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3ª SÉRIE- PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Banca Examinadora: Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa - IBGP


QUESTÃO 01
TEXTO 1
Educação: inteligência artificial (IA) pode otimizar rotina pedagógica de instituições de ensino


É importante analisar como a IA pode otimizar as atividades dos professores e ter um impacto positivo no aprendizado dos alunos.
Introduzir a IA na escola é uma ótima maneira de preparar os alunos para o futuro e ajudá-los a desenvolver habilidades em áreas como resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade. Do lado do professor, a tecnologia é usada para aprimorar a atuação como mediador e curador do conteúdo. O dia a dia deles é cheio de atividades que vão além das tarefas feitas em sala de aula. Como com tarefas anteriores (plano de aula, seleção de principais objetivos da aula, etc), ou posteriores às aulas (correção de exercícios, correção de provas, etc). Nessas frentes, em que tempo é um empecilho, a utilização dessa tecnologia será um grande aliado na vida dos docentes.
A utilização da Inteligência Artificial na educação pode trazer benefícios significativos, incluindo a otimização do tempo. A IA tem o potencial de automatizar tarefas rotineiras e repetitivas, liberando tempo para que os educadores se concentrem em atividades que requerem habilidades humanas, como orientação individualizada, feedback personalizado e interações sociais. Um benefício não muito falado do uso da IA é o fato de o aluno ficar por dentro das tecnologias que surgem. Inclusive, é uma das competências garantidas aos estudantes de Educação Básica pela BNCC - nova Base Nacional Comum Curricular – que trata de cultura digital. À medida que usamos essas ferramentas nas escolas, também conseguimos trabalhar com eles os comportamentos digitais.
O uso da inteligência artificial na escola também requer cuidados para sua eficácia na educação. Um deles é garantir que haja pensamento crítico, para que o aluno consiga mediar o conteúdo, e construir em cima do que está sendo proposto. Outro ponto é o seu uso para burlar o sistema, como, por exemplo, usar o ChatGPT para fazer uma redação. Mas, já é consenso entre educadores sobre a necessidade de se trabalhar questões éticas e sociais envolvendo plágio, cola e situações similares, para que os estudantes consigam fazer um bom uso das ferramentas tecnológicas. Esse é um desafio que as escolas enfrentam com os alunos, mas que precisamos falar sobre isso, preparando-os para este mundo digital, no qual estão expostos e inseridos. No entanto, é importante destacar que a IA na educação não substitui a importância dos educadores. Ela é uma ferramenta complementar, que pode melhorar e aprimorar o processo educacional. Mas o papel do professor continua sendo crucial para orientar, motivar e inspirar os alunos.
Disponível em https://exame.com/bussola/educacao- inteligencia-artificial-pode-otimizar-rotina-pedagogica-de- instituicoes-de-ensino/ Acesso em 13/10/2023.(Adaptado)
Os artigos de opinião, em geral, são fundamentados em uma orientação linguística que permite ao leitor o acesso ao ponto de vista do articulista. Diante disso, a partir da leitura do texto 01, é INCORRETO afirmar que

A) A ênfase dada pelo autor, por diversas vezes, ao protagonismo da Inteligência Artificial (IA) na educação, acontece por meio de termos como “ótima maneira”, “benefícios significativos”.
B) A indicação do ponto de vista do articulista é feita de forma clara e predominante, no que diz respeito aos benefícios significativos que a IA traz na esfera educacional em estratégias lexicais como “grande aliado” e “otimização do tempo”.
C) A coparticipação do leitor em relação ao ponto de vista do autor, que torna evidente a maneira como os educadores são totalmente manipulados pelo texto e pelos benefícios da IA, ao destacar ideias como “comportamentos digitais”, “automatizar tarefas rotineiras”.
D) A parcela de responsabilidade dos educadores frente à cultura digital e a sala de aula, expressa nos termos “atuação como mediador” e “curador do conteúdo”.

