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Segunda série - ensino médio - Realismo e Naturalismo- com gabarito

 Questão 1. Leia o primeiro parágrafo do romance “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Depois responda o que se pede:

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: dominiopublico.gov.br. Acesso em: 14 maio 2021

a) Quais foram as duas considerações que levaram Brás Cubas a contar em primeiro lugar a sua morte?

Primeiro, a surpresa da obra começa desde o título, que indica as memórias narradas por um defunto;  o narrador-personagem, almejava fugir do tradicional em que a morte vem no final; de forma bem-humorada, ele também afirma ser um defunto que narra o que aconteceu em vida, diferente de outras personagens. Ademais, é ele quem impõe uma ordem na apresentação e privilegiando os fatos que deseja; por não fazer mais parte desta vida, isso o isenta de quaisquer responsabilidades sobre o que escreve, não temendo sofrer correções ou repreensões, pois já não existe nenhum compromisso ou vínculo a esta vida. 

b)  – Ainda sobre o trecho lido de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, responda: o romance narra, em vida, que Brás Cubas escreveu vários poemas e artigos para jornais e revistas. Como isso confirma o fato de que ele é um “defunto autor” e não um “autor defunto”?

A opção ficcional de Machado pelo “defunto autor” (que é personagem protagonista e narrador) soa de tal forma comum que leva o leitor automaticamente a aceitar o fato, entrando na ficção, sem que reflita na pertinência dessa “postura” , por assim dizer, da personagem frente ao seu texto, que, certamente, não pode passar despercebida. Ao afirmar que eu não é propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, pode-se dar a entender que autor defunto é aquela escritor que não faz mais parte da vida  terrena, enquanto que defunto autor mostra um escritor ativo na mente leitores mesmo após a morte, já que continua a sua produção de leitores de sua obra. A outra leitura possível é o fato de a sequência da narrativa contradizer o que afirma a personagem no início da obra, pois se ele produziu outras obras em vida, logo é um defunto autor.

Questão 2. Para responder as perguntas abaixo, você precisa ler um trecho do romance “O mulato”, de Aluísio de Azevedo:

Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no fim de um silêncio:
– Já viu o amigo que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor, porém, não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!… Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses!… O senhor é um moço muito digno, muito merecedor de consideração, mas… foi forro à pia, e aqui ninguém o ignora.
– Eu nasci escravo?!…
– Sim, pesa-me dizê-lo e não o faria se a isso não fosse constrangido, mas o senhor é filho de uma escrava e nasceu também cativo.
Raimundo abaixou a cabeça. Continuaram a viagem. E ali no campo, à sombra daquelas árvores colossais, por onde a espaços a lua se filtrava tristemente, ia Manoel narrando a vida do irmão com a preta Domingas. Quando, em algum ponto hesitava por delicadeza em dizer toda a verdade, o outro pedia-lhe que prosseguisse francamente, guardando na aparência uma tranquilidade fingida. O negociante contou tudo o que sabia.
– Mas que fim levou minha mãe?… a minha verdadeira mãe? perguntou o rapaz, quando aquele terminou.
Mataram-na? Venderam-na? O que fizeram com ela?
– Nada disso; soube ainda há pouco que está viva… É aquela pobre idiota de São Brás.
– Meus Deus! Exclamou Raimundo, querendo voltar à tapera.
– Que é isso? Vamos! Nada de loucuras! Voltarás noutra ocasião!
Calaram-se ambos. Raimundo, pela primeira vez, sentiu-se infeliz; uma nascente má vontade contra os outros homens formava-se na sua alma até aí limpa e clara; na pureza do seu caráter o desgosto punha a primeira nódoa. E, querendo reagir, uma revolução operava-se dentro dele; ideias turvas, enlodadas de ódio e de vagos desejos de vingança, iam e vinham, atirando-se raivosos contra os sólidos princípios da sua moral e da sua honestidade, como num oceano a tempestade açula contra um rochedo os negros vagalhões encapelados. Uma só palavra boiava à superfície dos seus pensamentos: “Mulato”. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa nuvem, que escondia todo o seu passado. Ideia parasita, que estrangulava todas as outras ideias.
– Mulato!

a)  O texto nos mostra que o romance trata de um tipo de preconceito. Qual preconceito é esse? Justifique.

O preconceito racial e étnico, uma vez que a moça - a neta  - só podia se casar com branco
de lei, português ou descendente direto de portugueses. Não podia se casar com negro ou brasileiro.

b) O texto apresenta indícios de um prejuízo social? Qual trecho pode comprovar essa afirmação? Como este prejuízo ainda está presente na nossa sociedade?

