ela se opõe com uma impecável descrição;

O que eu mais sinto é saudade;
De escutar histórias de verdade;
O que mais espero é uma oportunidade;
De novamente conhecer tal serenidade.

William Soares de Jesus - Ensino Fundamental

Cônica: Até tu Brutus!

Certo colega usou a expressão: "Até tu, Brutus!" como uma crítica ao meu posicionamento em relação ao Governo Federal petista. Para defender meu ponto de vista e mostrar que não sou o Brutus, o traidor, respondi da seguinte maneira: "Bem. Não me comparo ao Brutus, mas tenho que aceitar que o Brasil está a viver um caos: falta verba nas escolas; as prefeituras periféricas e as capitais estão sem recursos; há ruas com buracos; assistência à saúde, precária, etc. As taxas de juros elevam-se a cada dia. A inflação corrói a renda dos assalariados. As empresas automobilísticas entulham nossas ruas de carros, todos vendidos a valores absurdos - por exemplo, um Idea produzido no Brasil é vendido no México por 25 mil reais e aqui.... 

O que foi prometido aos brasileiros como benefícios de se promover uma Copa do Mundo de futebol, até no presente momento nem as cidades sedes desfrutaram de tais benefícios. Fico a me perguntar: o que será do meu país após Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016?

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Crônica política ep.1: Quanto vale o seu voto?

Há um ditado popular que se diz: “pagando bem, que mal tem.” Nesta trilha sonora das vogais e consoantes do dito popular acima perpassa o pensamento de milhões de brasileiros. Desculpe-me por insistir com a pergunta: quanto vale o seu voto?

Permita-me dizer que seu voto vale muito. Se se paga bem ou mal por ele, sempre haverá consequências. Um país só se constrói por meio da liberdade de escolher. Isso é fato. Mas essa é preciso ser boa em todos os sentidos. Se isso não ocorrer, seu voto vale menos do que uma fossa séptica. Os biólogos e químicos entendem o que digo. Seu voto pode valer quatro anos de uma má ou boa gestão. Seu voto vale o poder para aqueles políticos que têm nojo de pobres. Pergunta-me qual classe social eles defendem. Político que afirma que "Nunca cuidei dos pobres, não sou são Francisco de Assis. Até porque a primeira vez que tentei carregar um pobre 'pra' dentro do meu carro, eu vomitei por causa do cheiro" defende qual classe social? Não é uma questão de disputa social; é uma questão social, econômica e cultural. Sem se importar com a classe social, pode-se dizer que o ser humano nasce igual; assim como seu fim será igual. Pense: se você faz parte da elite hoje, não está imune à pobreza. Ela chega à casa dos pobres, assim como chega aos palacetes dos ricos, de forma direta ou indireta. Você nunca estará imune às mazelas da pobreza. Infelizmente.

Há pessoas e partidos políticos que acham que só se deve governar para a elite, de preferência para os caucasianos. Portanto, eleitor, tenha prudência na hora de escolher membros desses grupos partidários, pois eles não têm compromisso com o todo de uma nação.

Mais, e aí, quanto vale o seu voto? Bem; seu voto pode valer o retrocesso econômico e social; pode valer o retorno de milhares de brasileiros a extrema pobreza; pode valer o retorno da economia do país as ingerências do FMI. Por muitos anos, os brasileiros pagaram juros sobre juros ao Banco Mundial. Presidentes e mais presidentes se humilharam diante dos poderosos pedindo ajudada econômica. Isso aconteceu porque os governos, que só trabalhavam para o bem-estar das elites, diziam que recorrer aos empréstimos internacionais era necessário para o crescimento do Brasil. Não; não era! Assim que outro modelo político chegou ao poder, provou que os seus antecessores estavam errados. Uma dívida que era considerada impagável, por muitos economistas brasileiros, foi extinta em pouco tempo. O Brasil passou de devedor a credor. A economia cresceu. O PIB elevou. Milhares de pessoas saíram da pobreza extrema. Os "luxos" chegaram às casas dos menos favorecidos. Ricos e pobres desfilavam em carros de luxo. Isso incomodou a muitos.

Quanto vale o seu voto? A sua imperícia na hora de votar vale colocar no poder megaempresários que dizem não serem políticos, por isso se veem no direito de governar só para uma classe social, a que eles representam. O ser político é aquele que governa para todos. Conforme o pensamento político de Aristóteles, o homem é um animal político por natureza. Assim sendo, o homem não deve ignorar a coletividade privilegiando interesses particulares. Aristóteles observa que o homem é um ser que necessita de coisas e dos outros, sendo, por isso, um ser carente e imperfeito, buscando a comunidade para alcançar a completude. E a partir disso que ele deduz que o homem é naturalmente político. Em suma, político é aquele que governa para um estado ou para uma nação; aquele que se relaciona com o espaço público. Um ser político que se diz não político pode ser comparado ao mito da caverna de Platão, no qual o poeta imagina uma caverna onde os homens estão acorrentados desde a infância, de tal forma que, não podendo se voltar para a entrada apenas enxergam o fundo da caverna. O cidadão não político tem essa qualificação do mito da caverna. Ele só enxerga o espaço onde passou toda a sua vida.

Quanto vale o seu voto? Seu voto vale uma PEC-241 que almeja 20 anos de retrocesso social e cultural. Nesse tempo, os ricos, empresários não terão seus lucros congelados ou geridos pelos índices inflacionários. No entanto, os proletários terão seus ganhos controlados porque para a ideologia cultural caucasiana e elitista não se pode permitir a pobres e ricos andarem de avião; não se pode permitir a pobres e negros frequentarem locais, como praias, frequentados pela elite econômica; não se pode permitir a pobres e negros passarem férias em países estrangeiros; não se pode permitir a pobres e negros terem na garagem carros novos. Para essa ideologia, é necessário diferir o carro do rico ao carro do pobre parado em um semáforo.

Quanto vale o seu voto? Se você acha que vale mais que uma Bolsa Escola; que uma Bolsa Família; tudo bem. Está correto em seu raciocínio. Isto é verdade: seu voto vale muito mais que isso. Você pode não concordar com o formato da distribuição de renda; no entanto, não seja imbecil a ponto de dizer que ela foi errada. Só se constrói uma grande nação dando oportunidades a todos. Só se constrói uma grande nação trazendo equidade na distribuição das riquezas.

Quanto vale o seu voto? Ele vale a formação política, econômica, social e cultural do seu ente querido. Deve ser constrangedor para a elite ver, sentados em uma sala universitária, pobres e ricos obtendo os mesmos direitos de uma formação cultural e profissional. Também é constrangedor ouvir os membros da elite econômica dizerem que os programas sociais de incentivo à formação profissional terão fim e que o estudante beneficiário terá que bancar o fim do curso com seus próprios recursos. Quem já frequentou uma universidade privada sabe que estou sendo verídico ao citar tal falácia. Não tive o privilégio de tal benefício ou abandonar a faculdade.

Quando eu me ingressei no curso superior, havia restrição a este nível de formação. Foram penosas horas de estudos para eu ingressar em uma universidade federal. Havia dia em que eu passava mais de dezesseis horas estudando. Não bastava vencer a etapa que enfatizava a leitura, compreensão e interpretação de textos; era necessário provar que sabia escrever e argumentar semelhante à elite econômica, que frequentava as melhores escolas privadas e se preparava para a segunda etapa dos vestibulares das universidades públicas em pré-vestibulares que chegavam a custar mais de três salários mínimos por mês. Em Belo Horizonte, eles tinham até nomes apropriados aos seus públicos como “Elite”, “Classe A”. Quase que exclusivamente, a tal etapa almejava excluir a classe menos favorecida do Ensino Superior.

