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3ª SÉRIE - PROVA DE RECUPERAÇÃO FINAL DE LÍNGUA PORTUGUESA COM GABARITO

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 7.

Mundo caipira
Embaixo de uma árvore, a família senta ao redor da mesa para o café da tarde no quintal. Queijo da vizinhança, café da própria roça, bolo de banana feito em casa. A vida corre no seu tempo, na região do bairro Limoeiro, mas nem sempre foi assim. Após longos anos na cidade, a família optou por uma vida caipira. “Minha infância foi no sítio, sempre falei que queria voltar para essa paz, sossego e tranquilidade”, conta Mioko de Souza. Há dez anos eles compraram uma chácara e passavam os finais de semana no local. A mudança só ocorreu mesmo há três anos, após o filho sair do emprego e tomar a decisão de montar uma marcenaria no local.

No início, o marceneiro trabalhava na chácara e morava na cidade, até que decidiu levar a família para morar de vez na área rural. A transição não foi tão simples para a esposa. “Para mim foi mais difícil, porque eu larguei meu emprego e tive que abrir mão de tudo, comenta Kelly Nagahara. Na época, eles tinham uma filha (Hikari, hoje com dez anos) e esperavam outra (Estela, hoje com 3). “Então, comecei a fazer artesanato para vender, adotei o estilo de vida daqui e me adaptei bem. Hoje não me vejo mais morando na cidade”, revela.

Lá eles plantam diversas culturas por simples prazer, mas que traz retorno para o bolso e a saúde. Para o pai, Pedro de Souza, além das atividades de lazer, o universo rural trouxe de volta a paz que ele tanto sonhava. Apesar da rotina e costumes diferentes, a adaptação foi rápida. “Uma coisa muito característica da zona rural é a colaboração. Todos se conhecem e, mesmo que não se conheçam, as pessoas ajudam sem esperar nada em troca”, aponta Paulo Rodrigo.

Kelly também menciona que é preciso ter prazer, pois a distância tem suas desvantagens. “Não tem Uber, não dá para pedir pizza, mas eu comparo como se a gente vivesse em um bairro distante. Aqui a gente faz o pão, não pede pizza”, brinca. Em outros aspectos, aceita o ritmo e a responsabilidade de trabalhar com a natureza, um ritmo orientado pela mudança do ciclo dia e noite. “Eu não sabia mais o que era acordar sem despertador”, acrescenta.

São aspectos que validam essa vida mais autônoma e instintiva. Lá se trabalha muito, mas com muito respeito pelo que está ao redor e pela própria vida. “Aqui eu faço meus horários, às vezes trabalho até mais tarde. A vida rural nos proporciona estilo de vida mais espontâneo, você não se sente o tempo todo tendo que atender às expectativas da sociedade”, afirma.
(Adaptado de: TANE, Laís. Mundo caipira. Folha de Londrina, 3 e 4 ago. 2019. Folha mais, p. 2.)

QUESTÃO 1. Com base no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. Em “A vida corre no seu tempo, na região do bairro Limoeiro, mas nem sempre foi assim”, a forma verbal “corre” está sendo empregada em sentido figurado.
II. Em “Há dez anos eles compraram uma chácara e passavam os finais de semana no local”, o pronome “eles” faz referência ao termo “família”.
III. Em “Minha infância foi no sítio, sempre falei que queria voltar para essa paz, sossego e tranquilidade”, a partícula “que” é um pronome relativo com antecedente expresso.
IV. Em “Queijo da vizinhança, café da própria roça, bolo de banana feito em casa”, as vírgulas são em- pregadas para marcar uma enumeração de ações.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 2. Com base no texto, assinale a alternativa que substitui, corretamente, a expressão sublinhada no trecho: “No início, o marceneiro trabalhava na chácara e morava na cidade até que decidiu levar a família para morar de vez na área rural”.

a) De quando em quando.
b) De forma definitiva.
c) No tempo adequado.
d) De vez em quando.
e) Em lugar de.