QUESTÃO 02
Considerando-se as ideias apresentadas no texto, depreende-se que

( )A BNCC prevê não apenas o uso das novas tecnologias da comunicação e informação, tanto quanto a necessidade de o aluno saber manusear as novas tecnologias que surgem.
( ) A cultura digital se refere à forma como a tecnologia da informação e da comunicação é utilizada para promover o aprendizado de forma que o aluno saiba mediar o conteúdo.
( )A possibilidade de o professor ser substituído pela IA é uma máxima na educação digital, tendo em vista que a presença docente não será mais necessária nos próximos anos.

Levando-se em consideração que (V) significa Verdadeiro e (F) significa Falso, a sequência CORRETA das proposições é, respectivamente:

A) V- V- F.
B) V- F- F.
C) F- V- F.
D) F- F- V.

QUESTÃO 03

A partir do emprego dos verbos nos períodos abaixo, enquanto mecanismos linguísticos, há uma exaltação da inteligência artificial em determinada ambientação linguística expressa em todas as alternativas, EXCETO:

A) “Introduzir a IA na escola é uma ótima maneira de preparar os alunos para o futuro e ajudá-los a desenvolver habilidades em áreas como resolução de problemas.”
B) “Nessas frentes, em que tempo é um empecilho, a utilização dessa tecnologia será um grande aliado na vida dos docentes.”
C) “Ela é uma ferramenta complementar, que pode melhorar e aprimorar o processo educacional.”

D) “A IA tem o potencial de automatizar tarefas rotineiras e repetitivas, liberando tempo para que os educadores se concentrem em atividades que requerem habilidades humanas, como orientação individualizada.”

QUESTÃO 04
TEXTO 02
“Os professores serão substituídos pela tecnologia?”

A resposta é não: o fator humano envolvido no processo pedagógico de transmissão, desenvolvimento e gestão de novos conhecimentos não pode ser replicado artificialmente, pelo menos com a tecnologia atual. Isso porque a aprendizagem como fator de desenvolvimento continua sendo uma característica humana, que depende da empatia pelo outro, ou seja, da compreensão do indivíduo como um ser em formação.

No entanto, o que está sendo substituído, atualizado ou renovado em grande velocidade são os instrumentos e recursos tecnológicos para a aprendizagem, e não há dúvidas de que as instituições de ensino devem ter soluções de aprendizagem que se adaptem às novas tendências da tecnologia educacional.

Fonte: hed.pearson.com.br. Acesso
em 13/10/2023. (Adaptado)

A frase que introduz o texto 02 reproduz uma ideia recorrente, embora pouco fundamentada, em relação a um modelo de educação digital, que ainda permanece longe da realidade de muitas escolas brasileiras. Essa estrutura caracteriza-se pelo(a)

A) imprecisão do referente do vocábulo professores.
B) utilização do termo “serão” que dá ideia de distanciamento temporal.
C) organização da ordem direta da frase.
D) indagação subjetiva acerca da tecnologia na educação.

QUESTÃO 05
Em relação ao texto 02, analise o período a seguir:

“Isso porque a aprendizagem como fator de desenvolvimento continua sendo uma característica humana, que depende da empatia pelo outro, ou seja, da compreensão do indivíduo como um ser em formação.”

A oração em destaque apresenta um valor de

A) Explicação do termo “aprendizagem”
B) Retificação de “empatia pelo outro”
C) Restrição à “característica humana”
D) Sustentação de “fator de desenvolvimento”

QUESTÃO 06
Em relação aos processos de formação de palavras no texto 02, é CORRETO afirmar que:

A) “Pedagógico” é vocábulo formado por parassíntese.
B) “Aprendizagem” é vocábulo formado por sufixação.
C) “Educacional” é vocábulo formado por prefixação e sufixação.
D) “Tecnologia” é um vocábulo formado por derivação regressiva.

QUESTÃO 07

TEXTO 03
                                                                                                                                                Fonte: coredacao.com

Em relação ao texto 03, analise as propositivas a seguir:

I- O gênero textual em evidência retrata um acontecimento contemporâneo, além de se destacar pelo fator de efemeridade, uma vez que os assuntos que relaciona estão sempre atualizados;

II- O texto pode ser caracterizado, em geral, pelo fator irônico e pela intertemporalidade, cabendo ao leitor o importante papel da inferência.