Nos finais dos anos de 1990 e início dos anos 2000, só restava aos menos favorecidos quebrar os paradigmas e passar na segunda etapa dos vestibulares. Outrora, muitos universitários vendiam o corpo para pagarem cursos superiores em instituições privadas. Quando se chegava à sala de aula nas universidades públicas, era comum ver gráficos e ouvir discursos de professores mostrando a quase impossibilidade de alunos de escolas públicas fazerem parte do grupo de discentes universitários. Lembro-me que uma aluna do curso de Medicina que estudou numa escola pública no Bairro Vila Cloris, em Belo Horizonte. O índice de aprovação de alunos da escola estadual em Medicina na UFMG era 0,001... Havia aqueles docentes que diziam que a chegada de alunos de escolas públicas as universidades públicas federais reduzia o nível acadêmico da instituição. Um pensamento elitista e preconceituoso.

Quanto vale o seu voto? De tempo em tempo há eleições; há etapas eleitorais. Quem lhe representa em cada uma dessas etapas nas urnas eletrônicas? Você acredita na falácia: "não sou político"? Você acha que a elite representa os pobres e esses representam a elite? Não se esqueça de que quando você está digitando um número de um candidato, naquele momento, você representa seus entes queridos; sejam eles idosos, adultos, jovens, adolescentes, crianças e até os fetos. Qual futuro você almeja construir para eles. Lembre-se de que este é um dos valores do seu voto: votar consciente.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Poema ep. 2: Um andarilho poeta

Uma bela família, 
todos devem ter;
Contudo, sou morador de rua
Família, almejo conhecer.

Tenho apenas dez anos
E já estou a sofrer
As drogas lícitas e ilícitas
Querem me dissolver.

Já me colocaram em um abrigo
Lá, eu não quis ficar.
O abrigo não era minha casa,
Não era meu lugar.

Todos os dias, 
Busca uma família.
Será que alguém
Vai me adotar?

Neste mundo 
De pessoas egocêntricas,
Ter um filho
É empecilho para vadiar.

Se você me encontrar na rua
Não venha me julgar,
Sou apenas fruto deste mundo
Que me deixou sem comida e sem lar.

Se você me chama de pivete,
Trombadinha ou marginal,
É porque nunca esteve lá,
Nas ruas da capital.

Sou um andarilho,
Sem saber onde chegar.
Respeito sua opinião;
Você precisa me respeitar.

Eu tenho história,
Nasci em um ambiente hostil
E poderia ser seu irmão
Nesta terra chamada Brasil.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Crônica política ep.2: O bê-á-bá do caótico trânsito de BH

O Brasil vive a ascensão econômica e, com ela, ascendem-se vários problemas típicos de países ricos. Na década de noventa do século vinte, era comum vermos veículos circularem nas vias públicas com facilidade, devido a pouca retenção que havia no trânsito. Porém, isso mudou. Hoje, o tráfego de veículos tornou-se indesejável aos habitantes das grandes cidades. Nele, é necessário paciência. Parece que a “riqueza” dos brasileiros trouxe consigo um trânsito caótico.

Atualmente, trafegamos nas avenidas das capitais brasileiras e, nelas, passamos dolorosos minutos e, muitas vezes, horas presos no congestionamento. Neste ínterim, percebemos como o brasileiro está individualista, pois observamos que no interior dos veículos há apenas o condutor. Isso mesmo, Nas ruas das grandes cidades há milhares de veículos com milhares de motoristas solitários. Porém, isso não ocorre por acaso. Em Belo Horizonte, por exemplo, este procedimento foi incentivado em uma época em que se proibia a carona.

No final do século vinte e início do vinte um, trabalhei em um shopping que fica na divisa de Belo Horizonte com Nova Lima. Neste tempo, era comum ir e voltar para casa de carona. Todavia, isso foi necessário mudar. A gestora do trânsito de Belo Horizonte implantou uma política de tolerância zero à carona. Câmara de Vereadores e o prefeito da capital mineira incentivaram essa política aprovando e sancionando lei que visava criar motoristas solitários. Carros, com passageiros no banco traseiro, era “proibida” a circulação, devido à suposta prática do transporte clandestino. Isso foi terrível para quem dependia de uma carona de amigo, como era o meu caso. Eu e meus colegas de trabalho éramos obrigados a circularmos com crachás de empresa para provarmos que o motorista não estava praticando transporte irregular. Contudo, isso não bastava aos fiscais do trânsito. Éramos obrigados a declarar que o dono do veículo não nos cobrava pelo transporte, evitando assim a indesejável e pesada multa. Mentíamos. Claro. Não queríamos ser transportados em ônibus coletivos como morcegos pendurados em tetos.

O tempo passou, a frota de veículos leves cresceu e a filosofia implantada capital mineira encontrou muitos adeptos. Hoje, circulando pelas vias da cidade, vejo como a empresa gestora do trânsito de Belo Horizonte foi importante para tornar os motoristas solitários no trânsito. Como prova disso, observo que não há mais motoristas de veículos leves parando perto de pontos de ônibus e oferendo “carona” aos seus vizinhos e conhecidos. Quase todos, que circulam com seus carros nas ruas e avenidas Capital das Gerais, estão apenas acompanhados de um autorrádio. Esses solitários e individualistas colaboram para o aumento do tráfego de veículo e tornam os congestionamentos ainda maiores.

Atualmente, vejo que se faz campanha para evitar a grande circulação de veículos nas grandes cidades. “um dia sem carro” - clamam os defensores do menos caótico. Contudo, isso não resolve o congestionamento que ocorre diariamente nas megalópoles. Outro ponto que ainda não produziu bons frutos é o rodízio de veículos. Ele ajuda, mas não soluciona o problema. Creio que uma das soluções passa pelo incentivo à “carona”, não se importando com a contribuição financeira do passageiro para a manutenção do veículo particular. Essa, sim, reduz o número de veículos nas vias urbanas, pois se um carro leve pode transportar até cinco pessoas, é certo que até quatro veículos não sairão das garagens dos proprietários. No caso de Belo Horizonte, vejo que é necessário revogar a lei que trata este procedimento como inflação de trânsito. É preciso que os gestores públicos não façam de um gesto solidário uma oportunidade de arrecadar fundos para os cofres públicos.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Artigo científico ep.1: A presença do feminismo na obra a carne

Este excerto faz parte de um artigo apresentado na Universidade Federal de Minas Gerais/Faculdade de Letras, na disciplina: Literatura brasileira - Naturalismo e Realismo, sobre a orientação do professor doutor Sergio Peixoto.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.
Introdução
O romance A Carne, de Júlio Ribeiro, o determinismo não se resume somente ao instinto animal inerente ao ser humano, mas também a influência da natureza e do ambiente social em que se encontram as personagens. São esses ambientes que determinam e marcam as personagens principais do romance.