QUESTÃO 3. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o objetivo do texto.

a) Alertar os leitores sobre as dificuldades e percalços vividos por aqueles que escolhem viver no campo.
b) Demonstrar e discutir os resultados de uma pesquisa sobre a vida na zona rural.
c) Denunciar a falta de adaptação e expectativas frustradas dos que migram da cidade para a roça.
d) Desmotivar as pessoas a buscarem um modo de vida longe dos grandes centros.
e) Enfatizar as vantagens em deixar o estresse da vida urbana para viver em contato com a natureza.

QUESTÃO 4. Em relação aos recursos linguístico-semânticos presentes no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. Em “Há dez anos eles compraram uma chácara”, o verbo “haver” é impessoal e pode ser substituído pela forma verbal “existir”, sem prejuízo de sentido.
II. Em “eu larguei meu emprego e tive que abrir mão de tudo”, a expressão “abrir mão” remete ao sentido de “enfrentar”.
III. Em “Então, comecei a fazer artesanato para vender”, o advérbio “então” manifesta uma circunstância temporal.
IV. Em “Para o pai, Pedro de Souza, além das atividades de lazer, o universo rural trouxe de volta a paz”, a expressão “além de (das)” reforça o caráter aditivo presente no período.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 5. Em relação aos recursos linguístico-semânticos presentes no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. Em “Hoje não me vejo mais morando na cidade”, o emprego da próclise é obrigatório.
II. Em “Após longos anos na cidade”, o adjetivo anteposto “longos” tem valor subjetivo.
III. Em “É preciso ter prazer, pois a distância tem suas desvantagens”, a conjunção “pois” justifica a ideia expressa na oração anterior.
IV. Em “adotei o estilo de vida daqui e me adaptei bem”, o advérbio “bem” modifica a forma verbal “adotei”, atribuindo-lhe circunstância de lugar.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 6. Em relação ao sentido da expressão “A vida corre no seu tempo”, considere as afirmativas a seguir.

I. A vida no campo restringe a liberdade de ação e limita o tempo útil de seus moradores.
II. Habitantes da zona rural precisam correr contra o relógio para dar conta de todas as suas obrigações.
III. Quem mora na roça tem maior liberdade de horários em virtude do modo de vida rural.
IV. No campo, a marcação do dia e da noite não segue o mesmo ritmo dos grandes centros. 

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 7. Assinale a alternativa que traz o ditado popular correspondente à seguinte reelaboração textual: “as pessoas ajudam sem esperar nada em troca”.

a) A ocasião faz o ladrão.
b) Amigos, amigos, negócios à parte.
c) Faça o bem sem olhar a quem.
d) O que os olhos não veem, o coração não sente.
e) Deus ajuda a quem cedo madruga.

Leia o texto a seguir e responda às questões de 8 a 12.

O humor e o poder
Ao fazer do limão uma limonada, a personagem Alice Segretto se tornou uma das mais prestigiadas empreendedoras do ramo adulto e protagonista de uma das franquias mais populares e rentáveis do cinema brasileiro: De Pernas pro Ar. Sua intérprete, a atriz Ingrid Guimarães, não se conteve somente em ficar atrás das câmeras e – no terceiro filme da série – colaborou com o roteiro da nova produção.

A história de uma mulher que perde o chão, o emprego e o parceiro, que encontra o sucesso em uma jornada de ousadia, alegria e autoconhecimento, acaba servindo de exemplo para uma nova geração de mulheres que se orgulha de suas conquistas em um novo mundo de possibilidades.

Ingrid conversa com esse novo mundo por meio de uma história que poderia parecer clichê, a de uma mulher que abandona a carreira de sucesso para voltar a atenção à família. Mas que acaba com o orgulho ferido pelo surgimento de Leona (Samya Pascotto), uma garota inovadora que surge como possível concorrente nos negócios e na vida, já que passa a namorar seu filho. Só que, mais que mostrar duas mulheres competindo por holofotes e atenção, a artista dá o pulo do gato: com a colaboração de Samya e a direção de Júlia Rezende (a primeira diretora da franquia), Ingrid faz um filme que foge dos clichês, e traz novos conceitos de equidade para arrancar – mas com muito prazer – gargalhadas da audiência.
(Adaptado de: JANUARIO, Henrique. O humor e o poder. Revista Monet. São Paulo: nº 196, p. 36, jul. 2019).