III- A temática discorre positivamente sobre os desafios entre Inteligência Artifical (IA) e educação, ao utilizar a presença do robô no papel de discente.

IV- A imagem, aliada ao balão, invoca a ideia de que a tecnologia, tendo em vista suas aplicações práticas, traz possíveis riscos para a reprodução de desigualdades.

Dos itens acima:

A) Apenas o item III está correto.
B) Apenas os itens I, II e IV estão corretos.
C) Apenas os itens III e IV estão corretos.
D) Todos os itens estão corretos.


QUESTÃO 08
Analise o texto a seguir.

Fonte: camarauberaba.mg.gov.br

Considerando o cartaz, que contém uma imagem aliada ao texto verbal, é CORRETO afirmar que ele apresenta como principal objetivo

A) criticar o comportamento da população que ignora os riscos de contrair a dengue.
B) conscientizar a população sobre a necessidade de prevenção de doenças provocadas pelo Aedes Aegypti e, de forma objetiva, avisar que a dengue mata.
C) incentivar a população a fazer denúncias de casos de focos de mosquito ou possíveis criadouros.
D) simbolizar a necessidade de preservação da integridade familiar, enquanto base da sociedade e, de forma subjetiva, preservar a formação e transmissão de valores.

QUESTÃO 09
Observe a tira a seguir.
A fala do personagem Chico Bento (último balão) reproduz uma variante linguística recorrente na fala de brasileiros, pertencentes a determinadas regiões do país. Essa estrutura caracteriza-se por variantes

A) diacrônicas
B) diatópicas
C) diastráticas
D) diafásicas

QUESTÃO 10
Leia o Texto a seguir.

Ora, se o domínio da norma culta fosse realmente um instrumento de ascensão na sociedade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social, econômica e política do país, não é mesmo? Afinal, supostamente, ninguém melhor do que eles domina a norma culta. Só que a verdade está muitolonge disso como bem sabemos nós, professores, a quem são dirigidas grandes críticas de nossa sociedade.
Por outro lado, um grande fazendeiro que tenha apenas alguns poucos anos de estudo primário, mas que seja dono de milhares de cabeças de gado, de indústrias agrícolas e detentor de grande influência política em sua região vai poder falar à vontade sua língua de “caipira”, com todas as formas sintáticas consideradas “erradas” pela gramática tradicional, porque ninguém vai se atrever a corrigir seu modo de falar. (BAGNO, 2015, p.105)
Fonte: diaadiaeducacao.pr.gov.br. Acesso em 10/10/2023. (Adaptado).

O autor apresenta questões bastante pertinentes aos fenômenos linguísticos e seus mitos, principalmente ao relacionar situações-problemas ao uso da linguagem. Para Bagno, é CORRETO afirmar que o mito em torno do uso da língua está relacionado a

A) um preconceito linguístico que tem suas raízes no paternalismo e no patriarcalismo responsáveis pela ascensão das classes sociais no Brasil.
B) diferenças, muitas vezes, julgadas de forma negativa, colocando ainda que a função do professor de português muitas vezes é apenas corrigir essa fala errada.
C) todos os livros didáticos que avançaram muito nas questões acerca do preconceito linguístico e variação linguística, propondo o respeito à diversidade cultural.
D) uma exacerbação da norma culta que acaba anulando essas diferenças em relação às variáveis linguísticas.




Ensino médio - avaliação de português com gabarito

Questão 01
“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”

Marque a alternativa que aponta a característica do Romantismo presente no fragmento do Romance “Iracema”, de José de Alencar.

A) Idealização da personagem mediante a associação entre aspectos humanos e elementos da natureza.
B) Valorização do regionalismo por meio do registro de palavras e expressões típicas do vocabulário regional.
C) Enaltecimento do indígena com o emprego do locus amoenus exigível em cenas da natureza das narrativas clássicas.
D) Empoderamento de minorias marginalizadas por meio da escolha de uma mulher morena e indígena para o protagonismo da narrativa.
E) Reflexão crítica sobre a formação do povo brasileiro mediante a identificação de uma mulher como verdadeira representante de nossas origens indígenas.

