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6 ano - Prova de português

Leia o conto.
Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras. Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher: 
– olha o que a galinha botou. A mulher ficou contente: 
– vamos ficar ricos! 
E a mulher começou a tratar bem da galinha. Todos os dias, ela dava mingau para a galinha. Dava pão-de-ló, dava até sorvete. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse: – prá que este luxo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão-de-ló... muito menos sorvete! Então a mulher. Então a mulher falou: 
– é, mas essa é diferente. Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa. – acaba com isso, mulher. Galinha come é farelo. Aí a mulher disse: 
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim. O marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava ovo de ouro. 

Vai que o marido disse:
– farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim. O marido respondeu. 
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
 
Vai que o marido disse:
– pra que este luxo de dar milho pra galinha? Ela que cate o de-comer no quintal!
– E se ela não botar mais ovos de ouro? A mulher perguntou.
– Bota sim! O marido falou.
E a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.

Um dia a galinha encontrou o portão aberto. Foi embora e não voltou mais. Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão-de-ló.
ROCHA, Ruth. Enquanto o mundo pega fogo. RJ. Nova Fronteira, 1984.
Questão 1.
Quais os principais personagens?
Questão 2.
Onde ocorreu a historia?
Questão 3.
Em que pessoa do discurso está narrado?
Questão 4.
Qual é o tema geral do conto?
Questão 5.
Transcreva, do conto, uma passagem que comprova que a galinha era de grande valor.
Como vivia a galinha na casa do primeiro dono?
Questão 6.
Por que a galinha fugiu?
Questão 7.
Em qual tempo verbal o conto está escrito?
Questão 8.
Transcreva frases do texto em que há uso de vocativo.
Questão 9.
Transcreva frases do texto em que há uso de aposto.
Questão 10.
Cite duas frases em que há advérbio de modo.
Questão 11.
O conto é uma fábula. Transcreva a passagem que comprova isso.

Miniconto ep. 2: Vida de bombeiro

O Bombeiro é o amigo da Vida, por isso ele sempre está livrá-la dos Perigos que a cercam. Se há um acidente com carros, ali há Bombeiro; se há fogo ameaçando a vida, logo aprece o Bombeiro; se há pessoa a se afogar, imediatamente chega o Bombeiro; se há qualquer ameaça à Vida, é só chamar o Bombeiro.

O Bombeiro e a Vida são parceiros. Essa o mantém vivo para protegê-la das ameaças que a rodeiam. A parceria faz nascer o Super-Bombeiro: o amigo da Vida que luta arriscando a vida para proteger a Vida. O sucesso dessa sociedade pode ser observado na vida de muitas pessoas que passam o resto da vida agradecendo ao Bombeiro por lhes terem preservado a vida.
Por isso o Bombeiro é meu Herói.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

7ºano - prova de português - conto

A orelha de Van Gogh”

Estávamos, como de costume, à beira da ruína. Meu pai, dono de um pequeno armazém, devia a um de seus fornecedores importante quantia. E não tinha como pagar. Mas, se lhe faltava dinheiro, sobrava-lhe imaginação… Era um homem culto, inteligente, além de alegre. Não concluíra os estudos; o destino o confinara no modesto estabelecimento de secos e molhados, onde ele, entre paios e linguiças, resistia bravamente aos embates da existência. 

Os fregueses gostavam deles, entre outras razões porque vendia fiado e não cobrava nunca. Com os fornecedores, porém, a situação era diferente. Esses enérgicos senhores queriam seu dinheiro. O homem a quem meu pai devia, no momento, era conhecido como um credor particularmente implacável. Outro se desesperaria. Outro pensaria em fugir, em se suicidar até. Não meu pai. Otimista como sempre, estava certo de que daria um jeito. Esse homem deve ter seu ponto fraco, dizia, e por aí o pegamos. Perguntando daqui e dali, descobriu algo promissor. O credor, que na aparência era um homem rude e insensível, tinha uma paixão secreta por van Gogh. Sua casa estava cheia de reproduções das obras do grande pintor. E tinha assistido pelo menos uma meia dúzia de vezes o filme de Kirk Douglas sobre  a trágica vida do artista.

Meu pai retirou na biblioteca um livro sobre van Gogh e passou o fim de semana mergulhado na leitura. Ao cair da tarde de domingo, a porta de seu quarto se abriu e ele surgiu, triunfante:
– Achei!
Levou-me para um canto – eu, aos doze anos, era seu confidente e cúmplice – e sussurrou, os olhos brilhando:
– A orelha de van Gogh. A orelha nos salvará.

O que é que vocês estão cochichando aí, perguntou minha mãe, que tinha escassa tolerância para com o que chamava de maluquices do marido. Nada, nada, respondeu meu pai, e para mim, baixinho, depois te explico. 

Depois me explicou. O caso era que o van Gogh, num acesso de loucura, cortara a orelha e a enviara à sua amada. A partir disso meu pai tinha elaborado um plano: procuraria o credor e diria que recebera como herança de seu bisavô, a orelha mumificada do pintor. Ofereceria tal relíquia em troca do perdão da dívida e de um crédito adicional.
– Que dizes?

Minha mãe tinha razão: ele vivia em um outro mundo, um mundo de ilusões. Contudo, o fato de a ideia ser absurda não me parecia o maior problema; afinal, a nossa situação era tão difícil que qualquer coisa deveria ser tentada. A questão, contudo, era outra:
– E a orelha?
– A orelha? – olhou-me espantado, como se aquilo não lhe tivesse ocorrido. Sim, eu disse, a orelha do van Gogh, onde é que se arranja essa coisa. Ah, ele disse, quanto a isso não há problema, a gente consegue uma no necrotério. O servente é meu amigo, faz tudo por mim.

No dia seguinte, saiu cedo. Voltou ao meio-dia, radiante, trazendo consigo um embrulho que desenrolou cuidadosamente. Era um frasco com formol, contendo uma coisa escura, de formato indefinido. A orelha de van Gogh, anunciou, triunfante.

E quem diria que não era? Mas, por via das dúvidas, ele colocou no vidro um rótulo: Van Gogh – orelha.

À tarde, fomos à casa do credor. Esperei fora, enquanto meu pai entrava. Cinco minutos depois voltou, desconcertado, furioso mesmo: o homem não apenas recusara a proposta, como arrebatara o frasco de meu pai e o jogara pela janela.
– Falta de respeito!
Tive de concordar, embora tal desfecho me parecesse até certo ponto inevitável. Fomos caminhando pela rua tranquila, meu pai resmungando sempre: falta de respeito falta de respeito. De repente parou, olhou-me fixo:
– Era a direita ou a esquerda?
– O quê? – perguntei, sem entender.
– A orelha que van Gogh cortou. Era a direita ou a esquerda?
– Não sei – eu disse, já irritado com aquela história. – Foi você quem leu o livro. Você é quem deve saber.
– Mas não sei – disse ele desconsolado. – Confesso que não sei.

Ficamos um instante em silêncio. Uma dúvida me assaltou naquele momento, uma dúvida que eu não ousava formular, porque sabia que a resposta poderia ser o fim da minha infância. Mas:
– E a do vidro? – perguntei. – Era a direita ou a esquerda? Mirou-me, aparvalhado.
– Sabe que não sei? – murmurou numa voz fraca, rouca. – Não sei.

E prosseguimos, rumo à nossa casa. Se a gente olhar bem uma orelha – qualquer orelha, seja ela de van Gogh ou não – verá que seu desenho se assemelha ao de um labirinto. Neste labirinto eu estava perdido. E nunca mais sairia dele.
Moacyr Scliar. In: Pipocas / Moacyr Scliar, Rubem Fonseca, Ana Miranda. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 13-16. Coleção Literatura em minha casa; v.2 Crônica e conto.
Questão 1.
Quem é o autor do conto “A orelha de Van Gogh?

Questão 2.
Quem são os personagens? 

Questão 3.
Como você imagina cada um deles? 

Questão 4.
Percebe-se que o narrador participa dos acontecimentos e os narra como alguém que acompanhou toda a ideia e execução do plano do pai. 
a) Como é evidenciada essa participação? 
b) Retire do texto um trecho que comprova essa afirmativa.  