QUESTÃO 8. Leia o texto a seguir.

“A história de uma mulher que perde o chão, o emprego e o parceiro, que encontra o sucesso em uma jornada de ousadia, alegria e autoconhecimento, acaba servindo de exemplo para uma nova geração de mulheres que se orgulha de suas conquistas em um novo mundo de possibilidades”.
No texto, a partícula “que” exerce, respectivamente, as seguintes funções.

a) Conjunção subordinativa, pronome relativo, pronome relativo.
b) Pronome relativo, conjunção coordenativa, pronome relativo.
c) Pronome relativo, conjunção subordinativa, pronome relativo.
d) Pronome relativo, pronome relativo, conjunção coordenativa.
e) Pronome relativo, pronome relativo, pronome relativo.

QUESTÃO 9. Em relação aos recursos linguístico-semânticos presentes no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. Em “um filme que foge dos clichês”, a palavra “clichê” remete ao sentido de “lugar-comum”.
II. Em “possível concorrente nos negócios e na vida, já que passa a namorar seu filho”, a locução “já que” apresenta o sentido de “dado que”.
III. Em “protagonista de uma das franquias mais populares” e “possível concorrente nos negócios e na vida”, as palavras “protagonista” e “concorrente” são empregadas como antônimas.
IV. Em “uma das franquias mais populares” e “novos conceitos de equidade”, as palavras “franquias” e “equidade” são empregadas como sinônimas.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 10. Leia o trecho a seguir.

“Ao fazer do limão uma limonada, a personagem Alice Segretto se tornou uma das mais prestigiadas empreendedoras do ramo adulto”
Com base no texto, atribua V (para as expressões que definem) e F (para as expressões que não definem) o que sugere a máxima “fazer do limão uma limonada”.

( ) Dar a volta por cima.
( ) Terceirizar o problema. 
( ) Encarar os desafios.
( ) Superar os obstáculos.
( ) Deixar-se abater.

Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.

a) V, V, V, F, F.
b) V, F, V, V, F. 
c) F, V, V, V, F.
d) F, F, V, V, V.
e) V, F, F, V, V.

QUESTÃO 11. Em relação à correta interpretação da expressão “dar o pulo do gato”, considere as afirmativas a seguir.

I. Utiliza-se de estratégia inusitada para alcançar um objetivo.
II. Adota medidas extremas para atingir metas inalcançáveis.
III. Apropria-se de descobertas alheias em benefício próprio.
IV. Vai além do esperado, explorando os limites de si mesmo. 

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 12. Com base nas expressões empregadas no texto, assinale a alternativa que agrega o sentido relativo ao “sentimento de experimentar algum tipo de fracasso ou humilhação”.

a) Conceito de equidade.
b) De Pernas pro Ar.
c) Garota inovadora.
d) Jornada de ousadia.
e) Orgulho ferido.

QUESTÃO 13. Leia a charge a seguir.

(Fonte: núcleo do conhecimento. Acesso em: 15 ago. 2019.)

Assinale a alternativa que indica a que âmbitos das diferenças brasileiras a charge se refere.

a) Linguístico e folclórico.
b) Étnico e religioso.
c) Econômico e literário.
d) Lexical e regional.
e) Geográfico e econômico.

Leia o texto a seguir e responda às questões de 14 a 19.

Obras de Portinari reunidas e on-line
Os incêndios registrados em museus, nos últimos anos, levaram os brasileiros a refletirem sobre o valor dos acervos mantidos por essas instituições e sobre a necessidade de preservá-los para as gerações futuras. Cerca de 5 mil obras de arte e 15 mil cartas e documentos do artista brasileiro Cândido Porti- nari, que estão espalhados em coleções particulares em todas as partes do mundo, foram digitalizados e lançados na plataforma Google Arts & Culture. Pela ferramenta, também é possível fazer uma visita em realidade virtual de 360◦ à casa do artista.