Questão 02
Leia.
Meu sonho

Eu,
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
(...)
Cavaleiro, quem és? − que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?

O FANTASMA
Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!...
(Álvares de Azevedo)

(...) Sobretudo se nos reportarmos ao título: o sujeito do enunciado estaria descrevendo um sonho, onde se vê a angústia devida à frustração das aspirações, corporificada num cavaleiro que galopa pelo reino da morte.
(Na Sala de Aula – Caderno de Análise Literária, de Antonio Candido, Editora Ática, Série Fundamentos, 1989, p. 39)

Considere o fragmento do poeta Álvares de Azevedo, o período literário em que ele está inserido e o comentário do crítico literário Antonio Candido. A partir das considerações, marque a afirmação incorreta.


A) Imagens como “noite assombrada” e “da morte no império” estão de acordo com o tom macabro da 2.ª geração do Romantismo no Brasil.
B) Segundo o crítico, a evasão no sonho para o eu lírico seria uma estratégia para atingir o mundo metafísico e compensar a existência desagradável.
C) A exacerbação das emoções e das paixões, típicas do movimento romântico, está evidente nas passagens “olhos ardentes” e “fogo do teu coração”.
D) A referência à morte é tema constante em Álvares de Azevedo; o desencanto da vida leva o indivíduo a querer antecipar seu fim existencial.
E) Antonio Candido fala do título do poema e da identificação do eu lírico com o sonho; o ser romântico é voltado para si próprio e para o mundo onírico, da fantasia.

Questão 03
Em relação à poesia do Romantismo brasileiro analise o esquema abaixo. Em seguida, analise as afirmações que constam nas alternativas.

Um quadro que dê conta da poesia romântica brasileira pode ser sintetizado conforme o seguinte esquema:
  • a 1ª. geração é chamada de ‘nacionalista ou indianista’;

  • a 2ª. geração é conhecida como a ‘ultrarromântica’;

  • a 3ª. geração é denominada de ‘condoreira’.
1) Os representantes da 1ª. geração escolheram como tema a natureza tropical, o patriotismo e o elemento indígena brasileiro.
2) Foi destaque entre os poetas da primeira geração, o poeta Gonçalves Dias, autor do conhecido poema Canção do Exílio.
3) Os representantes da 2ª. geração alimentaram uma visão pessimista da vida e da sociedade. Têm como expoentes Casimiro de Abreu e José de Alencar.
4) Os representantes da 3ª. geração destacaram-se por uma literatura de caráter social, que denunciava a desigualdade social e defendia a liberdade.
5) Na 3ª. geração, merece destaque o poeta Castro Alves, que, em seu poema Navio Negreiro critica com veemência a escravidão que imperava no Brasil.

Estão corretas as alternativas:

A) 1, 2, 3, 4 E 5
B) 1, 2, 4 E 5 apenas
C) 1, 3, 4 E 5 apenas
D) 2 E 3 apenas
E) 3 E 5 apenas

Questão 04
Leia. 
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.  Ser feliz por nada talvez seja isso.

MEDEIROS, Martha. Felicidade crônica. 15.ed. Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 86-87.

Determinadas categorias gramaticais podem produzir diferentes efeitos de sentido nos contextos em que estão inseridas, como é o caso dos verbos. Alguns deles, em tempos simples ou integrando uma locução verbal, podem denotar ideias ou “matizes” denominados aspectos.

Examine as alternativas e indique em qual delas o aspecto verbal está INCORRETAMENTE analisado:

A) No excerto “ter que responder ao mundo quais são suas qualidades” (l. 31-32), a expressão em destaque indica ideia de “obrigação” em relação ao que se é preciso fazer para ser feliz.
B) “De querer se adequar à sociedade” (l. 28) – O uso do infinito “querer”, no 6º parágrafo, traz para o contexto o valor semântico de “vontade”, sugerindo que essa adequação não é imposta, ao contrário, configura-se num desejo por parte do indivíduo.
C) Na linha 4, o trecho “Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo” apresenta o verbo auxiliar da locução verbal “costumo torcer” (l. 1-3), no presente do indicativo, com a ideia de “fato habitual, frequente”.
D) No fragmento “Mas não estando alegre, é possível ser feliz também.” (l. 17-18), com o verbo de ligação no gerúndio, pretende-se demonstrar a situação em curso como um aspecto concluído.
E) No 6º parágrafo, a forma verbal “sejamos” (l. 27), embora esteja conjugada no modo subjuntivo, no contexto, marca uma sugestão imperativa.