A mãe de Raimundo, uma ex-escrava, se tornou uma andarilha e está a mendigar e "perturbar" o bem-estar social dos "brancos", logo é qualificada como idiota. As questões sociais, como a pobreza, ainda é latente no Brasil. Há inúmeras pessoas mendigando pelas ruas das grandes e pequenas cidades  as quais  parte da população as vê com um olhar marginal.

Madame Bovary - resumo

Existem livros que precisam ser lidos e relidos. Madame Bovary é uma dessas obras que você nunca vai esgotá-las por apenas uma lida. Resolvi reler esse livro. E foi tão avassalador como na primeira vez.

Madame Bovary foi escrito em 1857 e foi considerado um escândalo na época. Imaginem! Sem falar no adultério de Emma, um escândalo para a época, o livro critica muito a igreja e a burguesia. Flaubert foi a julgamento diversas vezes pelo romance e em uma de suas defesas, declarou “Emma Bovary c’est moi!” (Eu sou Emma Bovary!), falando assim da sua própria indignação com o clero, a sociedade e as coisas mundanas. Apesar das acusações, Flaubert nunca foi preso.

MO romance conta a história de Emma, uma moça criada no campo, mas com sonhos burgueses. Inspirada pelo que lê nos livros, Emma quer uma vida melhor, cheia de mimos e coisas que só os ricos podem comprar. Pensando que poderá alcançar o que tanto quer, Emma casa com Charles Bovary, um médico também do interior.

O romance começa apresentando Charles Bovary adolescente. Um garoto meigo, monótono e estudioso, que no seu percurso de vida acaba se tornando um médico. Não um grande médico, mas um médico no mínimo dedicado à profissão. Sua mãe lhe apresenta uma mulher chamada Madame Dubuc. Uma mulher de meia-idade e rica. O casal muda-se para uma pequena cidade chamada Tostes, onde Charles começa a praticar medicina.

A personagem Charles, se lido por Nelson Rodrigues provavelmente achará que nela um “corno manso”, um estúpido, ou um perdedor. Um insensível, pois não consegue captar os sentimentos de Emma.

Emma Bovary? Bem, na literatura há uma grande tradição de heroínas belas e virtuosas. Sabemos que Emma era linda, então presumimos que ela era boa. Mas não, ela não era. Ela se recusa a ser boa. E Flaubert nos desafia, ele zomba de seus protagonistas, ele não nos deixa admirar ninguém. Nos dias de hoje, com o politicamente correto dando as ordens nas redes sociais, Gustave Flaubert provavelmente seria considerado um misógino.

Charles ama Emma apaixonadamente, mas por ignorância, não dá valor as coisas que Emma dá, não vê a beleza como Emma vê e é, na visão própria, extremamente entediante. Tentando suprir essa falta que o sonho de uma vida melhor faz, Emma procura em outros homens o alicerce para os seus desejos.

Emma Bovary não era uma mulher valente e virtuosa que no final sai triunfante. Era uma mulher que foi educada em um convento e possuía uma vocação religiosa, mas foi perdendo o interesse pela Igreja quando começou a ler romances de uma biblioteca pública. Nesses romances, Emma Bovary aprendeu que ela poderia escapar do mundo real para a ficção. Como? Ela aprendeu sobre encontros à meia-noite, noivas roubadas, paixão e glamour. Ela aprendeu que o amor romântico era o equivalente a uma dose de adrenalina que valia a pena ser vivido. Esse era um sonho de adolescente, impossível de realizar, mas ninguém lhe disse isso. Afinal, sua mãe já estava morta. Esse sonho tornou-se uma espécie de um ideal. Muito parecido com o Cavaleiro da triste figura, Don Quixote, que desenvolveu o mesmo encantamento lendo romances de Cavalaria, até se transformar em algo que era impossível ser.

Gustave Flaubert escreveu Madame Bovary primorosamente e maravilhosamente bem. Já que o livro tem poucos diálogos, grande parte dos acontecimentos são totalmente narrados, mais isso não o torna um livro entediante. Flaubert não abusa das descrições (Não chega nem perto de um Eça de Queiroz) e a narrativa flui. Dá para imaginar tudo dentro da cabeça. Há livros que tem poucas descrições dos personagens e do cenário, daí fica difícil imaginar como o autor os imaginou quando os escreveu. Com Madame Bovary é possível imaginar cada expressão de Emma e cada atitude de Charles e todo o ambiente onde a história se desenrola.