Dez das obras de Portinari foram capturadas em altíssima resolução (gigapixel), pela Google Art Ca- mera, de forma que é possível se aproximar da imagem e enxergá-la nos mínimos detalhes. Até mesmo as pinceladas do artista podem ser percebidas nas imagens. Entre as obras capturadas estão o famoso “Mestiço” (1934), “Lavrador de Café” (1934) e “Café” (1935).

O filho de Cândido Portinari, João Cândido Portinari, esteve presente no evento de lançamento da re- trospectiva do artista na plataforma da Google. “Nesses 40 anos, quando começamos, não tínhamos ideia do paradeiro da maioria das obras. Foi um trabalho de formiguinha que durou 25 anos”, conta Portinari. Segundo ele, 95% das obras do pai estão em coleções particulares, inacessíveis ao público. “É um paradoxo você ter um pintor que pintou para o povo brasileiro e esse povo não ter acesso às suas obras”.

Cerca de 500 dos principais itens da Pinacoteca de São Paulo – local onde “mora” uma das principais obras de Portinari, o “Mestiço” – estão disponíveis na Google Arts & Culture. Paulo Vicelli, diretor de Relações Institucionais da Pinacoteca, vê a tecnologia como uma ferramenta de engajamento virtual com o público, especialmente aquele formado pelas novas gerações. Além da digitalização do acervo, a instituição também tem uma Inteligência Artificial – o Watson, da IBM –, que responde às perguntas dos visitantes sobre suas obras, um aplicativo e uma conta no Spotify, com playlists sugeridas pela Pi- nacoteca.

“São ferramentas que ajudam o visitante, sobretudo o da geração millennial, a entender o museu a partir dos seus olhos e do seu dia a dia. É o que sempre digo: não adianta eu pregar para convertido”. Em cerca de cinco anos, a instituição viu o número de visitantes saltar de cerca de 300 mil para 500 mil ao ano.

(Adaptado de: CHIBA, Mie Francine. Obras de Portinari reunidas e on-line. Folha de Londrina, 13 jun. 2019, Economia e Negócios, p. 4.)
QUESTÃO 14. Sobre os recursos linguístico-semânticos presentes no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. Em “é possível fazer uma visita em realidade virtual de 360◦ à casa do artista”, a crase foi empregada porque a palavra “casa” está especificada.
II. Em “foi um trabalho de formiguinha”, a expressão grifada remete ao sentido de paciência e obstina- ção.
III. Em “a necessidade de preservá-los para as gerações futuras”, o adjetivo “futuras” está sendo empre- gado em sentido denotativo.
IV. Em “foram capturadas em altíssima resolução”, temos um superlativo absoluto analítico. 

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 15. Assinale a alternativa que explica corretamente o trecho “Não adianta eu pregar para convertido”.

a) Nem sempre os museus são atrativos ao público em geral.
b) Quem visita museus não está interessado em explanações.
c) Cabe aos pais desenvolverem nos filhos o interesse pelos museus.
d) É preciso propagar os museus para quem não costuma visitá-los.
e) Visitar museus, atualmente, tornou-se uma atividade enfadonha.

QUESTÃO 16. No texto, alguns elementos linguísticos fazem a retomada de um termo já citado, como é o caso do pronome “os” em “a necessidade de preservá-los”; o pronome “a” em “enxergá-la nos mínimos detalhes”; e do pronome “suas” em “acesso às suas obras”.

Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, os referentes linguísticos dos elementos sublinhados.

a) Acervos; imagem; Cândido Portinari.
b) Acervos; resolução, Google Art Camera.
c) Museus; casa do artista; curadores e especialistas.
d) Museus; resolução; curadores e especialistas.
e) Últimos anos; resolução; Cândido Portinari.