Há estudos acadêmicos que afirmam que a obra A Carne, de Júlio Ribeiro, apresenta personagens influenciadas pelo determinismo inerente ao ser humano através do meio em que elas vivem. Em princípio de análise, observa-se a narrativa contém uma personagem nomeada de Lenita, uma moça de família, que foi criada sobre a tutela do pai, o qual fornece elementos culturais e dogmas cultivados pela família para que a moça tenha uma boa formação sociocultural. Logo, há de se esperar que a jovem já moldada pelos preceitos culturais e religiosos familiares. No entanto, Lenita se torna uma rapariga que subjuga os costumes da época. O narrador apresenta a jovem ao leitor como uma garota que ama a pratica esportes e que domina as áreas da ciência. Isso era algo quase impensável para uma mulher do século XIX, devido as tradições socioculturais e pouca de inserção feminina no mundo do conhecimento científico/acadêmico.

Com base na narrativa que traz características da personagem Lenita, pode-se dizer que essa é uma opositora aos valores tradicionais  e está pré-determinada a romper com os eles. É importante observar também que o pai da garota  não percebe que ele próprio está a preparando para que tenha uma mentalidade distinta de boa parte das mulheres que viveram no século 19. Essa ação paterna indesejada faz surgir um determinante sociocultural que vai fazer com que a adolescente se torne destaque no mundo feminino da época, chocando os conservadores.

O primeiro cultural causado Lenita chegou primeiro à família. Ela informa ao pai que não vai se casar. Isso o assusta, pois, o matrimônio era um dos mandamentos da igreja que ele frequentava. Mas houve um alento, já que o homem relembrou que a castidade era vista como uma virtude moral e um dom divino. Mas a surpresa que a moça preparou para a família não parou nessa ação. Lenita era mesma uma garota distinta das demais da comunidade. Ela estava preparada para enfrenta do dogmas sociais e religiosos como ter filho fora do casamento e se envolveu com um homem divorciado.

A personagem Barbosa é apresentado ao leitor como um homem que não se deu bem no matrimônio, pois, o que o levou a se divorciar de uma francesa. É esse homem que vai se torna o amante/namorido de Lenita. No entanto, a relação de ambos não era tão pública assim. Lenita ia ao encontro de moço simplesmente para obter prazeres lascivos praticamente às escondidas. O fato de ser “caçado” por uma mulher “dissoluta” constrangia o parceiro. Isso era tanto intenso que Barbosa pediu a moça que só fosse ao seu quarto durante a noite. Vê-se que, ao contrário da jovem, o home possuía um moral a se zelar.

Barbosa é descrito na narrativa como um cigano que vive a vagar pelo mundo, um nômade que morou em vários países da Europa. Neste caminhar pelo mundo, teve várias amantes. Nenhum relacionamento foi duradouro. A prova disso é que nem mesmo um casamento com uma francesa, o qual se deu conforme a liturgia religiosa, foi indelével. Nesse contexto de relação amorosa,  pode-se dizer que o seu envolvimento com a Lenita foi um acontecimento quase natural, uma vez que já vivia o determinismo social de troca de mulheres. Além disso, estava determinado que nascera para ser infeliz no amor, que conceito cultural e religioso de que o casamento é "até que a morte separe o casal" não funcionaria para ele.  Logo, a relação com Lenita certamente duraria pouco tempo.  O leitor, que se envolve com trama, fica a esperar que a qualquer momento finde o relacionamento dos dois, já que Barbosa tem pudor em revelar seu relacionamento amoroso com a moça para a comunidade em que viviam. Claro que os bisbilhoteiros de plantão sabiam do relacionamento amoroso "proibido" e comentam nas rodas de conversas.

Como previsto, os encontros concupiscente não durou muito. Mas isso não foi só culpa do homem, pois, a moça usava  seu amásio apenas para saciar o apetite impudico. De acordo com a narrativa, ela precisava apenas de um macho para se satisfação libidinosamente e nada mais: era uma mulher independente da figura masculina, exceto a relação salaz. Ao saciá-la, o homem perde o valor, tornando -se um objeto fútil para a jovem. Foi esse sentimento que a levou ao abandono de Barbosa. Ela moça podia obter suas libertinagem com qualquer ser do ser sexo oposto. Além disso, há uma virada de chave nas relações amorosas do moço: quem sempre abandonou as parceiras, agora é abandonado.

Portanto, o romance A Carne traz para o leitor elementos de típicos de uma nova escola literária em que se pode fazer uma descrição da patologia de suas personagens, perpassando pelo determinismo científico que é uma corrente de pensamento filosófico que defende que todos os acontecimentos são determinados por causas anteriores, assim como seres que podem ser objetos de investigação cientifica em laboratório, sendo que depois da realização dos experimentados cientificamente são descartados. Isto é, o ser um homem é usado como cobaia nos experimentos científicos como se fosse animal irracional, logo, não há diferença entre o homem sapiens e os outros animais. 

Além disso, o narrador apresenta seres humanos sem sentimentos empáticos, que buscam espólios para realizarem seus instintos desejos, como animais a caçar presas para se alimentarem. Há ainda uma mulher que rompe os preceitos da época, que não possui limites ou regras a obedecer, que se alinha aos ideias dos primeiros movimentos feministas do século XIX em busca de liberdade sexual, religiosa e afetiva. Por fim  vemos na narrativa de A carne, a dominação masculina sendo devorada pelo avanço do feminismo e o homem sucumbindo no comando das paixões, deixando-se dominar pelas mulheres e se tornando infeliz, como ocorre com Barbosa que é dominado por Lenita,  usado por ela e abandonado ao lixo, como um objeto descartável.

Polifonia - vozes no texto - exercícios com gabarito

Aborto, não

Certo dia uma jovem bem jovem me disse
Fernanda, estou grávida, e agora?
Suas mãos eram negras e frias
Tremiam, suavam, buscavam as minhas mãos

Ela me revelou que chorava e pensava em aborto
Ela me revelou que chorava e pensava em morte
Ela me revelou que chorava e pensava no cara
Sozinha, chorava

Eu sei como difícil pode ser
A dor de quem não fez por merecer
Eu sei o que é querer e não poder
O que é sonhar com uma criança em meu ventre
Falei do sonho que era conceber
Contei quantos perdi sem merecer
Chorei e implorei em oração
Não mate essa criança inocente
Ela foi escolhida dentro do teu ventre

Eu sou a voz que você nunca ouviu
Mamãe, o beijo que nunca te traiu
Eu sou e quero ser como você
Serei seu maior presente, me deixa nascer, oh
Fernanda Brum / Tadeu Chuff . CD: Cura-me.

Um texto, várias vozes
Um texto é expressão de um locutor, o "dono da voz". Esse locutor, entretanto, pode abrir espaço para outras vozes, às vezes, de maneira clara e explícita (citações diretas e marcadas), às vezes, de maneira implícita, não marcada por sinais de pontuação nem por verbos que introduzem a fala de um "outro". 

A locutora - a cantora que assina a música acima -, é a "dona da voz" e responsável organização do texto, o que equivale a dizer que é ela que abre espaço para que "outros" falem e seleciona quem vai falar e o que vai falar. É ela quem decide a maneira como essa fala será reproduzida.

Questão 1.
Quantas vozes há no texto? Quais são elas? ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Questão 2.
b) O que aconteceu a cantora? ___________________________________________________________________________________
Questão 3.
Com base na leitura da música, marque a alternativa incorreta.
A. Uma adolescente procurou a cantora para falar do drama que vivia.
B. A moça era negra.
C. O pai da criança afastou-se da grávida;
D. a cantora nunca se engravidou.