No início do livro, logo depois que Emma casa com Charles, que é quando sabemos da sua urgência pela aventura e pelo que é diferente, requintado e belo, ficamos com pena de Emma. Acho que ela é o reflexo de muitas mulheres, inclusive modernas, que são presas ou pela família ou pelo marido ou pela sociedade e não podem vivenciar suas paixões. Acontece que, durante a leitura, à medida que Emma se torna mais difícil de ser agradada, apesar das tentativas constantes do marido e dos amantes, Emma se torna chata. Dá vontade de esganar Madame Bovary! E no final do livro, a gente quer mais é que o Senhor Bovary mande a Madame pastar! Ô, criatura difícil de agradar!

Flaubert não mostra nenhuma reação subjetiva em relação aos seus personagens. É isso que na história da literatura chamamos de realismo. Como já sabemos, algumas das características do realismo são os sentimentos, sobretudo o amor, subordinados aos interesses sociais e o herói problemático, cheio de fraquezas. Se levarmos em conta o título da obra acima, Emma Bovary seria a “heroína”. No entanto, a narrativa começa e termina com o estúpido Charles Bovary e, nela, desempenham um papel importante na trama, o estúpido dom-juanismo de Rodolphe, a estúpida paixão de Léon, a estupidez do padre farisaico Bournisien e todo esse pequeno ambiente de província, que não deixa saída para Emma nem para ninguém. Otto Maria Carpeaux, em seu ensaio sobre a obra, comenta com grande ênfase: “O verdadeiro personagem desse romance é a estupidez humana”.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Germinal de Émile Zola - resumo

Confesso que Germinal foi uma leitura que comecei sem saber muito o que esperar… E para a minha felicidade. “Germinal” é um clássico da literatura mundial e foi uma das obras responsáveis por inaugurar o naturalismo. A obra conta a história dos mineiros que lutavam por uma vida mais digna e é de forma tão cruel que sentimos na pele o quanto a fome, o frio e a miséria humana podem desvirtuar até o mais correto dos homens. Uma grande preocupação do escritor é de escancarar os problemas sociais da época, retratando a realidade de maneira mais crua possível e o ser humano em sua condição animalesca.

Acompanhamos a trajetória de Etienne Lanthier, um rapaz que, desempregado, põe-se na estrada a peregrinar, até chegar a Montsou, lugar onde a imponente mina de carvão Voreux domina a paisagem. Com fome e frio, o rapaz aborda um velho que se apresenta como Boa Morte e pergunta a ele se há emprego naquele lugar. O velho não mente, diz que a crise chegou ao local e fechou todas as indústrias. A que resta é a Voreaux, mas que não sabe se ele conseguiria algo lá. Esperançoso, Etienne segue até a mina e então temos o encontro dele com a família Maheu. Maheu é um homem robusto e pai de sete filhos, que precisa sustentar a casa e por isso coloca todos os filhos para trabalharem nas minas, sob os perigos iminentes dos gases explosivos e a água que, às vezes, bate na cintura.

Encontramos em Germinal, as condições subumanas dos trabalhadores de uma mina de carvão, na França do século XIX. Quando Étienne chega à cidade de Montsou para trabalhar na mina, sua voz de insatisfação passa a servir como um gatilho para aquela massa de pessoas que se humilha diariamente para sobreviver. Até a mina de carvão é retratada pelo autor como um animal: durante todo o dia, a Voraz vai engolindo os trabalhadores, se alimentando do suor e da carne humana.

Por saber como é sentir fome e não ter o que comer, o homem se apieda de Etienne e coloca-o para trabalhar de operador de vagonete.

Em meio à miséria, Etienne sente-se dividido entre ir embora e procurar uma vida melhor, ou ficar e ajudar as pessoas que se encontram em estado de miséria. Com o incentivo de Pluchart, um velho amigo, Etienne passa a estudar sobre direitos e deveres e até mesmo as teorias de Darwin, pois ele quer se tornar um líder. Quando a situação beira o insuportável, Etienne instiga o povo a se rebelar contra a companhia e a reivindicar os seus direitos, gerando caos e devastação.

Encontramos em Germinal: as condições subumanas dos trabalhadores de uma mina de carvão, na França do século XIX. Quando Étienne chega à cidade de Montsou para trabalhar na mina, sua voz de insatisfação passa a servir como um gatilho para aquela massa de pessoas que se humilha diariamente para sobreviver. Até a mina de carvão é retratada pelo autor como um animal: durante todo o dia, a Voraz vai engolindo os trabalhadores, se alimentando do suor e da carne humana.