Questão 4.
O enredo acontece de forma linear ou não linear? Justifique sua resposta. 

Questão 5.
A narrativa se desenvolve em torno de um conflito explícito desde o primeiro parágrafo.
a) Que conflito é esse?
b) O pai tem uma ideia para resolver o problema. Que solução é essa? 
c) O que levou o pai a ter essa ideia? 
d) O plano do pai foi bem-sucedido? Explique. 

Questão 6.
Você conhece o significado da palavra “labirinto”? 

Questão 7.
Releia o último parágrafo. Qual o sentido da palavra labirinto no texto? Explique.

Questão 8.
Examine as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.

I – No início do conto, prevalecem sentimentos positivos do filho em relação ao pai, mas no final o filho decepciona-se com o pai e mostra certa impaciência e inquietude.
II – O narrador conta a história em momento posterior aos acontecimentos. 
III – A história se passa na época de infância do narrador

Noviço contista ep. 2: Um sono assustador

Em uma noite de lua cheia, Flavio estava jantando e logo veio em sua mente: que tal ir em uma casa Assombrada da fazenda. Mandou uma mensagem em um grupo de amigos e perguntou quem iria com ele. Aceitaram a empreitada: Rodrigo e Carlos. Então, Flavio pegou seu carro e foi buscá-los.

Quando chegou à casa de Rodrigo, já sentiu um clima pesado. Ele e Rodrigo entraram ao carro e foram buscar o Carlos.

Quando chegaram à casa de Carlos, todos já estavam com muito medo, mas mesmo assim foram até a casa assombrada.

Quando desceram do carro, viram alguns vultos dentro da casa, mas como já estavam lá, entraram. Logo começaram a escutar barulhos de animais. Flavio falou:
    - Pessoal, fiquem juntos; pode ter algo aqui dentro que não sabemos.
A cada passo que davam, mais barulho fazia; viram um corpo com uma cabeça de cavalo andando, e aconteceu algo que Flavio reparou.
     - RODRIGOO, cadê o Carlos; ele desapareceu; o que vamos fazer agora?
     - Vamos procurar ele; não podemos deixar ele aqui; talvez encontraremos. Vamos, vamos!

Eles retornam ao carro e pegam duas tochas, pois, almejavam acharem a pessoa e não se depararem com a cabeça de cavalo; adentraram à casa novamente e foram a procura de Carlos. Olhavam em todos os cômodos da casa.

Quando já estavam cansados de tanto rodar a casa, eles viram um casaco, o mesmo utilizado por Carlos; pensavam que Carlos poderia estar naquele lugar; acenderam as tochas e foram a procura. Flavio estava a frente; ouve um grito em suas costas e, quando vê, Rodrigo tinha desaparecido. Flavio começou a gritar.
- Carlos, Rodrigo, cadê vocês? Voltem! Se for uma brincadeira, parem agora!
Flavio não escutou mais nada; olhou para trás e para os lados, procurando os amigos. Em sua frente, estava o cabeça de cavalo, que lhe dá um tapa na cara - Acorda!

Flávio observa que nada lhe aconteceu; foi apenas um sono depois do almoço.

Vinicius de Souza Maximiano - Ensino Médio

Miniconto ep. 10: O grande mistério

Num dia chuvoso e escuro, decidi viajar. Estava no meio do nada quando meu carro parou de repente. Fiquei com medo do que podia me acontecer. Avistei uma casa um pouco longe do local onde eu estava e empurrei meu carro até aquela casa grande, velha e toda cercada de mato. 

Bati à porta, e uma velha senhora, de olhar simpático, me atendeu; contei a ela o que havia acontecido, e que não tinha onde dormir; então ela me ofereceu um quarto e um prato de comida.

Fui para o quarto dormir; estava tudo muito quieto. De repente, uma porta bateu com muita força; eu me levantei para ver o que tinha acontecido. Andei pela casa toda e não vi ninguém. Quando voltei para o meu quarto, vi que minha janela estava aberta; fiquei com tanto medo que logo fui dormir.

Pela manhã, acordei e a velhinha estava sentada me olhando. Fiquei assustado com o jeito que ela me olhava. Não consegui entender o que queria comigo, então ela me chamou e falou que já haviam arrumado o meu carro e que eu podia ir embora, mas fiquei pensando: por que ela queria que eu fosse embora com tanta pressa? Imaginei que havia algo que não queria que eu visse. 

Ela me deixou tomando café sozinho e foi para o celeiro. Eu a segui, sem deixá-la me ver. Entrei no celeiro; mas a senhora me pegou de surpresa. Eu vi muitas pessoas mortas naquele lugar. Ela, provavelmente, achou que eu quisesse me meter e, por isso, havia me mandado ir embora. Falou com uma voz muito triste e vingativa que eu tinha que morrer. Então comecei a correr, mas não deu tempo, pois, havia três homens a ajudando. Eles me pegaram.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Miniconto ep. 11: O outro lado da pobreza

Um mendigo caminha tranquilamente pela rua deserta de Belo Horizonte. É manhã de domingo. Ele vai a um mercado tradicional da capital mineira. Quer comprar mortadela para comer com um pão velho que encontrara em um saco de lixo na porta de um hotel luxuoso localizado na Avenida Afonso Pena. Esse mendigo é um morador tradicional da região central da cidade. Ainda está na flor da idade, mas devido os vários anos vividos a perambular pelas ruas de Belo Horizonte o tornara um velho conhecido dos comerciantes dessa região, inclusive da polícia.

O Rapaz chega a um supermercado localizado no mercado central. Ali encontra o Senhor Ferdinando Torricelli, um conhecido comerciante do mercado, e pedi-lhe duzentos gramas de mortadela. Diz ao proprietário do supermercado que está com muita fome e que acha que tal quantidade de alimentação será suficiente para sobreviver mais um dia nas ruas da Capital mineira.

Ferdinando fica surpreso com do discurso do mendigo e lhe pergunta:
- Como assim, Renato?
Ah, Eu me esqueci de lhe dizer que o nome do rapaz é Renato, mas não faz mal; ele é membro de um grupo de pessoas que é ofuscado aos olhos da maioria das pessoas que passam pela região central de Belo Horizonte.
- É que tá difícil de encontrar alimentação nas ruas. As pessoa mistura vários produtos químicos no resto de comida para impedir que a gente pegue a sobra. Coloca detergente, papel higiênico e até soda cástica para impedir nóis de pegar a comida.
- É para seu próprio bem Renato. Já imaginou se você comesse alguma coisa estragada e começasse a passa mal. É por isso que elas fazem isso. Justificou o comerciante a Renato.

Renato paga a mortadela com os níqueis que ganhara de uma bondosa senhora na noite anterior. Ele havia “tomado conta” do carro da Madame Patrícia durante um espetáculo que ocorrera no Palácio das Artes. O moço come o lanche em poucos segundos. A ele, um grama de mortadela é suficiente para lhe a pança. Após matar a fome, despede-se do Torricelli e sai a cantar uma música esquisita, que parecia Funk. Atravessa a Avenida Amazonas e se dirige para a rodoviária, em busca de mais algumas moedas, talvez para garantir o jantar.
Renato tem dezessete anos e ainda é considerado menor. Não tem pai, não tem amigos e não tem irmão. Dorme pelas calçadas, coberto com papelão. Seu travesseiro é o chão frio e outrora úmido, devido às chuvas do verão. Não sabe escrever e tampouco conhece o significado de um asterisco em um vocábulo.

Todas as manhãs, ele se levanta bem cedinho; amarra o cadarço do velho sapato e sai a perambular. Vai a buscar do nada, porque a vida de um mendigo, que vive a perambular pelas ruas, não tem objetivos concretos. O acaso permeia o dia a dia. Ele tem sonhos: ter uma casa, uma companheira, filhos e por que não, estudar. A escola é pública, porém, nem todos têm direito a permanência nela. Isso é o que sempre mastiga Renato em seus pensamentos. Ah, ele pensa e, como pensa!