6 ano - Prova de português

Leia o conto.
Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras. Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher: 
– olha o que a galinha botou. A mulher ficou contente: 
– vamos ficar ricos! 
E a mulher começou a tratar bem da galinha. Todos os dias, ela dava mingau para a galinha. Dava pão-de-ló, dava até sorvete. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse: – prá que este luxo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão-de-ló... muito menos sorvete! Então a mulher. Então a mulher falou: 
– é, mas essa é diferente. Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa. – acaba com isso, mulher. Galinha come é farelo. Aí a mulher disse: 
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim. O marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava ovo de ouro. 

Vai que o marido disse:
– farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim. O marido respondeu. 
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
 
Vai que o marido disse:
– pra que este luxo de dar milho pra galinha? Ela que cate o de-comer no quintal!
– E se ela não botar mais ovos de ouro? A mulher perguntou.
– Bota sim! O marido falou.
E a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.

Um dia a galinha encontrou o portão aberto. Foi embora e não voltou mais. Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão-de-ló.
ROCHA, Ruth. Enquanto o mundo pega fogo. RJ. Nova Fronteira, 1984.
Questão 1.
Quais os principais personagens?
Questão 2.
Onde ocorreu a historia?
Questão 3.
Em que pessoa do discurso está narrado?
Questão 4.
Qual é o tema geral do conto?
Questão 5.
Transcreva, do conto, uma passagem que comprova que a galinha era de grande valor.
Como vivia a galinha na casa do primeiro dono?
Questão 6.
Por que a galinha fugiu?
Questão 7.
Em qual tempo verbal o conto está escrito?
Questão 8.
Transcreva frases do texto em que há uso de vocativo.
Questão 9.
Transcreva frases do texto em que há uso de aposto.
Questão 10.
Cite duas frases em que há advérbio de modo.
Questão 11.
O conto é uma fábula. Transcreva a passagem que comprova isso.

O Miniconto ep.1: valor da honestidade

Conta-se que um profeta reuniu seus discípulos para falar sobre a honestidade. Ele disse:
- Em reino muito distante, um governador autoritário, que se achava acima das leis do estado, ordenou que dezenas de milhares de pessoas fossem empregadas em dezenas de milhares de vaga que seriam ocupadas por dezenas de milhares de cidadãos que pagaram para fazer as provas do concurso, que se dedicaram um longo tempo aos estudos para se preparem para a avaliação e que em seguida foram aprovadas. 

Anos depois, os representantes da justiça decidiram que as vagas ocupadas ilegalmente deveriam ser devolvidas ao poder público, as quais seriam destinadas novamente a ampla concorrência, conforme determinava as leis do país. Todavia, os posseiros que ocupava ilegalmente o cargo público se revoltaram contra os juízes e contra aqueles que defendiam a legalidade. Eles diziam que estavam sendo discriminados e que as pessoas que apoiavam a atitude dos juízes estavam tendo prazer na desgraça alheia. 

Devido aos protestos, as pessoas que apoiavam a constituição do país quase tiveram que se calar. Uma minoria, com um discurso eufórico, tentou calar a maioria. Os amantes da ilegalidade paralisaram o serviço público por um dia; foram às ruas, tumultuaram o trânsito das grandes avenidas e prejudicaram dezenas de milhares de pessoas que estavam trabalhando legalmente, só porque se achavam no direito de reivindicar emprego perdido de forma legal. Agora eu pergunto - continuou o profeta - vocês acham que essas pessoas são honestas?
Responderam um dos discípulos:
- De forma alguma, meu Senhor. Elas são usurpadoras do direito constituído e não respeitam a opinião alheia.
- Na verdade, na verdade, eu vós digo que as pessoas só valorizam a honestidade até o momento que ela não lhes traz prejuízos.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Crônica social ep. 2: 15 de março. Dia do consumidor consciente

Se você é um consumidor que não se deixa ludibriar por empresas que não têm compromisso com os consumidores, 15 de março é o seu dia. Um dia daqueles que defendem seus interesses nos diversos meios possíveis. Um dia daqueles que não se cansam de buscar os seus direitos. É o dia daqueles que enviam e-mail, reclamam em Serviço de Atendimento ao Consumidor, liga para as empresas, buscam ajuda em Procons e, se for preciso, pedem auxílio até à Justiça.

Consumidor consciente não se deixe enganar. Não abre mão dos seus direitos. E se ele não é atendido ou o prazo de garantia do produto já expirou, recorre aos diversos meios para protestar contra um produto defeituoso ou de má qualidade. Consumidor consciente, devolve conjunto de panela de alumínio que chega amassado. Consumidor consciente, devolve uma tv que chega com problemas eletrônicos. Consumidor consciente, exigi a devolução do dinheiro pago por um produto de má qualidade. Consumidor consciente, busca a justiça e faz acordo para que o produto comprado tenha a garantida aumentada em até 5 anos, já que o equipamento foi levado à assistência técnica autorizada no período de garantia por mais de três vezes. Consumidor consciente, envia o produto para assistência técnica, dentro do período de garantia, com coleta paga pela empresa fabricante do mesmo. Consumidor consciente, usa seu direito e troca um produto defeituoso por outro de melhor qualidade, desde que o defeito seja comprovado tecnicamente. Consumidor consciente, mesmo depois de que o prazo de garantia legal tenha sido expirado, não se cala. Ele busca redes sociais, sites de defesa do consumidor, como o Reclameaqui, para denunciar e ajudar os próximos consumidores na escolha de um produto de qualidade.

Se você tem esse perfil, está de parabéns. Você não está sozinho. Nós estamos juntos, brigando pelos direitos do consumidor. Então, este é o nosso dia: 15 de março dia mundial do consumidor.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Crônica política ep.3: Por que devo ser a favor da distribuição de rendas?

Conversando com um professor e colega de trabalho, disse a ele que é necessário os critérios de ajuda a população carente promovida pela governo brasileiro. Ele não gostou dos meu argumentos. Mas, meu querido colega, R. R, eu não abro mão da distribuição de renda. Creio que programas sociais são de fundamental importância para quaisquer países pobres, como o Brasil. O que não dá para aceitar é ver uma parcela de pessoas fazer de um programa social uma renda fixa mensal. É necessário fazer ajuste neste modelo de ajuda aos "miseráveis". Não dá para ver uma mãe reclamar que R$180 Reais de Bolsa Família não é suficiente para comprar uma calça de R$ 300 para dar para uma filha. 

Além disso, meu amigo, eu não concordo até com a forma que é concedido o Seguro Desemprego. No final do Governo FHC, houve um projeto que obrigava os assistidos a comparecerem ao SINE ( Sistema Nacional de emprego) antes de receberem o auxílio. Mas isso ficou no papel. Estou certo de que cada beneficiário que recebe o auxílio passasse por uma entrevista de emprego, uma vez que o Brasil precisa importar haitianos, bolivianos, peruanos para ocuparem vagas no mercado de trabalho que estão ociosas. Além do mais, é necessário ser responsável com o dinheiro público e não ser coniventes com a esperteza e o ócio humano. Ensinar a pescar é isso e dá simplesmente ofertar o peixe frito.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.


Crônica política ep. 5: Corrupção política: a culpa é dos baixos salários

Leio em jornais, na internet, ouço no rádio, assisto a televisão que a corrupção, no meio político, é como um câncer. Para justificar a corrupção política, cheguei à conclusão de que os políticos ganham muito pouco. Para pautar meu raciocínio, levei em consideração a fala de um ex-presidente da Câmara dos Deputados de que a vida política torna o cidadão muito pobre. O político disse ser vítima do baixo salário que recebe, por isso acabou se enveredando para a corrupção.