É uma obra intensa, onde os personagens são muito bem construídos e que aborda todas as características do Naturalismo: o detalhismo, o determinismo, o cientificismo, a crítica a burguesia e a Igreja e também o tratamento do ser humano como meros animais, entre outros aspectos que leva o leitor a sofrer junto com os personagens e a mergulhar no enredo de corpo e alma.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Machado de Assis: a biografia

Machado de Assis (1839-1908)
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu na Chácara do Livramento no Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 1839. Foi o primeiro filho do mulato Francisco José de Assis, um pintor e decorador de paredes, e da imigrante portuguesa Maria Leopoldina.

Machado de Assis com 20 anos
Foi um escritor brasileiro, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira do século XIX. Destacou-se principalmente no romance e no conto, embora tenha escrito crônicas, poesias, crítica literária e peças de teatro. Machado de Assis escreveu nove romances. Os primeiros – Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia -, apresentam alguns traços românticos na caracterização dos personagens.

Machado de Assis passou sua infância e adolescência no bairro do Livramento. Seus pais viviam na chácara do falecido senador Bento Barroso Pereira e sua mãe era a protegida da dona da casa, D. Maria José Pereira.

Machado fez seus primeiros estudos na escola pública do bairro de São Cristóvão. Tornou-se amigo do padre Silveira Sarmento, o ajudava nas missas e familiarizava-se com o latim.

Quando tinha dez anos perdeu sua mãe. Seu pai resolveu sair da chácara e foi morar em São Cristóvão com Maria Inês da Silva, só vindo a casar-se em 1854.

Sua madrasta trabalhava como doceira em uma escola e levava o enteado para assistir algumas aulas. À noite, Machado ia para uma padaria, local onde aprendia francês com o forneiro. À luz de velas, Machado lia tudo que passava em suas mãos e já escrevia suas primeiras poesias.

Carreira literária
Em busca de um emprego, com 15 anos, Machado conheceu Francisco de Paula Brito, dono da livraria, do jornal e da tipografia. No dia 12 de fevereiro de 1855, a “Marmota Fluminense”, jornal editado por Paula Brito, trazia na página 3, o poema “Ela”, de Machado de Assis:

"Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um sim
Para alívio do coração"...

Daí por diante, Machado não parou de escrever na Marmota e de fazer amizades com os políticos e literatos, frequentadores da livraria, onde o assunto principal era a poesia.

Em 1856, Machadinho, como era conhecido, entrou para a Imprensa Oficial como aprendiz de tipógrafo, mas além de mau funcionário, escondia-se para ler tudo que lhe interessava.

O diretor decidiu incentivar o jovem e o apresentou a três importantes jornalistas: Francisco Otaviano, Pedro Luís e Quintino Bocaiuva.
Otaviano e Pedro dirigiam o Correio-Mercantil e para lá foi Machado de Assis, em 1858, como revisor de provas. Colaborava também para outros jornais. Estreou como crítico teatral na revista “Espelho”.

Com 20 anos, Machado de Assis já frequentava os círculos literários e jornalísticos do Rio de Janeiro, capital política e artística do Império.

Em 1960, Machado de Assis foi chamado por Quintino Bocaiuva para trabalhar na redação do “Diário do Rio de Janeiro”. Além de escrever sobre todos os assuntos e manter uma coluna de crítica literária, Machado tornou-se representante do jornal no Senado.

Machado também escrevia no “Jornal das Famílias”, onde suas histórias inconsequentes e açucaradas eram lidas nos serões familiares.
Primeiro livro de poesias

Em 1864, Machado de Assis publicou seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, uma coletânea de seus poemas. O livro foi dedicado a seus pais, Maria Leopoldina e a Francisco.

Em 1867, o Imperador concedeu a Machado o grau de "Cavaleiro da Ordem da Rosa", por serviços prestados às letras nacionais. No dia 8 de abril Machado foi nomeado ajudante do diretor do Diário Oficial, iniciando sua "carreira burocrática".

Em 1868 ele conheceu Carolina Xavier de Novais, uma portuguesa culta, irmã do poeta português Faustino Xavier de Novais, que lhe revelou os clássicos lusitanos.

No dia 12 de novembro de 1869, o casamento de Machado e Carolina é realizado, tendo como testemunhas, Artur Napoleão e o Conde de São Mamede, em cuja residência se realizou a cerimônia. O casal não teve filhos.