Passado um tempo, Renato foi informado por um gari que o prefeito da cidade, João Verrudio, havia iniciado um trabalho beneficente cujo objetivo era remover os mendigos do centro da capital. Esse prefeito iria conceder moradias às pessoas como Renato. Tal benefício, fora julgado pelo rapaz como um privilégio a conquistar, pois sabia que as moedas que ganhava nas ruas eram insuficientes para comprar um barracão para esconder da chuva e do frio. Sentiu-se honrado e disse ao gari que o senhor Verrudio não era tal mau como costumar ouvir nas ruas pela boca do povo e acrescentou:
- Dizem que ele viaja muito, que ele ficou ainda mais rico com dinheiro da gente, que ele encarece as obras, para roubar o dinheiro da gente, mas o que importa é que se ele ajuda os pobres, já alguma coisa boa.
- A verdade é que ele tá querendo é se promover a custa do dinheiro nosso. Vai ter eleição no final do ano que vem e ele já tá garantindo os votos para ganhar a eleição - Comentou o gari.
- Cê parece que também gosta de ver os pobres sofrer. O que sei é que eu preciso sair dessa vida e não importa como. Respondeu-lhe o mendigo.

Renato pensou que tendo uma casa e gente para lhe cuidar não iria passar mal. Parecia acreditar que isso acabaria com os seus problemas. Passados alguns meses, Renato recebeu do prefeito uma casa no bairro Itapegi, que fica cerca de quinze minutos do centro da cidade. A casa é geminada. Ela é uma parte do sonho do rapaz.

Na primeira semana que morou na casa, Renato sentiu-se muito solitário e resolveu convidar a Márcia, uma colega de rua, que compartilhava com ele os bons e os maus momentos da vida. É isso que ele dizia sobre a vida de morador de rua. É verdade que ele gosta de ressaltar os maus momentos, porque os bons momentos foram raros ou, quizas, não existiram. Márcia não titubeou: aceitou o convite em ínfimo tempo para pensar.

No primeiro sábado do mês de agosto, houve um almoço na casa do Renato. Não havia muitos convidados, apenas ele, a Márcia e um vizinho. Serviu-se, como parte da refeição, arroz quebradinho, feijão tipo três e lambari, sem espinha. Esse era uma carne especial. A Senhora Márcia ficou parte da manha do sábado transformando o peixe simples, em file de peixe. O vizinho e o Renato se surpreenderam com a habilidade daquela mulher. Ela transformou a carne do peixe em uma suculenta refeita digna de ser servida em banquete para pessoas grã-finas. Ao ouvir o elogio do marido, a Senhora Márcia ficou muito lisonjeada e disse:
- Muito obrigada. Eu acho que tenho dotes culinários. Creio que eles começaram a aflorar hoje. Eu nasci em grupo familiar de classe média. Tive boa alimentação e educação, mas com o advento da morte de meus pais em acidente automobilístico, resolvi deixar tudo e criar um mundo só meu. Foi uma forma de me refugiar da tragédia familiar. Desculpem-me pelo desabafo. A verdade é que não havia revelado isso nem para o Renato. Sempre procurei esconder o meu lado sombrio. Um dia conheci esse moço: homem puro de alma, carinhoso e gentil e ao encontrá-lo deitado debaixo de uma marquise, coberto por um pequeno papelão; vi nos seus olhos algo muito além de um rapaz maltrapilho e imaginei que com ele poderia recomeça minha vida. Aquele lugar é o ponto geodésico da minha vida...
- Assim, meu bem, eu fico sem graça. Interrompeu Renato. Eu não sou tudo isso que ocê fala e não completo nem eu mesmo. Obrigado por suas palavra.
- Tudo que eu disse é a pura verdade, Renato. Completou a Senhora Márcia.

Após a partida do vizinho, Renato retomou o assunto sobre o passado de Márcia: queria conhecer os detalhes da tragédia e, principalmente, a posição social que os pais da Senhora esposa ocupavam. Descobriu que a mãe dela era professora em uma escola particular e que o pai era dono de uma loja de departamentos. Porém Renato não conseguia entender o porquê da Senhora Márcia passar por imensa tragédia psicológica e espiritual. Tinha uma certeza: se a Senhora Márcia teve uma família de posses, era certo de que havia algum resquício dessa riqueza a recuperar.

No dia trinta de novembro fará três cinco anos que o Senhor Renato abandonou a vida de morador de rua. Ele passou por muitas transformações: fez supletivo, em uma escola particular, comprou um carro e cursa uma faculdade. Tudo parece haver mudado. Só não mudou a simplicidade do Senhor Renato, pois carrega na memória as marcas dos longínquos anos vividos nas ruas da capital mineira. Não esquece os manos que dividiam com eles o papelão que servia de cobertor. Não irá esquecer as pessoas gentis que permitiam a ele sobreviver mais um dia nesse mundo comando pelo capitalismo, através das moedas doadas.

Para comemorar cinco anos de reencontro com a verdadeira vida digna dos humanos, o Senhor Renato agendou uma festa. Nela haverá muitas pessoas importantes, incluso dois membros da policia militar, que por três vezes o prendera cometendo pequenos delitos, conforme o comentário de um sargento ao próprio Senhor Renato. A verdade é que o Senhor Renato não acredita nessa balela discursiva do sargento. Rememora os momentos das detenções e percebe que sofreu muito nas mãos desses homens: era tratado como um animal indigno de respeito. Quando olhava para os rostos dos policiais, preferira ser um cãozinho vira-lata, pois assim contaria com admiração da associação dos protetores dos animais. Mas fazer o que? Nasceu humano e assim deveria ser.

Muitos convidados não foram à festa, pois pensaram que o Senhor Renato queria aparecer, mostrar a eles que enriquecera. A verdade é que esse moço não enriquecera, fez uma travessia na vida, levando consigo as marcas da violência social e o bom relacionamento com as poucas pessoas que lhe queriam bem. Na festa, alguns colegas do senhor Renato comentavam, aos bochichos, que os policiais estavam presentes naquele lugar para observar o desenrolar da festividade, pois a polícia não acreditar na recuperação dos delinquentes: uma vez marginal, para sempre se carrega o estigma de marginal. A verdade é que aqueles policiais se tornaram íntimos do Senhor Renato, devidos às várias vezes que o transportara gratuitamente à Seccional Centro, onde o moço passava várias horas explicando ao delegado o motivo dos furtos aos supermercados. O certo é que a fome roía o estômago do rapaz e não havia alternativa que não desembocasse aos furtos de alimentos nas lojas. O dito popular diz que é a ocasião que faz o ladrão, mas no seu caso era a fome que o levava aos delitos. Nessa perspectiva discursiva, o moço convencia ao doutor de que não havia escolha para os moradores de rua: ou furta alimento nas lojas ou morre-se de fome. a verdade é que a morte habitava os dejetos colocados nos lixos, pois os ricos impediam a alimentação dos mendigos ao colocarem produtos tóxicos misturados ao resto de alimento.
A festa transcorreu normalmente. Não houve nenhum incidente que levasse os policiais ao trabalho. Renato, feliz com a presença de alguns colegas, comentou:
- Fico honrado com presença de vocês. Esse é um dia muito importante para mim. Sinto-me o valor que tenho perante a sociedade, valor esse que me acompanhava desde o tempo em que eu vivera nas ruas. Quero lhes dizer que não é o dinheiro que nos torna importante, mas o que realmente somos. O dinheiro apenas nos molda segundo os padrões sociais impostos. O dinheiro nos coloca a máscara social e impede que desçamos do pedestal da arrogância e vejamos os necessitados. Parece que se relacionarmos com os pobres, nos tornamos enfermos pela miséria que os cercam. Mas isso é uma ideia capitalista e antissocial que nos afasta da realidade do mundo. Não podemos ignorar aqueles que precisam de uma mão amiga para vencer na vida. A travessia social não é uma mágica. É um processo que necessita de auxílio. Se o governo auxiliar os menos favorecidos, será possível retirar das ruas todos os sem lares. Se os governos se preocuparam com os necessitados, será possível acabar com boa parte da miséria que ronda as pessoas carentes desse mundo.