Questão 05. 
Enem (adaptado). Levando em conta o aspecto do verbo na frase: “crianças de oito anos podem manusear armas de fogo”, afirma-se que a forma verbal destacada está no presente

A) Momentâneo, pois se refere ao manuseio de armas no momento da fala.
B) Histórico, pois se refere a fatos sobre crimes ocorridos nos passado.
C) Frequentativo, pois se refere a um fato que se repete ao longo do tempo no noticiário criminal.
D) Universal, pois se refere à permissão do manuseio tida como uma verdade supostamente aceita por todos.
E) No lugar do futuro, pois a permissão para o manuseio de armas se dará em época próxima.

Questão 06
Leia.

O presbítero Eurico era o pastor da pobre paróquia de Carteia. Descendente de uma antiga família bárbara, gardingo1 na corte de Vítiza, depois de ter sido tiufado2 ou milenário3 do exército visigótico vivera os ligeiros dias da mocidade no meio dos deleites da opulenta Toletum. Rico, poderoso, gentil, o amor viera, apesar disso, quebrar a cadeia brilhante da sua felicidade. Namorado de Hermengarda, filha de Favila, duque de Cantábria, e irmã do valoroso e depois tão célebre Pelágio, o seu amor fora infeliz. O orgulhoso Favila não consentira que o menos nobre gardingo pusesse tão alto a mira dos seus desejos. Depois de mil provas de um afeto imenso, de uma paixão ardente, o moço guerreiro vira submergir todas as suas esperanças. Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia a que o mundo deu o nome de imaginações desregradas, porque não é para o mundo entendê-las. Desventurado, o seu coração de fogo queimou-lhe o viço da existência ao despertar dos sonhos do amor que o tinham embalado. A ingratidão de Hermengarda, que parecera ceder sem resistência à vontade de seu pai, e o orgulho insultuoso do velho dera em terra com aquele ânimo, que o aspecto da morte não seria capaz de abater. A melancolia que o devorava, consumindo-lhe as forças, fê-lo cair em longa e perigosa enfermidade, e, quando a energia de uma constituição vigorosa o arrancou das bordas do túmulo, semelhante ao anjo rebelde, os toques belos e puros do seu gesto formoso e varonil transpareciam-lhe a custo através do véu de muda tristeza que lhe entenebrecia a fronte. O cedro pendia fulminado pelo fogo do céu.

Educado na crença viva daqueles tempos; naturalmente religioso porque poeta, foi procurar abrigo e consolações aos pés d’Aquele cujos braços estão sempre abertos para receber o desgraçado que neles vai buscar o derradeiro refúgio. Ao cabo das grandezas cortesãs, o pobre gardingo encontrara a morte do espírito, o desengano do mundo. A cabo da estreita senda da cruz, acharia ele, porventura, a vida e o repouso íntimos?

O moço presbítero, legando à catedral uma porção dos senhorios que herdara juntamente com a espada conquistadora de seus avós, havia reservado apenas uma parte das próprias riquezas. Era esta a herança dos miseráveis, que ele sabia não escassearem na quase solitária e meia arruinada Carteia.
(Alexandre Herculano. Eurico, o presbítero, 1988)

1 gardingo: nobre visigodo que exercia altas funções na corte dos príncipes
2 tiufado: o comandante de uma tropa de mil soldados, no exército godo
3 milenário: seguidor da crença de que a segunda vinda de Cristo se daria no ano 1000
4 prócer: indivíduo importante, influente; magnata

No trecho – A ingratidão de Hermengarda, que parecera ceder sem resistência à vontade de seu pai... (1° parágrafo) –, mantém-se a expressão em destaque inalterada, com o uso do acento indicativo da crase, se o verbo “ceder” for substituído por

A) Atender.
B) Concordar.              
C) Discordar.       
D) Afastar-se.          
E) Contestar.