QUESTÃO 17. Com base no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. Em “É um paradoxo você ter um pintor que pintou para o povo brasileiro”, a palavra “paradoxo” remete aos sentidos de “lástima” e “tristeza”.
II. Em “local onde ‘mora’ uma das principais obras de Portinari”, a forma verbal “mora” aparece entre aspas porque está sendo usada em um sentido fora do habitual.
III. Em “O filho de Cândido Portinari, João Cândido Portinari, esteve presente no evento”, as vírgulas separam um aposto.
IV. Em “Até mesmo as pinceladas do artista podem ser percebidas”, a expressão “até mesmo” pode ser substituída por “inclusive”, sem alteração de sentido do texto.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 18. Leia o trecho a seguir.
“Cerca de 5 mil obras de arte e 15 mil cartas e documentos do artista brasileiro Cândido Portinari, que estão espalhados em coleções particulares em todas as partes do mundo, foram digitalizados e lançados na plataforma Google Arts & Culture”.

Quanto à classificação da oração entre vírgulas, assinale a alternativa correta.

a) Classifica-se como oração subordinada adjetiva explicativa.
b) Classifica-se como oração subordinada adverbial causal.
c) Categoriza-se como oração coordenada sindética conclusiva.
d) É uma oração subordinada adjetiva restritiva.
e) Trata-se de oração subordinada adverbial consecutiva.

QUESTÃO 19. Com base no que se pode inferir do trecho “geração millennial”, considere as afirmativas a seguir.

I. Geração digital.
II. Geração paz e amor.
III. Geração Baby Boomer.
IV. Geração da Internet.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 20. Leia a charge a seguir.

Com base no que o autor da charge pretende, considere as afirmativas a seguir.

I. Enfatizar as escolhas linguísticas de uma determinada região e que configuram a linguagem oral.
II. Caracterizar os neologismos na língua portuguesa, descartando a informalidade do texto.
III. Demonstrar as diferentes esferas sociais de uso da língua, considerando os diferentes contextos.
IV. Evidenciar a necessidade de adequação da língua às variadas situações de comunicação.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

LITERATURA

QUESTÃO 21. Sobre a obra Laços de família, de Clarice Lispector, assinale a alternativa correta.

a) Prevalecem personagens femininas que, apoiadas pelos condicionamentos religiosos, se opõem às forças desagregadoras dos vínculos familiares.
b) Predominam cenas em que as personagens cedem a desejos e instintos sexuais, sem, contudo, comprometer a solidez familiar.
c) Prevalecem narrações de episódios que focalizam os êxitos do convívio familiar pautado na expressão do afeto e na felicidade.
d) Sobressaem os enfoques de atritos, ressentimentos e discussões ásperas entre membros da mesma família, o que conduz a desfechos trágicos.
e) Sobressaem conflitos vividos por uma ou mais personagens de cada conto que são agravados pelas dificuldades nos relacionamentos familiares.

QUESTÃO 22. Leia o texto a seguir.

O rei da vela somente em 1967 enfrentou a prova decisiva da encenação, demonstrando que trinta anos não foram suficientes para amortecer o seu altíssimo teor explosivo, tornado ainda mais atual, em seu agressivo vanguardismo político e estético, pelas últimas experiências da dramaturgia moderna.

(COUTINHO, A. (Organização). A literatura no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio; Niterói: UFF, 1986. vol. 6. p. 33.)

Com base no texto do crítico Décio de Almeida Prado sobre O rei da vela, de Oswald de Andrade, assinale a alternativa correta.

a) As inovações políticas e estéticas de O rei da vela, assim como “seu altíssimo teor explosivo”, permaneceram desde os anos 1930 até a encenação em 1967.
b) Quando O rei da vela foi escrito para o teatro, a peça era desprovida do caráter exaltado proporcionado pela encenação mais recente e experimental.
c) O crítico reconhece que a agressividade da peça O rei da vela, antes depreciada, pôde ser, enfim, compreendida pelo público décadas após seu lançamento nos anos 1930.
d) O traço vanguardista da dramaturgia dos anos 1960 foi insuficiente para moderar o discurso explosivo de O rei da vela, em descompasso com as orientações modernistas.
e) O uso do termo “amortecer” caracteriza a trajetória da carreira de Oswald, que, ao encenar O rei da vela, em 1967, já produzia textos politicamente mais serenos.