Houve silêncio na festa; esperava-se que o Senhor Renato continuasse o seu discurso, mas não houve continuidade, apenas aplausos. Após o discurso, ele levou um convidado, que conhecera na faculdade, para conhecer a casa que fica ao fundo. Ao chegarem ao local, o Senhor Renato chamou ao morador:
- Genival, trouxe aqui o homem que lhe falhei. Ele vai conceder a você um trabalho na câmara de vereadores, pois precisam de porteiro que conheça a informática.
- Pois então Renato; eu sou a pessoa certa. Acabei de fazer um curso de computação e me tornei um especialista em CD-ROM.
- Não é cd-rum, Genival; é CD-ROM, como a pronúncia da palavra Roma. Corrigiu-lhe o Senhor Renato.
- Onde fica o seu gabinete doutor? Perguntou-lhe o Genival?
- É a primeira porta a direita após o senhor entrar pelo rau da câmara. Disse o colega do Senhor Renato.
- Desculpa-me Senhor, mas não é Rau, a pronúncia correta é Rol, do inglês Hall. Falou ao colega o Senhor Renato.

A verdade é que o Senhor Renato não é uma pessoa pedante, mas conhecedor da discriminação pela qual passam as pessoas que não tiveram acesso aos estudos; é natural que ele coloque seu conhecimento a disposição da sociedade. O senhor Renato se sente constrangido ao ouvir uma autoridade pública fazer o uso incorreto da norma culta da língua portuguesa do Brasil. Ele aceita a linguagem coloquial de Genival, mas crê ser insuportável vê-la sendo praticada por uma autoridade pública. O moço pensa que é obrigação dos agentes públicos, que normatizam a língua, usá-la corretamente.

O vereador observou que faltava um basculante na casa de Genival; ao ver jogado ao solo um basculante todo enferrujado e que já esse era usado, disse-lhe ao Genival:
- Amanhã vou estar mandando um novinho para você.
Novamente Senhor Renato o interrompeu e disse-lhe:
- O certo é dizer “vou mandar ou mandarei um novinho para você”; portanto, é desnecessário usar dois verbos e um gerúndio em uma mesma frase; sem contar que o gerundismo é considerado, pelos defensores da norma culta, um erro grave.

A festa foi um sucesso. Tudo terminou em paz. Mas uma coisa se deve destacar, é que todos os convidados, impressionados, voltarem para casa com a ascensão social e erudita do ex-mendigo. Isso é destacável porque eles acompanharam a trajetória social do rapaz. Após muitos comentários sobre o Senhor Renato, concluíram: é possível que as arestas indesejáveis da vida sejam aparadas; é possível contradizer as expectativas, os dados percentuais que premonizam o sucesso e o fracasso social humano e construir uma nova história, ainda que exclusiva de cada indivíduo. A opção pela travessia social é concedida a todos, mas são poucas as pessoas que têm a coragem de enfrentar as trevas e as pedras que há no caminho.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Noviço contista ep. : História estranha, garota!

Uma menina, que se chamava Márcia, morava com a família em uma pequena cidade do sul do Pará. Ela crescia e ficava mais bonita a cada dia. Os anos passavam e passavam... e, finalmente chegara o aniversário tão esperado por essa garota, o aniversário de vinte e um anos de idade. Ele seria importante porque Márcia sempre almejou a emancipação dos pais.

No dia da festa, Márcia estava mais bonita do que nunca. Havia vários convidados e, entre eles, um primo que ela não o via há muitos anos. Esse era um rapaz bonito e formoso, conhecido pelo nome de Marcos. Um homem sonhador e trabalhador. Quando os dois se olharam, parecia que o vento soprava um ao encontro do outro. Foi amor à primeira vista. Mas o que eles não sabiam é que esse amor perpassaria pelo não-consentimento do Coronel João. A festa estava muito animada. Juntos, os dois dançaram a noite inteira.
Conversavam o tempo todo. Não se separaram em nenhum momento da festa. Pareciam velhos namorados.

No dia seguinte, os dois foram passear na praça principal da cidade e assim descobriram que estavam apaixonados. Todos os dias iam a essa praça. O pai de Márcia estava meio desconfiado do relacionamento dos dois jovens e resolveu investigar o casal, sem contar a ninguém.

Em uma sexta-feira, Marcos e Márcia foram caminhar à beira do rio Caliz; e, conversa vai e conversa vêm. De repente Marcos roubou um beijo da Márcia. O Coronel João chegou e os abortou no mesmo instante e mandou que Márcia fosse para a casa. Proibiu o Marcos de sair com a jovem.

Em casa, Márcia insistiu com o pai para que a deixasse namorar o primo. Revoltado com a atitude da filha, o coronel trancou a garota no quarto. Horas depois, a menina saiu pela janela e foi ao encontro do rapaz. Ao vê-la e ouvi-la sobre o que o pai lhe fizera, o rapaz ficara ainda mais apaixonado. Logo pediu a mão da moça em casamento. Ela aceitou o pedido. Foram à igreja e agendaram o dia do casamento, mas não contou nada aos pais. Queriam casar-se e fugir para bem longe da família.

Chegou o dia do casamento e a garota se vestiu com o vestido de noiva que alugara em uma loja próximo à igreja. Era um vestido branco, muito lindo como a noiva. Mas o coronel descobriu que a filha ia se casar às escondidas e foi à igreja no horário marcado para o casamento. Quando chegou ao templo, obrigou a moça desistir do casamento e a pediu que retornasse para casa. Márcia, revoltada com a atitude do pai, desceu correndo pelas escadarias da igreja e chegou a uma movimentada avenida da cidade, local próximo a sua casa. De repente, um carro apareceu em alta velocidade e atropelou a jovem. A moça foi socorrida, mas morreu antes de chegar ao hospital. Seu pai, ao saber da tragédia, sentiu-se culpado e o noivo, ao tomar conhecimento do que ocorrera à Márcia, não suportou a angustia da perda, correu até o local da tragédia e se suicidou, no mesmo lugar em morrera a noiva.

O coronel sofreu por muitos anos o peso da culpa pela morte da filha. Diz, a vizinhança, que até hoje o espírito de Márcia e de Marcos assombram a casa do Coronel. Pessoas que passam por aquele local
afirmam que é possível ouvir os noivos gritando:
—Coronel, eu vim te buscar!!!!!!!!!!!

Jéssica Maiara da Cruz – 8ª série.

Noviço contista ep. : Raquel, menina de sorte

Raquel era uma menina estudiosa, simpática e feliz. Ela era muito animada e extrovertida. Aos treze anos de idade já imaginava a sua festa de quinze anos. Tinha o desejo de que a festa fosse um marco na sua adolescência e por isso iria convidar muitos colegas da escola e da comunidade em que morava. No dia da festa haveria muita música e ela ganharia muitos presentes. Imaginava. Á meia noite, ela dançaria uma valsa com um convidado especial. Havia um probleminha: os pais de Raquel não tinham dinheiro para realizar o sonho dela.

Quando faltavam duas semanas para o aniversário de quinze anos, Raquel descobriu que havia a impossibilidade da festa. Isso a deixou muito triste e mal-humorada. Essas características afloraram ao rosto da garota a ponto das colegas, da comunidade, descobrirem que os pais de Raquel não tinham condições financeiras para promoverem a festa. Assim, as colegas tiveram uma ideia: fazer uma festa surpresa para a amiga. Então começaram os preparativos para tal festa. Elas começaram a arrecadar dinheiro para realizar o sonho da Raquel. Saíram pelas ruas a pedir ajuda à comunidade. Diziam que fariam uma festa conforme o
desejo da amiga.

Os preparativos ocorreram conforme o esperado; então chegou o dia da festa. As colegas de Raquel já não suportavam mais a ansiedade de ver no rosto da amiga se transbordando de alegria e desaparecerem, de usa só vez, a tristeza e o mau humor. O dia estava perfeito. A noite estava maravilhosa, essa parecia que tinha se

Às oito horas da noite, Raquel chegou à casa muito cabisbaixa. Observou que tudo está muito calmo. Parecia que seus pais dormiram mais cedo do que o normal e se esqueceram de que aquele dia era o dia do seu aniversário. Ao tocar a campainha; acenderam-se as luzes; fogos de artifícios começaram a explodirem e muito barulho ouviu-se dentro e fora da casa. As amigas de Raquel haviam preparado uma linda festa.