Em 1873, ele foi nomeado primeiro oficial da Secretaria do Estado do Ministério da Agricultura. Três anos depois assumiu a chefia da seção.

Academia Brasileira de Letras
O primeiro livro de contos de Machado de Assis, Contos Fluminenses (1870) e seu primeiro romance, Ressurreição (1872), sedimentaram a imagem de um escritor que usava muito bem a língua portuguesa e que preferia os relatos psicológicos às narrativas de ação constante.

No dia 30 de janeiro de 1873, a capa do décimo número do “Arquivo Contemporâneo”, periódico do Rio de Janeiro, colocou lado a lado as fotos de José de Alencar, até então o maior romancista do Brasil, e a de Machado de Assis.

Machado de Assis se impôs, antes mesmo de ter publicado suas obras-primas, como a maior expressão da literatura brasileira e, sem muita dificuldade, em 1896, fundou com outros intelectuais, a Academia Brasileira de Letras.

Nomeado para a cadeira n.º 23, tornando-se, em 1897, seu primeiro presidente, cargo que ocupou até sua morte.

Na entrada do prédio há uma estátua de bronze do escritor. Em sua homenagem, a academia chama-se também “Casa de Machado de Assis”.

Obra de Machado de Assis
Machado de Assis teve uma carreira literária ininterrupta, produziu de 1855 a 1908. Escreveu poesias, romances, contos, crônicas, críticas e peças de teatro. O ponto alto de sua produção literária é o romance e o conto, onde se observa duas fases:

Fase Romântica – obras e características
A primeira fase das obras de Machado de Assis apresenta-se presa a algum aspecto do “Romantismo”, com uma história cheia de mistérios, com final feliz ou trágico e uma narrativa linear. Apresenta também traços inovadores, como uma linguagem menos descritiva, menos adjetivada e sem o exagero sentimental. As personagens têm um comportamento não só movido pelo amor, mas também pela ambição e pelo interesse. São dessa fase os romances:
  • Ressurreição (1872)
  • A Mão e a Luva (1874)
  • Helena (1876)
  • Iaiá Garcia (1878)


O Realismo – obras e características
A partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas, teve início sua fase propriamente realista quando revelou seu incrível talento na análise do comportamento humano, descobrindo, por trás dos atos bons e honestos, a vaidade, o egoísmo e a hipocrisia.

A segunda fase das obras de Machado de Assis inicia-se com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), onde retrata a miséria humana, indo até seu último romance, “Memorial de Aires” (1908) - o livro da saudade, escrito após a morte de Carolina.

É nesse período que se encontram suas mais ricas criações literárias. Diferente de tudo quanto havia sido escrito no Brasil, Machado inaugura o “Realismo”.

O estilo realista de Machado de Assis difere de seus contemporâneos, porque ele aprofunda-se na análise psicológica dos personagens desvendando a fragilidade existencial na relação consigo mesmo e com os outros personagens. São dessa fase os romances:
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
  • Quincas Borba (1891)
  • Dom Casmurro (1899)
  • Esaú e Jacó (1904)
  • Memorial de Aires (1908, seu último romance)
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas

Em 1881, Machado de Assis publicou o romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, que marcou o início da fase acentuadamente realista de sua obra. A obra havia sido publicada, no ano anterior, em folhetins na Revista Brasileira.

Em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", o narrador era um defunto que resolveu distrair-se um pouco saindo da monotonia da eternidade escrevendo suas memórias, livre das convenções sociais, pois está morto. O narrador fala não só da vida, mas de todos os que com ele conviveram, revelando a hipocrisia das relações humanas. Esse romance foi adaptado para o cinema em 2001, sendo considerado o melhor filme do festival de Gramado.

Quincas Borba 
O romance Quincas Borba representa um dos pontos altos da obra de Machado de Assis. É rico de vida e substância humana. O herói da história é o modesto professor Rubião, que recebe, em Barbacena, grande herança do falecido Quincas Borba, com a condição de cuidar de seu cachorro, também chamado Quincas Borba. Rubião abandona a província, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde é enganado, explorado e enlouquece, vindo a morre miserável e solitário em sua cidade natal, Barbacena.