QUESTÃO 23. Leia o texto a seguir.

... Fui na sapataria retirar os papeis. Um sapateiro perguntou-me se o meu livro é comunista. Respondi que é realista. Ele disse-me que não é aconselhável escrever a realidade.
(JESUS, C. M. de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 108.)

Com base no trecho do romance Quarto de despejo e na leitura integral da obra, considere as afirmativas a seguir.

I. A pergunta do sapateiro leva em consideração o contato com a autora e o conhecimento dos proble- mas sociais da favela.
II. A resposta da autora revela a forte identidade, tantas vezes reiterada no livro, que ela vê entre sua obra e a narrativa do final do século XIX.
III. A réplica do sapateiro aponta para a noção de que a realidade contém uma multiplicidade de perspectivas a serem aproveitadas na escrita.
IV. Embora a observação do sapateiro fique sem a resposta da autora, a leitura do diário torna claras as divergências entre ambos.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 24. No que se refere a livros como O rei da vela e Quarto de despejo, assinale a alternativa correta.

a) Ambos têm vínculo predominante com o gênero dramático pelos componentes de violência em cada obra.
b) Ambos têm vínculo predominante com o gênero dramático pelas passagens cômicas em cada obra.
c) O rei da vela liga-se ao gênero dramático, enquanto Quarto de despejo tem componentes narrativos, mesmo possuindo a estrutura de diário.
d) Ambos têm vínculo predominante com o gênero narrativo, pois um narrador relata acontecimentos fictícios vividos por personagens.
e) O rei da vela tem vínculo com o gênero narrativo, pelo relato de acontecimentos, enquanto Quarto de despejo tem vínculo mais expressivo com o gênero lírico.

QUESTÃO 25. Leia o texto a seguir.

... Eu estava pagando o sapateiro e conversando com um preto que estava lendo um jornal. Ele estava revoltado com um guarda civil que espancou um preto e amarrou numa arvore. O guarda civil é branco. E há certos brancos que transforma preto em bode expiatorio. Quem sabe se guarda civil ignora que já foi extinta a escravidão e ainda estamos no regime da chibata?
(JESUS, C. M. de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 108.)

Com base no trecho do romance Quarto de despejo e na leitura integral da obra, considere as afirmativas a seguir.

I. A referência ao rapaz que lia o jornal traz à tona o desrespeito e as ameaças constantes a pobres e negros por parte da força policial e das autoridades.
II. A leitura do jornal e a consequente revolta com a notícia indicam uma postura crítica observada também em outras passagens do diário.
III. A cor da pele do guarda e do rapaz espancado é um detalhe minimizado e insignificante, no episódio e em outras passagens, segundo a visão da autora.
IV. A transformação do negro espancado em bode expiatório corresponde à presunção de inocência daquele grupo étnico e à condição de vítima vivida pelos brancos.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

QUESTÃO 26. Leia o texto a seguir.

A I. separou-se do esposo e está morando com a Zefa. O esposo dela encontrou ela com o primo. Agora 
I. veio comercializar o seu corpo, na presença do esposo. Penso: a mulher que separa-se do esposo não deve prostituir-se. Deve procurar um emprego. A prostituição é a derrota moral de uma mulher. É como um edifício que desaba. Mas tem mulher que não quer ser só de um homem. Quer ser dos homens. É uma unica dama, dançando quadrilha com varios homens. Sai dos braços de um, vai para os braços de outro.
(JESUS, C. M. de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 127.)

Com base no trecho do romance Quarto de despejo, assinale a alternativa correta.

a) A autora expõe atitude compreensiva com a prostituição, embora no episódio se registre a insatisfação com os passos da mulher citada.
b) As imagens do edifício e da quadrilha representam o potencial de liberdade, valorizado pela autora, como recurso da mulher.
c) O contraste entre trabalho e prostituição, como alternativas para a mulher, indica a atenção da autora com a independência feminina.
d) O trecho demonstra que a autora discorda da ideia de uma mulher requerer separação, a despeito dos motivos que a levaram a isso.
e) Percebe-se, no trecho, a cumplicidade da autora com as dificuldades da vida feminina, a partir da adesão da autora à liberdade de decisões.