Ao adentar ao portão, a garota ficou imóvel, assustada e sem palavras. Havia recebido das amigas uma festa conforme o seu sonho. Percebeu que era uma garota de sorte, pois tinha ao seu lado pessoas que realmente se importavam com os sentimentos dos outros e que não mediram esforços para realizarem um sonho que nem era seus. A homenagem marcou a Raquel para sempre e, segundo ela, nunca mais ouviu falar de um aniversário de quinze anos tão emocionante quanto fora o seu.

Gislaine Pereira da Silva - 8ª série.

Noviço contista ep. : O vício

 Esta é uma história difícil de acreditar. Para muitos, um nascimento é igual a outro qualquer, mas não, cada vida tem um começo e um fim, assim como uma história. Um menino nasceu para a felicidade da família Silva, moradores da periferia de Belo Horizonte – a verdade é que eles moram em Justinópolis, Ribeirão das Neves, mas não aceita esse endereço e falam que moram em Belo Horizonte. Eles são de classe baixa, ou seja, pobres. Após o nascimento desse menino, que o nomearam por Wesley Dias da Silva, e todos ficaram mais felizes e encantados com a  beleza dele. Porém, a felicidade da família durou poucos anos. Enquanto curtiam a criança, os pais dele não imaginavam o que os deuses reservavam para eles. Não imaginavam o sofrimento pelo qual iriam passar.

Aos quatorze anos, Wesley começou a usar drogas. Eram drogas lícitas, na verdade, mas não deixavam de serem drogas. Os pais descobriram que o adolescente usava cigarro e bebia muita cerveja. Para os vizinhos da família Silva, isso não era novidade, pois há muito tempo eles haviam observado que o garoto era um frequentador assíduo de um bar próximo à escola onde ele estudava. Quando se trata de drogas, a família sempre é a ultima a saber. A descoberta foi como uma surpresa. A noticia de que Wesley praticava o uso de drogas os deixou tristes, uma vez que o garoto não era um menino rebelde e nem dava trabalho a ninguém.

O tempo passou. Wesley casou-se com Anne Valter. Ela não se importava com o vício do marido, porém Wesley tinha consciência de que já não tinha a mesma saúde dos anos atrás. Ele resolveu buscar auxílio de um medico, pois temia que estivesse com alguma enfermidade incurável, uma vez que os problemas de saúde só pioravam. Assim começou a temer a morte.

Passaram-se uns meses e para a felicidade e tristeza de Wesley recebera duas notícias: uma dizia que a mulher estava grávida e que aos vinte e quatros anos de idade ele seria pai pela primeira vez. A segunda veio por intermédio do médico. Esse lhe informou que estava com câncer na laringe e tinha poucos anos de vida.  A esta altura dos acontecimentos, o correto seria afirmar que o rapaz parou de fumar, mas contrariando as expectativas, ele continuou a alimentar o vício.

Passaram-se mais alguns meses e nascera o filho de Wesley. Ele recebeu o nome de Wesley Junior. Porém a alegria maior é que Wesley, o pai, continuou a vencer os desafios impostos pela morte. Porém, no dia  vinte e quatro de dezembro de mil e novecentos e noventa e três, aos trinta anos, o rapaz sofre a pior crise relacionada a doença e é levado ao hospital. O estranho é que os vizinhos imaginavam que ele havia se curado, pois estava com boa aparência, forte e bonito, isso fazia com que as pessoas pensassem que o rapaz havia vencido o câncer. A esposa de Wesley permaneceu ao seu lado todo o tempo em que estava internado. Ela não perdia a esperança de que o seu marido recuperasse a saúde. O Juninho, filho do Wesley, também acompanhou o tratamento do pai. Ele já estava com nove anos e sofria, junto com a mãe, vendo a debilidade da saúde do pai.

Passaram-se mais três anos e o estado de saúde de Wesley parecia alterar para melhor. Já se falava em retorná-lo a casa quando houve uma mudança radical no seu estado de saúde. Ele emagreceu subitamente e no lugar da cabeleireira restaram, apenas, algumas mechas de cabelo, o que mostrava a todos que a saúde do moço estava no fim. Por incrível que pareça, ele continuou a fumar. O vício o sufocava. Naquele estado desesperador, ele teve uma ideia: pediu a equipe médica para chamar a televisão, para que ele pudesse fazer um apelo aos jovens; desejava que eles não prosseguissem o caminho que ele trilhara. No seu leito de morte, conseguiu gravar um apelo. Nesse, pedia ao povo que observassem o seu estado físico. Clamava aos jovens que não se deixassem levar pelas alegrias de usar de qualquer tipo de droga, pois essa alegria é momentânea e é causada pelo efeito da droga. Mesmo que o vício fosse por drogas lícitas, o resultado é sempre a doença e a morte.

Passaram-se três dias. Às sete horas da noite de uma sexta feira, treze de setembro, Wesley dá seu último suspiro. Ele fecha os olhos e morre. Assim, o rapaz entra para a história como uma das personagens que se deixaram levar à morte pelo vício do cigarro.

Leonardo Nunes Camargos – 8ª Série.

Noviço contista ep. :A raposa

 Era uma vez eu. Alguém já me conhece? Eu sou uma raposa e me chamo Léo. Posso dizer que sou o melhor, pois é isso que todos dizem de mim: que sou esperto, rápido, muito ágil. A verdade é que eu gosto de correr no quintal da fazenda, o qual é muito grande e tem muitas árvores frutíferas, como macieira, figueira, limoeiros, etc. Porém há um probleminha: todos os moradores da fazenda dizem que eu sou esquisito, pois sou uma raposa de pele marrom e as outras têm a pele bege. Minha dona se chama Paula e é muito legal, pois me trata como se eu fosse filho dela. Paula cuida de mim desde os meus primeiros vinte e um dias de vida. De vez em quando, ela conta como me encontrou. Disse que foi assim: era sete de setembro de 2001. Ela estava fazendo sua caminhada de sempre para colher verduras no outro lado rural da cidade. E andava tranquilamente com sua cesta nas mãos quando ouviu um choro e pensou que o barulho fosse de um bebê. 

A senhora saiu correndo em minha direção e quando chegou perto de mim teve uma surpresa: descobriu que eu era uma raposa e não uma criança. Ela me contou que eu estava com a pata esquerda muito machucada e que parecia que eu havia escapado de uma armadilha ou havia sido resgatado por alguém de uma arapuca e abandonado naquele local. O certo é que eu já não mais me lembro de como foi que eu fui parar naquele lugar todo machucado. O certo é que alguém me deixou todo machucado no meio daquele mato e ela me resgatou, levando-me para sua casa.

Hoje eu estou com dez anos e me lembro de quando eu ainda era pequeno e praticava muitas travessuras. Uma vez eu saí no meio da madrugada e fui andando...andando... até que me perdi. Fiquei três dias e três noites perdido na cidade. A Senhora Paula procurou... procurou e me encontrou andando pelas ruas da cidade completamente atordoado. Ela me jogou um laço no pescoço e me levou para casa, novamente. Devido isso, eu aprendi a lição e desde aquele dia eu nunca mais aprontei.

Esta é minha história, crianças. 

João Victor dos Reis Martins – 9º ano.

Noviço contista ep. : Quase Iguais

Era uma vez um gato chamado Amor e um sapo chamado Doddy, os quais um dia encontraram. Amor estava miando e Doddy resolveu ajudá-lo falando:

- Por que mia gatinho?
- Eu estou com muito frio e muita fome.
- Vamos para minha casa, meu amigo, para a gente se conhecer melhor.
- Então, vamos!

Chegando à casa do Doddy, este perguntou ao gatinho:

- De onde você é?
- Da cidade. De uma casa grande. Mas eu estava andando por aí e me perdi.
- Qual é seu nome verdadeiro, meu camarada?
- Meu nome é Amor e o seu?
- O meu é Doddy.
- Você mora sozinho?
- Sim. Eu moro e você?
- Eu também morava sozinho no porão de uma casa. Agora, eu estou perdido e não sei como retornar.
 - Se for assim, poderá morar comigo.
- Posso mesmo?
- Claro que sim. Amigo é para estas coisas.

E eles viveram felizes para sempre.

                                                                    Ana Maria Diniz Costa –  9º ano.