Para situarmos, informo que o pepista citado foi eleito com 300 votos para a presidência da Câmara dos Deputados no dia 15 de fevereiro de 2005, aproveitando-se de uma fratura no Partido dos Trabalhadores (PT) – então a maior bancada da Câmara, que pela tradição histórica teria o privilégio de eleger o presidente da Casa – e da articulação feita pelos principais partidos de oposição (PSDB e o PFL). Sua permanência no posto mais alto da Câmara durou 218 dias. Sua queda está ligada ao período em ocupou a primeira-secretaria da Casa, entre 2001 e 2002, quando era presidente da instituição A. N. (PSDB). O empresário S. B., dono do restaurante Fiorella, que fica dentro de um dos anexos da Câmara dos Deputados, denunciou que Severino teria começado a cobrar propinas mensais de R$ 10 mil em troca da renovação do contrato do empresário com a Casa. O episódio ficou conhecido como "mensalinho".

Após ser acusado de cobrar propina, o ex-presidente da Câmara abdicou-se do cargo para não ser cassado. Eu me lembro muito bem da despedida dele. Ela foi melancólica. Durante o discurso, diante de colegas presentes no plenário, S. foi taxativo sobre ganhar dinheiro com a política: "Deixo a Câmara como entrei. Não apenas deputado pobre, mas político endividado”. Severino sofreu um empobrecimento ilícito.

O ex-presidente da casa se foi. Mas vieram outros deputados, outros prefeitos, outros governadores, outros vereadores que sofreram e sofrem do empobrecimento ilícito na vida pública eletiva. Por isso, a maioria dos políticos está corroída pela corrupção. Para falar um pouco destes pobres coitados, começarei pelo meu estado, Minas Gerais. A lista de políticos pobres de Minas Gerais, que precisam recorrer ao crime, tem dezenas e centenas de nomes. Citarei apenas os fatos mais propalados pela mídia. Que tal começarmos por aqueles que já ocuparam cargo de governador em Minas? Então vamos lá. Começo com E. A. Esse é acusado de peculato e lavagem de dinheiro por ter supostamente desviado recursos públicos, por meio de empresas de publicidade, para sua campanha à reeleição ao cargo de governador em 1998. Sabe por que? A Culpa é dos baixos salários que recebem os políticos no Brasil.

Outro que precisou de ajuda foi o ex-governador de Minas, A. N. Segundo o Jornal Gazeta do Povo, consta nas prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral que A. recebeu três doações, em 2006, da empresa que construiu um aeroporto em Cláudio, Minas Gerais, totalizando R$ 67 mil. Já na disputa seguinte pelo governo mineiro, a campanha de Anastásia, recebeu doação oficial de R$ 20 mil da construtora. Creio que isso aconteceu porque os políticos sofrem empobrecimento ilícito.

Vamos à Brasília. A Capital Federal é palco dos maiores assaltos ao dinheiro público. Ficar-me-ei com os crimes mais famosos como “O Mensalão do PT. Segundo o Ministério Público, o Mensalão era o esquema de pagamento de propina a parlamentares para que votassem a favor de projetos do governo. É o principal escândalo no primeiro mandato de L. I. L. da Silva (PT). No dia 6 de junho de 2005, o jornal ''Folha de São Paulo'' publicou uma entrevista com o deputado federal R. J. (PTB-RJ), na qual ele revelava a existência do pagamento de propina para parlamentares. Segundo o presidente do PTB, congressistas aliados recebiam o que chamou de um "mensalão" de R$ 30 mil do então tesoureiro do PT, D. S. O esquema teria sido realizado entre 2003 e 2004, segundo relatório final da CPI dos Correios, e durado até o início de 2005. J. afirmou ainda que falou do esquema para o presidente. O STF decidiu pela condenação de 25 dos 38 réus do processo. Mas por que estes políticos precisaram furtar os cofres públicos? A Culpa é dos baixos salários que eles recebem

Vamos a São Paulo. Segundo o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, “há “fortes indícios de existência do esquema de pagamento de propina pela multinacional alemã Siemens a agentes públicos vinculados ao Metrô de São Paulo”. O documento está com o ministro Marco Aurélio Mello, relator do inquérito 3815, que apura os prejuízos com contratos superfaturados, aditivos, pagamento de propinas que podem chegar até a R$ 1 bi causados ao Estado pelo cartel do trensalão no setor de transportes públicos em São (metrô e companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM) entre 1998 e 2008, nos governos tucanos de M. C., G. A. e J. S., todos do PSDB. Por que esses políticos precisam de uma mixaria dessa? A culpa é dos baixos salários que eles recebem

Volto a Minas Gerais. Um helicóptero de um deputado foi retido pela polícia carregado com entorpecentes. O helicóptero do deputado G. P. (SDD), foi apreendido com 445 kg de cocaína em uma fazenda no Espírito Santo. O piloto preso na operação, R. A., era funcionário de confiança de P. e foi indicado por ele para ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa. Por que um político precisa se envolver com o tráfico de drogas? A Culpa é do baixo salário que ele recebe.

O baixo salário dos políticos os leva à corrupção. Leva-os ao crime. Não é por acaso que o deputado mineiro usou a sua aeronave para transportar centenas de quilos de cocaína. Tudo culpa do baixo salário que os políticos recebem. Não é à toa que há deputados, vereadores, prefeitos pagam os seus assessores valores inferiores ao que estes recebem em folha. Se você duvida que isso acontece nas câmaras e assembleias, basta você ir até ao pátio de uma casa legislativa e conversar com motoristas/funcionários dos legisladores. Eu já tive o desprezar de conversar sobre isso até mesmo com um vereador. Ele me disse que isso é praxe da casa e ele não poderia fugir das propinas que eram recolhidas de formas diversas. Foi taxativo ao dizer que se agisse contrário, corria o risco de perder o mandato por meio de calúnias. Não tenho dúvida de que essa corrupção ocorre por culpa dos baixos salários que os políticos recebem.

Você poderá percorrer o Brasil inteiro e verá que a corrupção continua nos gabinetes políticos. Isso é culpa do baixo salário que eles recebem?

Por que será que esse povo precisa tanto de se corromper? O salário que eles ganham não é suficiente? Parece que não. Mas quanto ganha um deputado. Quanto eles recebem de verbas de gabinete para manter seus assessores. São milhares e milhares de reais por mês, mas insuficiente para custear a vida social de um político. De acordo com o Portal da Câmara dos Deputados, a remuneração mensal do deputado federal é de R$ 26.723,13 (Decreto Legislativo 805/10). Segundo o Portal R7, eles ainda recebem verba para custear salários de assessores que chega a R$ 78 mil por mês. Conforme O Globo, o salário de parlamentares no Brasil supera o de países de primeiro mundo. Ainda assim tivemos que ouvir Severino Cavalcante dizer em sua despedida da Câmara que “para pagar as dívidas de campanha, saquei o saldo de minha contribuição para a aposentadoria na Câmara dos Deputados"

Repito. O baixo salário dos políticos os leva à corrupção. Leva-os ao crime. Não é por acaso que um deputado mineiro usou a sua aeronave para transportar centenas de quilos de cocaína. Tudo culpa do baixo salário que eles recebem. Não é à toa que deputados, vereadores, prefeitos pagam os seus assessores valores inferiores àqueles recebidos em folha de pagamento. A culpa será sempre do baixo salário que recebem. E o senador mineiro A. N.? Foi necessário uma empresa fazer uma obra no aeroporto em fazenda de seus parentes em Cláudio, Minas Gerais e doar para sua campanha 60 mil reais. Por que ele precisou dessa mixaria? Culpa do baixo salário que os políticos recebem.