QUESTÃO 27. Leia o poema a seguir.

tem os que passam e tudo se passa
com passos já passados
tem os que partem da pedra ao vidro deixam tudo partido
e tem, ainda bem, os que deixam
a vaga impressão de ter ficado
(RUIZ S., Alice. Dois em um. 5. reimp. São Paulo: Iluminuras, 2008. p. 24.)

Com base na leitura do poema, assinale a alternativa correta.

a) O verbo passar, nos dois primeiros versos, tem o mesmo sentido.
b) O terceiro verso reforça o caráter marcante de seres do passado no poema.
c) O impacto do partir é exaltado na segunda estrofe como o efeito preferido pelo sujeito lírico no poema.
d) A forma verbal “deixam” na segunda e na terceira estrofe está no presente para enfatizar a predominância desse tempo sobre passado e futuro.
e) A última estrofe aponta para a relevância da permanência, ainda que haja incerteza em torno dela.

QUESTÃO 28. Leia o poema a seguir.

a gente é só amigo e de repente
eu bem podia ser essa mosca
perto do teu umbigo
(RUIZ S., Alice. Dois em um. 5. reimp. São Paulo: Iluminuras, 2008. p. 134.)
Com base na leitura do poema, considere as afirmativas a seguir.

I. A irreverência, marca também da poesia marginal dos anos 1970, é ilustrada, no poema, pela imagem da mosca.
II. Há uma flutuação nas formas com que se pensam amizade e amor, sem preservar fronteiras rígidas entre os relacionamentos.
III. O coloquialismo na linguagem está em harmonia com a noção de liberdade que atravessa esse poema e outros do livro.
IV. As rimas do poema indicam a coexistência do escatológico com o lirismo tradicional, sem recorrer à subjetividade.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Leia o trecho a seguir, extraído do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, e responda às questões 29 e 30.

LXXI - O SENÃO DO LIVRO

Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...

– E caem! – Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair.
(ASSIS, M. de. Memórias póstumas de Brás Cubas. 18. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 103.)

QUESTÃO 29. Com base na leitura do trecho e do romance, assinale a alternativa correta.

a) O livro mencionado é uma leitura que Brás Cubas demora a concluir, no decorrer do romance.
b) Os “magros capítulos” confirmam a estrutura do romance: há muitos capítulos breves, que fragmentam a narrativa.
c) O enfado gerado pelo livro está em consonância com a “narração direita e nutrida”, o que o autor julga serem as expectativas do leitor.
d) A referência à eternidade corresponde à expectativa de que o livro dará ao autor a glória literária, mesmo após a morte.
e) A lentidão do livro remete à disposição do autor das memórias para satisfazer as demandas do leitor.

QUESTÃO 30. Com base na leitura do trecho e do romance, considere as afirmativas a seguir.

I. No trecho “se eu tivesse olhos”, há uma ironia do autor das memórias quanto a seu estado no mo- mento em que as redige.
II. A “lágrima da saudade” é uma expressão tipicamente romântica, cuja inviabilidade é, em seguida, ressaltada no trecho.
III. O trecho “não deixa olhos para chorar...” remete à superação do sentimentalismo romântico, emble- mática deste romance de Machado.
IV. A passagem “se não deixa boca para rir”, vista como ganho propiciado pela morte, alude à perma- nência da vocação sombria no realismo machadiano.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Romantismo no Brasil - exercícios com gabarito

1. (UFRS) 
Considere as afirmações abaixo sobre o Romantismo no Brasil.