Noviço contista ep. : Uma família estranha

 Há muitos e muitos anos, havia uma família que era muito estranha. Essa família era composta por treze pessoas: nove filhos, o pai e mãe e dois primos. A casa era enorme, pois ali morava uma grande família que cresceu ainda mais com a chegada dos dois primos, pois seus pais haviam morrido em um acidente automobilístico; com isso houve a adoção das crianças pelos tios. Todas as sextas-feiras a noites eles se reuniam em volta de uma fogueira e ficavam ali até altas horas, contando histórias de terror.

Eram muito animados: tocavam instrumentos, cantavam e contavam histórias. Eram muito felizes. As histórias pareciam tão reais que eles entravam na casa amedrontados, pois isso as crianças dormiam em um mesmo quarto. Porém, mesmo assim, na alta madrugada aparecia algo para assombrá-las. Quem mais sofria com as perturbações noturnas era a coitada da Maria Júlia, a filha do meio da família. Numa noite de sexta-feira, dia treze do mês, na alta madrugada, ouviu-se um grito:

—Socorro! Ave Maria! Cruz credo! Ai, ai, ai! Creio em Deus pai...

Todos acordaram com aquela gritaria sem fim. Aquele terror acordara até os vizinhos, que correram para ver o que se passava naquela casa. A verdade é que todos os vizinhos achavam aquela família muito esquisita: reunir toda sexta-feira para contar história de terror era algo muito incomum às pessoas normais.

—O que foi Maria? O que foi agora? Perguntou alguém.
— Eu vi um clarão muito forte e esse clarão entrou no meu quarto. Eu acho que era um disco voador e ele veio me buscar.
—Ai meu Deus! Ave Maria! Falou o João, o filho mais velho.
— Será que era mesmo? Perguntou uma vizinha que entrara na conversa.
Continuou:
—Deve ser mesmo. É esquisito igual à ocês ê, deve ser do outro mundo. Vão bora daqui meu fio. Vão sair dessa casa, antes que esse povo pega nóis.
Então um primo de Maria, o adotivo da família, disse:
—Eu acho que é meu pai e minha mãe que veio buscar eu e meu irmão.

O pavor tomou conta da casa e muitos se ajoelharam e começaram a rezar em voz alta:
—Ave Maria! Cruz credo! Creio em Deus pai...
E fazendo o sinal da cruz, os pais dos meninos pareciam não entender nada. Também era desejo das crianças que o assunto não repercutisse aos ouvidos dos pais, pois temiam que eles os proibissem de frequentar fogueira e de ouvirem histórias de terror.

Os dias se passaram e a reunião junto à fogueira prosseguiu durante todo o inverno. Ouviram histórias e mais histórias de terror, que eram contadas até próximo à meia noite. A essa altura as crianças estavam exaustas de sono. Em uma madrugada, Maria acorda todos da casa com a mesma gritaria:

—Socorro! Cruz credo, credo em cruz! Creio em Deus pai...
Os primos foram os primeiros a chegar junto a Maria. Então um deles disse:
—Agora eu vi; é o meu pai e a minha mãe.

Então a maioria das crianças cobria a cabeça e gritava muito e, mesmo com as cabeças cobertas perceberam que um casal aproximava deles. O clarão ficou mais intenso.
—Credo em cruz! Sai Capeta! - Disse o João.
—Não é Capeta, são meus pais. - Disse um dos meninos adotivos.
—Desculpa-me Carlinho. Sai assombração! - Continuou o João.
—Mas não é assombração, são nossos pais. - Alertou o menino.
—Mas eles já morreram, então são fantasmas. - Replicou João.

Em um átimo de tempo, uma mão tocou a Maria e ela desmaiou. Então ouviram e reconheceram uma voz que dizia bem alto:
— Carma meninos. Sou eu, seus bobos. Sou a mãe d’ocês uai; toda a noite eu venho ver se ocês tá bein, cambada de bobos.

Aquela mulher passou algo no nariz de Maria, mas a menina não acordou do susto. Passando-se algumas horas e nada de Maria retornar a si. Carlinho começou a chorar e dizer bem alto:
— Minha mãe levou a pessoa errada. Ela veio me buscar e levou a pobre Maria.
Dona Antônia, sua tia, disse:
— Vira sua boca pro mato, menino; Maria não morreu não e, alma de outro mundo não volta aqui não. Tudo que ocês viram, gente, era eu.

Antônia e seu Marido pegaram a Maria Julia e levaram para o rio, para jogá-la na água fria. Foi só assim que a menina conseguiu despertar depois do susto. Mas acordou gritando:
—Socorro! É uma assombração! Socorro!!!! Socorro!!!!!!!!

A mãe deu-lhe um tapa na cara para que saísse do susto. Então Maria Júlia começou a chorar e Dona Antônia resolveu contar a todos o que havia acontecido. Seus filhos começaram a interrogá-la:
—E aquele Clarão que a gente viu? - Perguntou o Pedro.
—E a mão que passou na cabeça de Maria? - Perguntou o Rafael.
—E os passos que a gente ouviu? - Perguntou a Gina.
Calmamente respondeu Dona Antônia:
—Se ocês deixar, eu posso explicar tudo.

Então Dona Antônia explicou tudo para eles. Assim aquelas crianças conseguiram entender que tudo não passou de um simples engano. O clarão era a vela acesa na mão de dela; a mão na cabeça de Maria era o carinho da mão de Dona Antônia e os passos que eles ouviam no quarto era ela que entrava no quarto para observar as crianças. Todos riram muito e aquele acontecimento virou uma história que era rememorada todas as sextas-feiras de inverno, junto à fogueira, por muitos anos e com muitas gargalhadas.

Jéssica Kelly – 8ª Série.

Noviço contista ep. : História para uma vida

 Um garoto nasceu após oito meses de gestação. Sua família morava em uma cidade do interior de Minas gerais. Era um menino muito frágil e teve que lutar para viver. Seu nome é Cristofen Walken, mas se tornou conhecido da comunidade em que vive pelo cognome de Cris. Sua família não era rica, mas também não era pobre. O pai de Cris morreu em um acidente de carro. Na época do acidente, Cris tinha apenas cinco anos. 


Após a morte do marido, a mãe do garoto, dona Isabel, resolveu mudar de cidade. O objetivo dela era tentar afastar do local em perdera um parte de sua vida, o marido. Dona Isabel vendeu o gado e a pequena fazenda e partira para a capital mineira. Levou consigo o sonho de estudar o filho e fazê-lo crescer na vida na cidade grande. O recurso financeiro que levara consigo não fora suficiente para implementar o sonho. Ao chegarem a Belo Horizonte, tiveram que morar em uma favela. A vida de dona Isabel piorara ao descobrir que havia uma doença em seu coração. Um médico da Santa Casa diagnosticou que era a doença de Chagas. Assim, não ela poderia mais trabalhar devido à doença.

Cris, já com onze anos, decidiu ajudar a mãe. Todos os dias ele saia bem cedo de casa para vender chup-chup na rua. Nesse ínterim conheceu um moço pelo cognome de Vaguinho, esse era o gerente da
boca de fumo da favela. O moço propôs ao Cris um emprego. O garoto ficou receoso, mas aceitou a proposta de trabalho. Porém havia uma condição imposta pelo garoto ao traficante: que o Vaguinho permitisse o concedesse o direito a estudar pela manhã. O gerente aceitou a condição de trabalho do menino.

No dia seguinte à negociação, o Cris começou a distribuir as drogas na favela para o traficante. O garoto levava-as de um lugar a outro em uma sacolinha.

Certo dia, um policial parou o menino e lhe perguntou:
— O que você leva nessa sacola moleque?
Tremendo, devido ao medo da polícia, Cris respondeu-lhe:
— Remédios para minha mãe.
O policial não acreditou no garoto e lhe disse:
— Quero ver o que tem aí dentro.
O policial abriu a sacola, viu a droga e levou o Cris para a delegacia. Como não havia telefone na casa do garoto, os policiais não quiseram entrar na favela para informar a dona Isabel da prisão do menino, pois sabia que o local era muito perigoso. Então o garoto foi entregue ao juizado de menores, sem nenhum comunicado à família.