Mas quanto é necessário de remuneração para uma pessoa ser honesta? Bem isso não posso responder. Conheço pessoas de boa índole que recebem um salário mínimo, apenas 700 e poucos reais, mas não se envolvem com a corrupção, com o crime. Dizem que têm um nome a zelar. Afirmam que não querem ser desonra para a família. Não querem andar pela rua e serem qualificadas de ladronas, criminosas. Isso me faz pensar que a honestidade não tem preço. O baixo salário que uma pessoa recebe não a torna apta a corrupção.

Por que os políticos são quase todos corruptos? A culpa é do baixo salário? Certamente não há nada que ver com a remuneração. Chego à conclusão de que a honestidade é parte de um caráter humano. Para ser honesto não é necessário a uma pessoa ganhar muito dinheiro. A honestidade é uma questão de educação. Valores são aprendidos e apreendidos em casa. Ser desonesto não é somente roubar, mas também levantar falso testemunho, conseguir as coisas passando por cima de outras pessoas, fraudar, não ser digno, não ter caráter e enganar. Honestidade e caráter não se compram, vem de berço, mas infelizmente até mesmo pessoas que foram rigorosamente educadas podem vir a desenvolver a desonestidade. 

Vivemos em uma sociedade onde as pessoas utilizam da famosa Lei de Gerson para levar vantagem em tudo. Não se pode negar que os políticos que estão no poder fazem parte do grupo de pessoas que pensam que “achado não é roubado”, “pegar um produto de menor valor de uma empresa não tem importância, pois a firma é rica”, “saquear produtos de veículos acidentados pode, pois os produtos iam estragar mesmo”. São essas pessoas que se tornam políticos. São essas pessoas que elegemos para nos governar e gerenciarem o dinheiro público. São essas pessoas que aprenderam a não considerar desonesto a apropriação de um produto encontrado na rua. São essas pessoas que se acostumaram com pequenos furtos como uma caneta de uma empresa. São essas pessoas que quando se tornam agentes políticos creditam à corrupção a culpa do “baixo salário” que os políticos recebem.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.




Compressor Intech Machine é bom?

Comprei um Compressor de Ar Intech Machine CE 324 2 HP 24 litros em novembro de 2014 no Walmart. Ao ser usado em janeiro de 2015, percebemos que ele esquenta muito e se desliga após menos de cinco minutos e só volta a funcionar após esfriar. Fui solicitar manutenção do produto e vi que a empresa não tem assistência para o produto em Belo Horizonte.  Observação: Vi que o portal da INTECH MACHINE não funciona para envio de reclamação. 

A empresa conseguiu um técnico para realizar a manutenção do produto na cidade de Sabará, Minas Gerais. O produto ficou mais de cinquenta dias no oficina. No entanto, não foi resolvido o problema. o motor está fraco, demorando encher o tanque e continua os mesmos defeitos: após cinco minutos de estar ligado continuamente, o produto desarma e é preciso esperar meia hora para voltar a funcionar.

Registro aqui o meu agradecimento ao profissional Elias, da empresa MG5 Compressores, e à senhoria Mislene, pela atenção e empenho em solucionar o problema. Sei que o problema do produto foge do alcance dessa funcionária de Intech, mas da empresa, não. DIGO AOS CONSUMIDORES QUE NÃO COMPRE ESTE PRODUTO COMPRESSOR INTECH MACHINE, PORQUE É JOGAR DINHEIRO FORA. COMO NÃO TENHO TEMPO DE ACIONAR A JUSTIÇA E EXIGIR A DEVOLUÇÃO DO DINHEIRO, CUJO TEMPO ME CUSTARIA MAIS CARO DO O VALOR DO PRODUTO, FICAREI COM O PREJUIZO.

Gênero crônica esportiva

Exemplo:

Sada Cruzeiro: O melhor time de voleibol que o mundo

Cara, o Sada Cruzeiro está para uma piada dentro de campo. Quando disputa torneios, o time joga mal o primeiro e o segundo set; outrora, o terceiro e quarto set. Isso empolga torcedores adversários, narradores e comentaristas de voleibol, os quais torcem para que a hegemonia do Cruzeiro acabe o quanto breve possível. Durante uma transmissão de voleibol pela televisão, é possível ouvir os seguintes comentários: “Oh, é possível jogar de igual para igual com Sada Cruzeiro”, “Se jogar um pouquinho mais, é possível vencer o Sada Cruzeiro”, “O Sada Cruzeiro não é esse bicho-papão que todo mundo fala”.

Com os jogadores cruzeirenses “sem concentração” no jogo, logo vêm os 20 pontos do time adversário. O time do Sada Cruzeiro passa a perder de 20 a 12, 20 a 15, no primeiro, segundo, terceiro ou quarto set. De forma mágica, o time reage, parecendo que se conectou em 360 volts e vence os sets por 25 a 23, 28 a 26, 30 a 28. Neste momento, torcedores adversários, comentaristas e narradores ficam assustados quanto ao elevado nível de voleibol jogado pelo Sada Cruzeiro.

Em suma, o time do Sada Cruzeiro é uma máquina de jogar voleibol; ainda que isso seja apenas uma metamorfose do substantivo. Quanto joga sério, não importa se o time está a jogar no Riachão ou no campo dos adversários. Quando os jogadores deixam de lado a firula, que eles chamam de “desconcentração”, o time vence facilmente as partidas. Logo, é possível ouvir narradores, torcedores e jogadores adversários dizerem e pensarem: “Este time do Cruzeiro é uma maquina de jogar voleibol”, “Sada Cruzeiro joga demais, porque o time está há muitos anos junto”. Isso é verdade. No entanto, há outras assertivas. Verdadeiramente, não é à-toa que o Sada Cruzeiro é tricampeão sul-americano, bicampeão mundial e da copa do Brasil e tetracampeão brasileiro de voleibol.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Crônica política ep. 4: Receita para transformar um babaca político

Época de eleição é sempre a mesma ladainha: propagandas, promessas, ruas sujas. Isso me irrita, mas a capacidade de escolha dos eleitores  é o que me revolta. Os políticos sabem que a receita para se eleger é simples, pois, os votantes são incompetentes. Veja uma receita que foi usada em Belo Horizonte para vencer uma eleição em apenas uma semana.

Ingredientes
1,2 milhões de eleitores ignorantes;
100 milhões de reais;
1 cheirador de pó;
1 D. Mendonça;
15 minutos de programa político na televisão por uma semana.

Como fazer
Junte todos os ingredientes; engane os analfabetos políticos; combine as ações com a mídia mineira; seja perverso com os adversários, criando falsas notícias de corrupção e escândalos; acrescente bastante pó, muito pó mesmo, até no leito do luxuoso hospital da zona sul de Belo Horizonte; use bem os 15 minutos televisão para enganar os eleitores incompetentes; use sempre o D. Mendonça na produção do material que será entregues aos votantes; coloque panfletadores em cada esquina das ruas da capital; pague a esses, por semana, o que os professores ganham em um mês.