Dom Casmurro
É considerado o ponto culminante de sua ficção. O tema da obra é o adultério relatado pelo próprio marido traído. O romance é narrado na 1.ª pessoa do singular, começando com a amizade infantil entre Bentinho e Capitu. Da afeição nasce o amor e o casamento. Capitu, como quase todos os tipos machadianos, é cheia de vivacidade e astúcia, porém dissimulada. Trai o esposo com Escobar, o mais antigo e íntimo amigo do casal. Mais tarde, nasce Ezequiel e as dúvidas de Betinho se dissipam. Torna-se um indivíduo sisudo e casmurro, que vive a rememorar o passado. Quando Escobar morre, Capitu chora diante do cadáver, confirmando as suspeitas de Bentinho.

As personagens femininas de Machado de Assis
As grandes “personagens femininas” das obras de Machado de Assis ou são adúlteras ou estão a ponto de ser como Virgília de Memórias Póstumas que repele Brás Cubas quando podia casar-se com ele, mas torna-se sua amante depois que está casada com outro homem mais importante na escala social.

Sofia, protagonista de Quincas Borba, fica no limiar do adultério, tentando o pobre Rubião até levá-lo à loucura, para tirar dele seu último centavo e assim enriquecer seu esposo.

Capitu, sua heroína mais famosa, personagem de Dom Casmurro, é o protótipo de mulher dissimulada, que engana vilmente o marido.

Apenas Fidélia, de Memorial de Aires, é a mulher honesta e fiel, como seu próprio nome sugere.

Contos e características:
  • Contos Fluminenses (1870)
  • História da Meia Noite (1873)
  • Papéis Avulsos (1882)
  • Histórias Sem Data (1884)
  • Várias Histórias (1896)
  • Páginas Recolhidas (1899)
  • Relíquias da Casa Velha (1906)
Alguns dos melhores contos “realistas” contidos nesses livros e que abordam os mais diversos temas, são:
  • Cantigas de Esponsais – a desesperada busca da expressão,
  • Noites de Almirantes – análise de uma desilusão amorosa,
  • Trio em Lá Menor – o anseio da perfeição,
  • O Alienista – o problema da loucura. Foi adaptado para o cinema em 1970).
  • Missa do Galo – o despertar do adolescente para o amor,
  • Teoria do Medalhão – como vencer na vida sem fazer força,
  • O Espelho – a dualidade da alma humana.
Últimos anos e morte
Em outubro de 1904 morreu sua esposa, Carolina, companheira de 35 anos, que além de revisora de suas obras era também sua enfermeira, pois Machado de Assis tinha a saúde abalada pela epilepsia.

Após a morte da esposa o romancista raramente saía de casa. Em homenagem à sua amada, escreveu o poema "À Carolina":

À Carolina

"Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terre que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos."


Machado de Assis faleceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de setembro de 1908. Em seu velório, comparecerem as maiores personalidades do país. Rui Barbosa, um dos juristas mais aplaudidos da época, fez um discurso de despedida com elogios ao homem e escritor. Levado em uma carreta do Arsenal de Guerra, só destinada às grandes personalidades, um grande cortejo fúnebre saiu da Academia para o cemitério de São João Batista, onde foi enterrado.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Ensino Médio - Interpretação de Textos - com gabarito

Questão 1.
(Fuvest) 

“E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, e esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.”

O fragmento de “O cortiço”, romance de Aluísio Azevedo, apresenta uma característica fundamental do Naturalismo. Qual?

a) Uma compreensão psicológica do Homem.

b) Uma compreensão biológica do Mundo.

c) Uma concepção idealista do Universo.

d) Uma concepção religiosa da Vida.

e) Uma visão sentimental da Natureza.

Questão 2.
(UFPA) Os personagens realistas-naturalistas têm seus destinos marcados pelo determinismo. Identifica-se esse determinismo:

a) pela preocupação dos autores em criar personagens perfeitos, sem defeitos físicos ou morais.

b) pelas forças sociais que condicionam a conduta dessas criaturas.

c) por ser fruto, especificamente, da imaginação e da fantasia dos autores.

d) por se notar a preocupação dos autores de voltarem para o passado ou para o futuro ao criarem seus personagens.

e) por representarem a tentativa dos autores nacionais de reabilitar uma faculdade perdida do homem: o senso do mistério.

Questão 3.
(FMTM-2003) Assinale a alternativa em que se encontram características da prosa do Realismo.

a) Objetivismo; subordinação dos sentimentos a interesses sociais; críticas às instituições decadentes da sociedade burguesa.

b) Idealização do herói; amor visto como redenção; oposição aos valores sociais.

c) Casamento visto como arranjo de conveniência; descrição objetiva; idealização da mulher.

d) Linguagem metafórica; protagonista tratado como anti-herói; sentimentalismo.

e) Espírito de aventura; narrativa lenta; impasse amoroso solucionado pelo final feliz.