Devido ao desaparecimento do menino, dona Isabel ficou desesperada. Passou-se um ano e não houve nenhuma notícia do garoto à mãe. Ela pensava que os traficantes haviam matado o Cristofen.

Passaram-se seis anos e o garoto foi liberado do reformatório. Ao chegar à favela descobriu que sua mãe havia morrido. Ficou muito triste com a notícia. Quando saiu do reformatório, o garoto havia concluído o segundo grau, por isso estava habilitado a encarar uma faculdade, por conhecia a sua capacidade intelectual. Ele passou no vestibular, conseguiu uma bolsa de estudos e foi contratado por uma pequena empresa para trabalhar meio horário. A empresa começou a crescer e o rapaz crescia junto a ela.

Anos depois, o rapaz se formou. No primeiro momento comprou uma casa e abandonou, de uma vez por toda, a casa que herdara da mãe na favela. Após mais alguns anos, ele fez pós-graduação em administração de empresa. Neste período de estudo, Cris passou dois anos na Europa fazendo um intercambio financiado pela empresa. Na faculdade européia em que estudou, Cris conheceu uma colega de sala por nome de Júlia. Ao voltarem ao Brasil, casaram-se e tiveram duas filhas.

Passaram-se mais uns anos; então, Cristofen e Júlia montaram uma empresa do ramo de eletrônicos. A empresa cresceu e fora expandida para fora do Brasil. Eles criaram uma filial em Lisboa, Portugal. Devido
ao sucesso da empresa na Europa, o casou foi obrigado a se mudar para Portugal com os filhos. De lá, administrava a matriz no Brasil. Essa era o retrato que fazia o Cristofen rememorar a infância e a juventude e
acreditar que tudo é possível ao ser humano. Ele sabia que se tornara parte de uma minoria que consegue sucesso financeiro na vida, após romper a barreira da pobreza e, assim se orgulhosa da sua ousadia.

Thales Batista Rodrigues – 8ª série.

Noviço contista ep. : O menino que sabia ouvir tudo

Era domingo, mamãe e papai conversavam na sala de jantar sobre mim. Diziam que eu estava crescendo rapidamente e que era preciso tomar algumas providências ao meu respeito tais como conversar sobre sexo, namoro e, principalmente, sobre DST – doença sexualmente transmissível.

Eu fique no meu quarto a escutar a conversa. Fiquei pensando em tudo o que aquilo que meus pais conversavam. Fiquei muitas noites pensando sobre o que eles queriam conversar comigo. Eu não gostava de tocar neste assunto, pois ficava todo embaraçado. Mas era necessário saber sobre tais doenças que a vida traz para as pessoas que não se previnem.

Dias depois, meus pais foram ao meu quarto e me disseram que queriam conversar comigo. Eu, com uma expressão de assustado, falei com eles que poderiam me falar o que quisessem. Eles começaram a falar sobre AIDS. Falaram o que ela é e quais são os perigos; o que ela faz com a pessoa e muitas outras coisas. Eles também falaram muito. Eu, todo embaraçado, fiquei um pouquinho a escutar os meus pais. Eu sabia que er vergonhoso ouvi-los, mas era necessário ter conhecimento sobre isso.
Luiz Fernando Martins Freitas. Ensino Fundamental

Noviço contista ep. : Ensinando-me a crescer

Era domingo, mamãe e papai conversavam na sala de jantar sobre mim. Diziam que eu estava crescendo rapidamente e que era preciso tomar algumas providências ao meu respeito tais como conversar sobre sexo, namoro e, principalmente, sobre DST – doença sexualmente transmissível. Eu fique no meu quarto a escutar a conversa.

Papai Gilberto falou com mamãe que estava preocupado, pois eu não ia demorar a começar a namorar. Ele disse que não estava gostando de eu crescer tão depressa. Eu o escutei falando que era para minha mãe conversar comigo sobre menstruarão, pois eu estava crescendo e, a qualquer hora, virava mocinha.

No outro dia, eles me falaram sobre doença sexualmente transmissível e que quando eu fosse ter minha primeira relação, eu deveria saber me prevenir para não pegar doenças e nem me engravidar. Se isso acontecesse, eu não poderia curtir minha vida. Eles também falaram sobre quem eu devo namorar e até onde eu posso deixar rolar. Minha mãe falou sobre que quando eu me menstruar é para eu não ficar com vergonha, pois eu estou me tornando moça.

Isso é tudo que eu ouvir. Papai e mamãe falaram comigo sobre o que eu precisava ouvir. Foi uma lição de vida. O conselho que dou a você é que escute o seus pais.

Thayná Martins Nunes Leal. Ensino Fundamental

Noviço contista ep. : Nos braços da mamãe

Isabel era uma garota muito triste por não ter a mãe. O pai dela não lhe dava a atenção devida, pois passava o dia a trabalhar fora. Ela só tinha como companheira a irmã Jennifer, mas essa era muito nova para entender as coisas que passavam no intimo da irmã.

Um dia Isabel resolveu contar a Jennifer tudo o que acontecera a sua mãe. Então disse Isabel à Irmã:
— Jennifer, minha Irmãzinha, nossa mãe era uma pessoa muito apegada a nós. Ela acordava pela manhã e me dava um beijo; depois lhe pega no colo e começava a cantar lindas canções, sobre as quais dizia haver aprendido com nossa avó. Acordava o papai dizendo que já estava atrasado para ir trabalhar e que o café já estava pronto a esperá-lo na mesa. A mamãe era muito doce em tudo o que fazia. Era uma pessoa sempre alegre por ter uma família completa e que vivia em paz, era isso que ela costumava nos dizer. Todos os dias, ela nos levava para passear em um parque ou na casa da vovó. Escute-me, você ainda era bebê, mas quando mamãe lhe colocava no colo da vovó, você se tornava a criança mais feliz do mundo. 

Mamãe era muito cuidadosa com o lar e conosco. Ela levantava cedo e arrumava tudo pela manhã e logo fazia o almoço, para que sobrasse tempo para brincar conosco. Como era gostoso! Ela nos alegrava o dia inteiro. O sorriso da mamãe era lindo. Eu acho que nunca vou me esquecer como ela sorria ao ouvir-me dizer que a amava. Ela me abraça forte de tão contente e me dizia que também me amava muito. Antes de dormir, ela sempre lia lindos livros de contos de fadas para mim e repetia quantas vezes eu pedisse; depois, ela me carregava no colo e começava a cantar, porque eu só dormia com o som de sua bela e suave voz. Ela cantava uma canção que ninguém conseguirá cantar igual.
—Como era essa canção? Interrompeu minha irmã.
— Não me lembro bem; só lembro de um trecho que ela cantava que dizia assim “...durma, durma tranquilo meu bem, porque quando acordar eu estarei alegre também. E, se pela manhã você não me encontrar, volte a dormir, pois em seus sonhos sei que vou estar...”. 

Eu, deitada em minha cama, ouvia mamãe cantando e logo meu sono chegava devagar, devagar e, eu sentia um beijo na testa; ela arrumava o cobertor sobre mim, para que eu pudesse dormir sozinha, mas bem aquecida pelas lembranças e sonhos do dia anterior. Um dia eu acordei e senti que mãe me carregava no colo. Ela deu-me um abraço forte e me encheu de beijos; em seguida, ela carregou você ao colo e lhe disse que amava; abraçou-lhe bem forte e, não entendi o porquê, ela começou a chorar e, chorava muito, chorava sem parar. Depois se sentou na minha cama com você ao colo; colocou-lhe em meus braços e chorando disse-me: “ estou deixando sua irmã em seus braços; nunca, em hipóteses alguma, largue sua irmã. Cuide bem dela e sempre dê-lhe carinho, amor e atenção.” Depois disso, ela saiu do quarto abraçou o papai e deu-lhe um beijo. Meu pai parecia não entender o que estava acontecendo.
—E depois, o que a mamãe fez? Perguntou-me Jennifer.
— Ela saiu pela porta da sala, pegou o carro e saiu... saiu disparadamente e, depois desse dia, eu nunca mais a vi. 