Resultado ação pós-eleição
Alto preço do transporte coletivo;
Falta de médico nos postos de saúde;
Superfaturamento de obras e queda de viadutos;
Baixo salário de médicos, professores, garis, e demais funcionários do baixo escalão;
Falta de equipamentos e materiais básicos nos postos de saúde;
Redução de verbas para creches e escolas municipais, inclusive a merenda;
Propaganda em todas as rádios da cidade para encher os cofres dos radialistas e enganar os analfabetos políticos; arrogância e prepotência do político eleito.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Crônica política ep. 6: não vai ter golpe

Exemplo:
Não vai ter  golpe: estamos de vermelho por isso

Hoje, dia 23 de março de 2016, conversando com petistas "roxos", digo vermelhos, ouvi as seguintes frases: 
- "NÃO VAI TER GOLPE. ESTAMOS DE VERMELHO REPRESENTANDO O POVO BRASILEIRO." 
Após ouvi-las, falei. 
- "vocês estão de vermelho representando a cara da maioria do povo brasileiro, que está vermelha de vergonha". 
No entanto, um continuou: 
- "NÃO VAI TER GOLPE". 
Concluí:
- "Não vai ter golpe até que se esgotem os recursos econômicos do Brasil". 
Não houve mais discurso correligionário. Apenas risos entre os que assistiam ao embate.


Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.


8 ano - prova de português - gênero mito

O mito de Pandora
Em tempos muito, muito longínquos, não existiam mulheres no mundo, apenas homens, que viviam sem envelhecer, sem sofrimento, sem cansaço. Quando chegava a hora de morrerem, faziam-no em paz, como se simplesmente adormecessem.

Mas um dia, Prometeu (cujo nome significa ‘o que pensa antecipadamente’, isto é, Previdente) roubou o fogo a que só os deuses tinham acesso e deu-o aos homens, para que também eles pudessem usufruir desse bem, na defesa contra os animais ferozes, na confecção dos alimentos, na garantia de aquecimento nas noites frias.

Ora, o rei dos deuses não podia deixar passar em branco a afronta de Prometeu e concebeu um castigo terrível para a humanidade.

Mandou então que, com a ajuda de Atena, Hefesto, o deus ferreiro, criasse a primeira mulher, Pandora, que significa (‘todos os dons’), e cada um dos deuses dotou-a com uma das suas características: Afrodite deu-lhe beleza e poder da sedução; Atena fê-la arguta e concedeu-lhe a habilidade dos lavores femininos; mas Hermes deu-lhe a capacidade de mentir e de enganar os outros.

Zeus ofereceu-a então de presente a Epimeteu, que era irmão de Prometeu. O seu nome significava exatamente o contrário do do irmão, pois Epimeteu quer dizer ‘o que pensa depois’, isto é, Irrefletido. E, de facto, sem pensar duas vezes e contrariando a advertência do irmão, que lhe dissera que nunca aceitasse nenhum presente vindo de Zeus, ele deixou-se seduzir pela bela Pandora e casou-se com ela.

Pandora trazia consigo um presente dado pelo pai dos deuses: uma jarra (a’ caixa de Pandora’), bem fechada, que estava proibida de abrir. Mas, roída pela curiosidade, um dia decidiu levantar só um bocadinho da tampa, para ver o que lá se escondia. De imediato dela se escaparam todos os males que até aí os homens não conheciam: a doença, a guerra, a velhice, a mentira, os roubos, o ódio, o ciúme… Assustada com o que fizera, Pandora fechou a jarra tão depressa quanto pôde, colocando-lhe de novo a tampa. Mas era demasiado tarde: todos os males haviam invadido o mundo para castigar os homens. Lá muito no fundo da jarra, restara apenas uma pequena e tímida coisa, que ocupava muito pouco espaço, a esperança. Por isso se diz que ‘a esperança é a última a morrer’. De facto, com todos os males soltos no mundo, lutando e quantas vezes vencendo os bens de que os homens gozavam, só a esperança, bem guardada no mais fundo dos nossos corações, nos dá ânimo para nunca desistirmos de expulsar as coisas más das nossas vidas.

Questão 1.
O que será que os homens fizeram para Zeus castigá-los assim? 
Questão 2.
Há alguma história parecida com essa? 
Questão 3.
O texto mostra uma imagem positiva ou negativa da figura feminina? 
Questão 4.
Que expressões do texto podem justificar a sua resposta? 
Questão 5.
Como você imagina a aparência de cada um desses males libertados por Pandora?
Questão 5.
E se fosse Pandora quem contasse essa história? 
Questão 6.
Como ela contaria sua versão?
Questão 7.
O que levou Pandora a abrir a caixa?
Questão 8.
Quais foram as consequências da abertura da caixa por Pandora?
Questão 9.
Os mitos percorreram tempos e espaços chegando até nós por diversos meios, como séries, filmes, livros, teatro entre outros. 
a)Cite um personagem atual baseado nos deuses mitológicos. Justifique sua resposta.

Questão 10.
Se Pandora não tivesse aberto a caixa, como você acha que seria o mundo atual?
Questão 11.
Quando Pandora abriu a caixa, vários males saíram e o mundo mudou. Dentre estes males, qual você devolveria para dentro da caixa? Justifique sua resposta.


Artigo científico ep.2. O medo abordado na literatura: morte

Este artigo foi apresenta na Universidade Federal de Minas Gerais/Faculdade de Letras na disciplina Literatura Brasileira.
Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Um tema recorrente na linguagem literária é o medo. Nos livros, há medo de doença, de desemprego, de tristeza, de solidão e, na atualidade, devido à agitação da vida moderna, a fobia denominada síndrome do pânico. Na literatura, o medo  mais propalado é da morte. 

A partir do momento em que o indivíduo passa compreender o mundo em que vive, ele se depara com esta mística palavra. “De todos os temas melancólicos, qual, segundo a compreensão universal da humanidade, é o mais melancólico? A morte – foi à resposta evidente. E quando – insistir esse mais melancólico dos temas se torna o mais poético? (POE, p.410). É uma boa pergunta, afinal, este tema é o mais usual na literatura, seja qual for o estilo. Uma ação passiva ao fenômeno poderia qualificá-lo como belo, pois morrer ou relacionar-se intimamente com a morte não possui nada de belo. A citação diz respeito à poética e isso vem de encontro da análise que se fará neste texto. O foco poético será as poesias de Gonçalves Dias, as quais possuem uma relação íntima com o tema, porém tal análise não significará dizer que as obras poéticas do século XIX foram as mais recorrentes à palavra morte, pois ela está circunscrita na antiguidade literária. É possível que tema morte esteja tão íntimo à literatura devido ao ciclo vital: nascer, crescer, reproduzir e morrer.

A morte possui tanto sentido concreto e abstrato; apesar de se ligar mais à melancolia, haverá situações que se aproximará da alegria. Quando ela relaciona a algo que aterroriza a alguém, tal como uma pessoa que não é aceitável a uma comunidade, devido aos atos indecorosos, a morte desta é recebida com alegria. 

É difícil afirmar que o poeta possui relação passiva ou ativa com o tema morte. Se se diz que a relação dele está ligado à beleza; é coerente citar o escritor Poe que diz que “quando ele se alia, mais de perto à beleza, a morte, pois [...] é, inquestionavelmente, o tema mais poético do mundo”.(Poe, A.E. p.410). Somente uma ação passiva ao fenômeno pode qualificá-lo como belo, pois morrer ou se relacionar intimamente com a morte não possui tal característica para a maioria dos seres humanos. Sabendo disso, o poeta, por meio de paradoxo, promove a interatividade entre leitor e texto, pois se utiliza um tema arrepiante como produto poético.