Questão 4.
(FMTM-2002)

“Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo. (...) Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas”.

No Naturalismo, época literária a que pertenceu Aluísio de Azevedo, o homem é visto

a) de forma negligente e egocêntrica, preocupado apenas com o próprio bem-estar.

b) de forma atuante, responsável pela transformação do mundo em que vive.

c) de forma idealista e romântica, alheio a tudo que acontece a seu redor.

d) como responsável pelas condições do meio em que vive e capaz de melhorá-lo.

e) como fruto do meio em que vive, sujeito a influências que escapam a seu controle.

Questão 5.
(ENEM 2005). Leia.

Óbito do autor (...) expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! A verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia − peneirava − uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de minha cova: −”Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isto é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” (...)

(Adaptado. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. Ilustrado por Cândido Portinari. Rio de Janeiro: Cem Bibliófilos do Brasil, 1943. p.1.)

Compare o texto de Machado de Assis com a ilustração de Portinari. É correto afirmar que a ilustração do pintor

a) apresenta detalhes ausentes na cena descrita no texto verbal.

b) retrata fielmente a cena descrita por Machado de Assis.

c) distorce a cena descrita no romance.

d) expressa um sentimento inadequado à situação.

e) contraria o que descreve Machado de Assis.

2ª série - ensino Médio - Romance “O cortiço” - com gabarito.


Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

No famoso romance brasileiro “O cortiço”, iremos observar o enredo da obra, identificar suas características e reconhecer a presença do negro neste texto literário.
“O cortiço” é um romance brasileiro, considerado um dos principais representantes da Escola Literária Naturalismo no nosso país. A obra foi escrita por Aluísio de Azevedo e publicada pela primeira vez em 1890. A narrativa conta a história de diversos moradores de um cortiço, no Rio de Janeiro. 
João Romão é o ambicioso dono do “Cortiço São Romão”, que constrói as primeiras casas roubando materiais de seus vizinhos, junto com sua companheira Bertoleza, uma escrava que achava que era livre. O cortiço é repleto de moradores, cada um com suas histórias. Rita Baiana, Firmo, Piedade, Jerônimo, Pombinha são alguns desses moradores. Representando a burguesia carioca, aparece Miranda — um comerciante português —, sua esposa Estela e a filha do casal, Zulmira. “O cortiço” é uma espécie de retrato da sociedade carioca do fim do século XIX, que passava por uma reorganização social, além de estar se adequando às consequências da Lei Áurea, que abolia a escravidão no país.


Bertoleza, Rita Baiana, Paula,.

É importante tratarmos sobre como as pessoas negras eram representadas no romance, que foi o primeiro publicado no Brasil após a abolição da escravatura. Mesmo libertos da escravidão, os negros foram marginalizados e tinham grande dificuldade de colocação e ascensão social, problema que perpetua até hoje e é considerado uma dívida histórica, a qual a nação precisa reparar.

A representação do negro na obra “O Cortiço” é dada por meio do excessivo trabalho sem a devida remuneração e a exclusão social (como apresentado pela personagem Bertoleza), da mulher sensual e exótica (por meio de Rita Baiana) e das práticas religiosas — expostas com cunho pejorativo pelo autor — (elucidada por Paula ou “A bruxa”), além de outras representações. Vale ressaltar que a forma como as pessoas negras são representadas no romance equivalem a um pensamento racista, contra o qual devemos lutar para que seja extinto de nossa sociedade.

Outra forma de representação dos negros no livro é por meio da capoeira. Como afirma Galvão (2015): A representação das capoeiras no romance “O cortiço” traz a beleza de um dos maiores símbolos da resistência negra do final do século XIX e início do XX. Apesar de todo o preconceito em torno do tema na época, conseguimos extrair muito do que foram os capoeiras daquele período.

(GALVÃO, 2015, p. 130)


Assim, podemos perceber que havia, também, uma importante presença da cultura africana na narrativa. Ao longo de mais de um século de publicação, “O cortiço” já ganhou diversas versões e foi adaptado para filme e, também, para graphic novel.

A graphic novel de “O cortiço”, adaptada por Ivan Jaf e ilustrada por Rodrigo Rosa, tem a mesma essência da história original. Porém, os desenhos dão vida à obra, pois fazem com que aquilo que estava somente em nossa imaginação se torne real.