Mas eu sabia que depois daquele momento a nossas vidas nunca mais seriam a mesmas. Papai nunca mais falou da mamãe aqui em casa, mas nunca parou de olhar a fotografia da família na parede. Ele, também, nunca soube o motivo dela ter ido embora e nunca mais ter voltado...
                                                                        Yasmin Daniela Pereira Morais. Ensino Fundamental

Noviço contista ep. :Descobrindo segredos de uma adolescente

Era domingo, mamãe e papai conversavam na sala de jantar sobre mim. Diziam que eu estava crescendo rapidamente e que era preciso tomar algumas providências ao meu respeito tais como conversar sobre sexo, namoro e, principalmente, sobre DST – doença sexualmente transmissível. Eu fique no meu quarto a escutar a conversa.

Minha mãe falou ao meu pai que me viu com um garoto na porta da escola e que também havia visto dando um abraço nele. Meu pai ficou preocupado e perguntou a ela se eu arrumei algum namorado na escola. Minha mãe disse a ele que isso é uma coisa normal na adolescência e que ele precisa acostumar e aprender a conviver com isso. Mas meu pai discordou e disse que um simples namoro pode se tornar mais que um namoro e pode até ocorrer uma DST.

Minha mãe pensou sobre o que meu pai falou e mudou de ideia e achou melhor conversar comigo no dia seguinte. Nesse dia, eles conversaram comigo e disseram que eu não tinha idade para namorar, pois só tinha onze anos de idade. Eu entendi. em seguida, eles me explicaram sobre sexo e DST. No final, tudo ficou bem.

Michele Córdova. Ensino Fundamental

Noviço contista ep. : A gravidez que não era real

Era domingo, mamãe e papai conversavam na sala de jantar sobre mim. Diziam que eu estava crescendo rapidamente e que era preciso tomar algumas providências ao meu respeito tais como conversar sobre sexo, namoro e, principalmente, sobre DST – doença sexualmente transmissível.

Eu fique no meu quarto a escutar a conversa. Minha mãe disse que eu estava namorando um menino da minha escola. Imediatamente, papai quis ir ao meu quarto tirar satisfações, mas mamãe o segurou e disse que era preciso apenas conversar comigo. Ainda bem que mamãe me salvou do poderoso chefão.

Eles continuaram a conversa e o que eu não queria aconteceu. Mamãe me chamou para conversar.
- Isabel, venha aqui!
- Sim, mamãe.
- Você tem algo a nos dizer sobre o que está acontecendo na escola?
Não dava para esconder.
- Tenho. Eu estou namorando o Daniel. Desculpa-me por não falar antes; era para ser surpresa.
- Quer surpresa! Você quer dar um ataque cardíaco no seu pai?
- Não; desculpa.

E mamãe acalmou o Seu Antônio, meu pai. Depois, explicou-me que não era para deixar o Dani querer fazer coisas além do beijo e que se acontecesse além do beijo, era para eu me cuidar.
- Não. Este garotinho só toca na sua filhinha depois de casar.
- Pai, não é pra tanto. Deixa de ser careta.

Depois disso, fomos dormir. Mas eu não consegui pegar no sono. Passei a noite pensando na conversa. Sabia que eu tinha dito a verdade, mas não havia contado tudo: eu havia feito sexo com o Dani. O problema é que eu não me cuidei.
No outro dia, contei para o Dani, com toda calma, que era possível que eu estivesse grávida. Ele me disse:
- Não tá certo. Como vai ser sua vida? Eu só tenho dezenove anos e ainda curso a faculdade. Preciso me formar e depois me casar; não, agora não dá para ser pai.
- Eu não vou tirá-lo. Ele é meu filho, tá. Ele não tem culpa da nossa burrada. Tu es um covarde.
Cuspi na cara dele e fui embora.

Depois contei aos meus pais. Mamãe me disse que “falou... falou... mas nada adiantou. O pior foi ouvi-la dizer que estava decepcionada comigo e ir para o quarto chorar.
- Eu não acredito nisso. Cadê o seu sujeitinho de meia tigela? Cadê aquele que abusou da minha filha, hein?
- Ele não quer mais saber de mim.
- Sabia. Mas eu vou carregá-lo pelas orelhas e obrigá-lo a casar contigo
- Eu não quero, pai.
- Não? Tá bom. Arruma suas coisas e vai embora da minha casa.

E fui. Sai de casa sem rumo. Morei debaixo da ponte. Só tinha duzentos reais para mim e o bebê. E foi nesta hora que me tocou a inteligência.
- Espera aí. Eu não fiz o exame. Como vou saber se estou grávida ou não.
Fui para a farmácia torcendo para que o exame fosse negativo.
- Ser mãe deve ser maravilhoso. Mas agora, não.
Eu não acreditei no resultado. Corri para casa e contei para eles. Eu não estava grávida. Por isso, meus pais me aceitaram de volta.

Passado algumas semanas.
- Eu fiquei sabendo que você não está grávida. É verdade?
- É sim. Mas se pensa que eu vou voltar para você, está muito enganado. Seu covardão!

E depois de meses comecei a namorar o Carlos. Este não era covarde. Fui apresenta-lhe aos meus pais. Eles gostaram dele. Mamãe olhou para mim e disse:
- Aprendeu a lição. Não é, filha.
- Sim. Sexo só com camisinha.
                                                               Ketllem Caroline Mendes Flores. Ensino Fundamental

Noviço contista ep. :A hora e vez de pais e filhos conversarem sobre DST

Era domingo, mamãe e papai conversavam na sala de jantar sobre mim. Diziam que eu estava crescendo rapidamente e que era preciso tomar algumas providências ao meu respeito tais como conversar sobre sexo, namoro e, principalmente, sobre DST – doença sexualmente transmissível.

Eu fique no meu quarto a escutar a conversa e pensei muito a meu respeito, já que eu era menina. Eu achei que eles estavam com vergonha de falar sobre isso comigo. Então, fui à sala de jantar. Quando cheguei lá, eles mudaram de assunto. Creio que ficaram com vergonha. Então, resolvi falar sobre namoro e eles ficaram ainda mais envergonhados. Eu disse que ainda era nova e não iria namorar. Em seguida, comecei a falar sobre sexo. Eles ficaram muito envergonhados. Eu disse a eles que não iria fazer isso. Nem pensava em sexo e que, se mais tarde, viesse a fazer isso, eu usaria preservativos. Eles não me disseram nada. Então, eu sai da sala de jantar e fui para meu quarto.

Papai e mamãe começaram a conversar entre si.
- Acho que não vamos falar sobre isso com ela. Disse meu pai.

Riram-se. Eu estava escutando tudo. Fiquei feliz em dizer o que eu pensava e, mais ainda, por saber que eles confiavam em mim.
                                                                                                  Ana Carolina Gomes. Ensino Fundamental

Noviço contista ep. : Meias verdades: quem nunca contou?

Eu vou contar uma história que quase se tornou verdadeira: Era uma vez... um cavalinho que viajou para outra fazenda a procura de um paixão. Ele se chamava Belo, pois era tão lindo que colocaram esse nome nele.

Toda esta história começou no campo quando Belo viu uma vaca e ficou perdidamente apaixonado por ela. Mas os dois não podiam transformar o encontro em uma história de amor com final feliz, pois eram dois animais de espécies diferentes. Então, o cavalinho começou a sofrer muito, uma vez que sabia que seu amor pela vaca não era correspondido.

Um belo dia, Belo estava a pensar: “Oxalá; eu preciso mostrar o meu amor por esta vaquinha.” Após refletir, o cavalinho foi em busca de seu grande amor. Quando chegou à outra fazenda, viu seu amor impossível procurando carícias em outro animal. Ao ver a cena, Belo decidiu retornar para sua casa.

Quando o cavalinho ia adentrado na fazenda de seu dono, ele se deparou com uma linda égua, a qual se chamava Alice. A eguinha era toda branca e de crina suave. Ao se entreolharam, rolou uma química muito intensa e os dois animais se casaram no mesmo dia. Tiveram dois lindos bebês e viveram felizes para sempre.

Até logo, crianças!
                                            
                                            Fernanda Sobrinho Neves. Ensino Fundamental

Novidade!

8º ano do Ensino Fundamental Língua Portuguesa

  QUESTÃO   1                                                              VALOR: 0,60                       NOTA:_______ Observe os três ...