A afirmativa de que a morte é um tema mais poético do mundo é consequência das inúmeras aparições do tema na poesia. Gonçalves Dias faz várias referências à morte em suas poesias. Por exemplo, o poema morte é constituído por uma narrativa que traz um diálogo eu-lírico com a morte. “Vi formada uma beleza, cheia de encanto, de amor” (Dias, s.d.; p.74). Nesse trecho, percebe-se que o terror à morte é substituído por admiração. Cabe a pergunta: como poderia a morte, que ceifa as vidas, ser repleta de amor, de inocência e responsabilidade? Algumas versos, que estão na poesia citada, contêm a resposta para esta pergunta. Veja o que diz a personagem.
[...]
Assim dizia - tu julgas
Que não tenho coração
Que executo meus deveres
Sem pesar, sem aflição?
- Que ainda flor da vida arranco
ao jovem sem compaixão
à donzela pudibunda
Ou ao longevo ancião?
- Oh! Não, que eu sofro martírio.
Do que faço ao mais sofrer
Sofro dor de outros morrem
De que não posso morrer
- Mas em parte a dor me cura
Um pensamento que é meu
Lembro aos humanos que a terra
É só passagem para o céu.

Esse versos podem contêm uma resposta ao questionamento do interlocutor da morte. Por meio deles, podemos perceber uma ruptura poética com o medo, uma vez que o eu-lírico é capaz de entrevistar aquilo que mais assusta aos humanos, a morte. Essa diz ao interlocutor que as inferências que ele faz  faz não são verdadeiras, porque ela não tem prazer na morte dos humanos e desejaria passar pela morte, porém isso não é possível, por isso, se apraz em permitir a passagem dos homens ao céu. Vê-se que nos versos acima, o poeta usa adjetivos que são incomuns à morte, tal como compaixão, tristeza e ações como trabalho, matar sem prazer.

Pode-se verificar que nos verso do poema acima, morte tem a preocupação de mudar o pensamento do homem com relação as ações dela. Através da narrativa, pode-se dizer que o objetivo do poeta é mostrar ao leitor que não há necessidade de temer a morte, pois, ela apenas executa um ofício que lhe é outorgado, uma vez que a vida é transitória. Sua missão é permitir que aos humanos passem da terra para o céu, sendo um favor que ela faz aos terrestres. Nesse sentido, a acusação se inverte: a morte, que era culpada de tirar a vida dos seres terenos, torna-se vítima dessa ação, pois é forçada a realizar tal trabalho, todavia é acusada de cruel.

A morte, para o poeta, é um ser concreto, com qual o homem precisa se relacionar, ou seja, ser capaz de compreende e respeitar a profissão que exerce: matar. Assim, a morte não causará medo ao homem, pois esse sabe que um dia ela virá cumprir oficio designado, que é de enviá-lo ao céu. A narrativa dessa poética é diferente de outras que tratam do mesmo, como as obras de Edgar Alan Poe, pois há um contraste da realidade incutida na mente humana, levando o leitor a um relacionamento diferenciado com a morte, mudando  assim até mesmo a visão que o próprio poeta tem dela:  “Não permita Deus que eu morra, sem que eu volte para lá”. (Dias, s.d: p.22). Nesses versos vê-se que ser retirado da terra antes do momento desejável pelo poeta cause-lhe angústia e repúdio à morte. Nesse caso, o sentimento de perda o impede de aceitar a ação da morte. Para um ser humanos, aceitar o trabalho da morte  não faz sentido, pois, sabe que ela causa tristeza a quem perde um ente querido. Ciente disto, o eu-lírico faz um alerta às mulheres espanholas que permitiram os maridos lutarem contra os nativos das Américas: “seu marido já é morto, noticia dele não soa, pois esta gente guerreira, bastos ceifa a morte à toa”.(-----. p.38). Ele sabe que a morte, para os humanos, é cruel e, por isso, tenta alertar quem ousar enfrentar os nativos americanos, pois a morte lhes é aliada, ceifando à toa - sem motivo, os oponentes dos índios. Se se não teme àqueles, porém a esta jamais deve enfrentar.

Através dos poemas analisados neste texto, pode-se ter uma noção de como o medo da morte foi trabalhado nas poesias do poeta indianista. Pôde-se perceber que o leitor não possui uma relação íntima com ela, uma vez que lhe causa terror. A realidade do imaginário humano é exposta: “não faça isso, senão você morrerá", "não coma isso que pode te matar”. Diferente a esse posicionamento sobre a ação da morte, o texto de Dias contém uma narrativa em que o eu-lírico é "íntimo" à morte. Logo, o poeta, conseguiu inovar em relação à temática, pois, a morte sempre foi repudiada pelos humanos, mas acaba obtendo louvor por meio de um poema, no o qual lhe é permito fazer um desabafo. Numa linguagem adaptada à modernidade tecnológica, diz-se que lhe fora aberto o “microfone” da poesia e que agora pode-se defender das acusações que a foram imputadas a séculos. Pode-se comparar o ato como uma ação de direito de resposta, o qual é a concessão a réplica no jornalismo, ou seja, a morte que sempre foi acusada, na literatura e outros, de praticar ato de crueldade contra humanos, agora, o poeta lhe concede o direito de responder a essa acusação. Essa defesa ocorre de forma ininterrupta, pois, a morte se calara a dezenas de séculos e momento poético se torna único, por isso, ela não deveria ser interrompida pelo interlocutor. Percebe-se que o cenário é construído semelhante à um tribunal, onde cada agente respeita o tempo de fala determinado.

A construção da narrativa do poema é maravilhosa, pois, ao final do discurso da vitima, o eu-lírico a inocenta e transfere a culpa ao homem, uma vez que ela sempre sofreu a dor de praticar a ação de matar, ceifa as vidas, mas isso é necessário, porque permite a passagem dos humanos ao céu. A pergunta final do eu-lírico ao leitor poderia ser: por que ter medo da morte se ela está a serviço dos humanos? Se a morte possui sentimentos e realiza o dever que fora 'outorgado', de simplesmente concluir o ciclo vital do homem, não há necessidade de temê-la, tampouco de acusá-la de ‘sem coração’.

Outro ponto importante na narrativa do poema, é a concessão de beleza à ação da morte, um temática pouca explorada em livros literários. Apesar da morte assustar o mundo real, com esse, ela tem uma relação intimidade, estando presente  tanto linguagem escrita quanto na oral. Logo, o eu-lírico permite que ela se defenda das acusações que são imputadas pelos humanos, um ser que amedronta as pessoas. É coerente dizer que o poema de Gonçalves Dias é forma inovadora de falar da morte. O poeta foge do estereótipos tradicionais que contêm adjetivos pejorativos, assim como apresenta um maneira distinta de lidar com a morte, apresentando o ser humano como corresponsável pela ação da morte. Isso é uma maneira de fazê-lo refletir que, sem a morte, não é possível concretizar o ciclo vital terrestre e se transferir para o céu. Também leva o leitor a refletir sobre as reclamações contra a morte, porque, se aqui na terra, ele culpa a morte pela crueldade e ceifar a vida, no habitar celeste, o Arcanjo do Senhor, a morte, também reclama de tal oficio que lhe fora ofertado, transportar o homem da terra ao céu.

Bibliografia
DIAS, Gonçalves. Obras completas. São Paulo. Editora cultura, 19..
POE, Edgar Allan. Poesia e prosa. Rio de Janeiro. Editora Ediouro, s.d.

Novidade!

8º ano do Ensino Fundamental Língua Portuguesa

  QUESTÃO   1                                                              VALOR: 0,60                       NOTA:_______ Observe os três ...