O autor, Aluísio de Azevedo, nasceu em São Luís, MA, em 14 de abril de 1857. Ele era caricaturista, jornalista, romancista e diplomata. Azevedo começou a publicar os seus romances em folhetins, parte dos jornais dedicada ao entretenimento. Uma das preocupações do autor era observar e analisar os agrupamentos humanos. Daí que surgiram as obras “Casa de pensão”, de 1884, e “O cortiço”, de 1890.

Agora que já vimos muitas informações sobre a obra, vamos fazer algumas atividades.

ATIVIDADES

Questão 1.   (UFV-MG) Leia o texto abaixo, retirado de “O Cortiço”, e faça o que se pede:

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo. […]. O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 34-35.

Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do fragmento citado:

a) No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que, aos poucos, acorda como uma colmeia humana.

b) O texto apresenta um dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais, olfativos e auditivos.

c) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nos personagens de “O Cortiço” o aspecto animalesco, “rasteiro” do ser humano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir.

d) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico.

e) Observa-se, no discurso de Aluísio Azevedo, pela constante utilização de metáforas e sinestesias, uma preocupação em apresentar elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista.

Extra:

Para o aristotelismo, o mundo metafísico, caracteriza-se pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza primacial do ser.

Para o kantismo, o mundo metafísico diz respeito a toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), e fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico.

O romance metafísico é aquele em que se expõe a filosofia através da literatura. É apreender o mundo como um objeto e em seguida transformá-lo em texto, em uma trama na qual a ambiguidade é escancarada.

No trecho, o narrador descreve o meio (cortiço) e os personagens como um todo. Como se fossem intrínsecos, ou seja, tanto o cortiço faz parte dos personagens, quanto os personagens pertencem ao cortiço. Por isso, a afirmação (A) é verdadeira. O autor descreve minuciosamente algumas ações dos moradores do cortiço, mostrando, através de figuras de linguagem, como aquelas ações básicas do dia a dia são responsáveis por expor como é a vida desses personagens, e despertando no leitor sensações olfativas e auditivas. Dessa forma, comprovamos as afirmações contidas nas letras (B), (C) e (E). Em momento algum, no trecho, os personagens são tratados como particulares, ou tem suas essências exploradas. Pelo contrário, o cortiço é tratado como um todo. Por isso, a afirmação contida na opção (D) é falsa.

Questão 2.  Em um determinado momento da história, o cortiço pega fogo e se transforma em uma confusão generalizada. Leia os dois fragmentos abaixo e responda o que se pede:

FRAGMENTO 1:

“Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero.”

FRAGMENTO 2:

“E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.”

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. Porto Alegre: L&PM, 2009.

Aponte a alternativa que explicita o que os dois trechos têm em comum:

a) Preocupação de um em relação à tragédia do outro, no primeiro trecho, e preocupação de poucos em relação à tragédia comum, no segundo trecho.

b) Desprezo de uns pelos outros, no primeiro trecho, e desprezo de todos por si próprios, no segundo trecho.

c) Angústia de um não poder ajudar o outro, no primeiro trecho, e angústia de não se conhecer o outro, por quem se é ajudado, no segundo trecho.

d) Desespero que se expressa por murmúrios, no primeiro trecho, e desespero que se expressa por apatia, no segundo trecho.

e) Anonimato da confusão e do “salve-se quem puder”, no primeiro trecho, e anonimato da cooperação e do “todos por todos”, no segundo trecho.

Questão 3. (FUVEST, 2011)

— Não entra a polícia! Não deixe entrar! Aguenta! Aguenta!

— Não entra! Não entra! Repercutiu a multidão em coro.

E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo. ~

— Aguenta! Aguenta!

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. Porto Alegre: L&PM, 2009.

O fragmento acima mostra a resistência dos moradores do cortiço à entrada de policiais no local. O romance de Aluísio Azevedo

a) representa as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da escravidãoe o difícil convívio entre ex-escravizados, imigrantes e poder público.

b) defende a monarquia recém-derrubada e demonstra a dificuldade da República brasileira de manter a tranquilidade e a harmonia social após as lutas pela consolidação do novo regime.

c) denuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas sociais existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em relação ao Rio de Janeiro.

d) valoriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores explorados da população brasileira.

e) apresenta a imigração como a principal origem dos males sociais por que o país passava, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho dos escravos e os marginalizaram.

Novidade!

8º ano do Ensino Fundamental Língua Portuguesa

  QUESTÃO   1                                                              VALOR: 0,60                       NOTA:_______ Observe os três ...