Questão 07
Leia.

Sinais
Por milênios o homem foi caçador. Durante inúmeras perseguições, ele aprendeu a reconstruir as formas e movimentos das presas invisíveis pelas pegadas na lama, ramos quebrados, bolotas de esterco, tufos de pêlos, plumas emaranhadas, odores estagnados. Aprendeu a farejar, registrar, interpretar e classificar pistas infinitesimais como fios de barba. Aprendeu a fazer operações mentais complexas com rapidez fulminante, no interior de um denso bosque ou numa clareira cheia de ciladas.

Gerações e gerações de caçadores enriqueceram e transmitiram esse patrimônio cognoscitivo. Na falta de uma documentação verbal para se pôr ao lado das pinturas rupestres e dos artefatos, podemos recorrer às narrativas de fábulas, que do saber daqueles remotos caçadores transmitem-nos às vezes um eco, mesmo que tardio e deformado. Três irmãos (narra uma fábula oriental, difundida entre os quirguizes, tártaros, hebreus, turcos...) encontram um homem que perdeu um camelo – ou, em outras variantes, um cavalo. Sem hesitar, descrevem-no para ele: é branco, cego de um olho, tem dois odres nas costas, um cheio de vinho, o outro cheio de óleo. Portanto, viram-no? Não, não o viram. Então são acusados de roubo e submetidos a julgamento. É, para os irmãos, o triunfo: num instante demonstram como, através de indícios mínimos, puderam reconstruir o aspecto de um animal que nunca viram.

Os três irmãos são evidentemente depositários de um saber de tipo venatório* (mesmo que não sejam descritos como caçadores). O que caracteriza esse saber é a capacidade de, a partir de dados aparentemente negligenciáveis, remontar a uma realidade complexa não experienciável diretamente. Pode-se acrescentar que esses dados são sempre dispostos pelo observador de modo tal a dar lugar a uma seqüência narrativa, cuja formulação mais simples poderia ser “alguém passou por lá”. Talvez a própria idéia de narração (distinta do sortilégio, do esconjuro ou da invocação) tenha nascido pela primeira vez numa sociedade de caçadores, a partir da experiência da decifração das pistas. O fato de que as figuras retóricas sobre as quais ainda hoje se funda a linguagem da decifração venatória – a parte pelo todo, o efeito pela causa – são reconduzíveis ao eixo narrativo da metonímia, com rigorosa exclusão da metáfora, reforçaria essa hipótese – obviamente indemonstrável. O caçador teria sido o primeiro a “narrar uma história” porque era o único capaz de ler, nas pistas mudas (se não imperceptíveis) deixadas pela presa, uma série coerente de eventos.
(GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais. S. Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 151–2.)
 
*Venatório: relativo à caça e seu universo.

Indique a alternativa que explicita a hipótese indemonstrável mencionada na antepenúltima linha do texto.

A) Os caçadores eram capazes de reconstituir uma realidade complexa a partir das histórias que ouviam.
B) As fábulas transmitiam histórias de caçadores e, por isso, apresentavam em geral decifrações de pistas.
C) A narração teve origem em uma sociedade de caçadores.
D) Os caçadores primitivos faziam operações mentais com grande rapidez.
E) Os caçadores tinham sucesso em sua empreitada porque sabiam contar histórias.

Questão 08
Para que se compreenda bem a maneira como são escolhidas e utilizadas as formas verbais nos enunciados da língua portuguesa, é importante que se leve em conta uma noção muito importante: o aspecto verbal. Nesse sentido, em “A própria filha do engenheiro residente da estrada de ferro, que VIVIA DESDENHANDO aquele lugarejo” a forma verbal destacada marca o aspecto:

A) Perfectivo momentâneo.
B) Perfectivo terminativo
C) Perfectivo incoativo.
D) Perfectivo resultativo.
E) Perfectivo cursivo

GABARITO
1
2. B
3
4
5
6.B
7
8


Novidade!

8º ano do Ensino Fundamental Língua Portuguesa

  QUESTÃO   1                                                              VALOR: 0,60                       NOTA:_______ Observe os três ...