I. A primeira geração de poetas românticos no Brasil caracterizou-se pela ênfase no sentimento nacionalista, tematizando o índio, a natureza e o amor à pátria.
II. Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, representantes da segunda geração da poesia romântica, expressam, sobretudo, um forte intimismo.
III. A poesia de Castro Alves, cronologicamente inserida na terceira geração romântica, apresenta importantes ligações com a estética barroca, pela religiosidade e o tom místico da maioria dos poemas.
Quais estão corretas?
A) Apenas II.
B) Apenas I e II.
C) Apenas II e III.
D) I, II e III.
E) Apenas I.

2. (Fuvest) 

Poderíamos sintetizar uma das características do Romantismo pela seguinte aproximação de opostos:
A) Aparentemente idealista, foi, na realidade, o primeiro momento do Naturalismo Literário.
B) Cultivando o passado, procurou formas de compreender e explicar o presente.
C) Pregando a liberdade formal, manteve-se preso aos modelos legados pelos clássicos.
D) Embora marcado por tendências liberais, opôs-se ao nacionalismo político.
E) Voltado para temas nacionalistas, desinteressou-se do elemento exótico, incompatível com a exaltação da pátria.

3. (Fuvest) “Teu romantismo bebo, ó minha lua,

A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso… e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.”
(Álvares de Azevedo, “Luar de verão”, Lira dos vinte anos)

Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a:
A) Ironia romântica.
B) Tendência romântica ao misticismo.
C) Melancolia romântica.
D) Aversão dos românticos à natureza.
E) Fuga romântica para o sonho.

04. (UNIFESP)
A veia humorística do poeta romântico Álvares de Azevedo (1831-1852) está exemplificada nos versos:

A) Feliz daquele que no livro d’alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!

B) Coração, por que tremes? Vejo a morte,
Ali vem lazarenta e desdentada...
Que noiva!... E devo então dormir com ela?...
Se ela ao menos dormisse mascarada!

C) E eu amo as flores e o doce ar mimoso Do amanhecer da serra
E o céu azul e o manto nebuloso
Do céu da minha terra!

D) Quando falo contigo, no meu peito Esquece-me esta dor que me consome:
Talvez corre o prazer nas fibras d’alma:
E eu ouso ainda murmurar teu nome!

E) Quando, à noite, no leito perfumado
Lânguida fronte no sonhar reclinas,
No vapor da ilusão por que te orvalha
Pranto de amor as pálpebras divinas?

 05. (UNESP)

Ultrapassando o nível modesto dos predecessores e demonstrando capacidade narrativa bem mais definida, a obra romanesca deste autor é bastante ambiciosa. A partir de certa altura, este autor pretendeu abranger com ela, sistematicamente, os diversos aspectos do país no tempo e no espaço, por meio de narrativas sobre os costumes urbanos, sobre as regiões, sobre o índio. Para pôr em prática esse projeto, quis forjar um estilo novo, adequado aos temas e baseado numa linguagem que, sem perder a correção gramatical, se aproximasse da maneira brasileira de falar. Ao fazer isso, estava tocando o nó do problema (caro aos românticos) da independência estética em relação a Portugal. Com efeito, caberia aos escritores não apenas focalizar a realidade brasileira, privilegiando as diferenças patentes na natureza e na população, mas elaborar a expressão que correspondesse à diferenciação linguística que nos ia distinguindo cada vez mais dos portugueses, numa grande aventura dentro da mesma língua.
(Antonio Candido. O romantismo no Brasil, 2002. Adaptado.)

O comentário do crítico Antonio Candido refere-se ao escritor
A) Raul Pompeia.
B)Manuel Antônio de Almeida.
C) José de Alencar.
D) Machado de Assis.
E) Aluísio Azevedo.

06. (UNIFESP) Caracterizou-o sempre um sincero amor pelas coisas de sua terra, pela sua gente, e se existe obra que possa ser chamada de brasileira, é a dele. Se seus assuntos eram o homem e a terra do Brasil, apanhados no Norte, no Sul, no Centro, a forma por que os explorava era também brasileira, pela sintaxe que empregava e pelos modismos que introduzia. O Brasil do campo e o das cidades está presente em sua obra, assim como o homem da sociedade, o homem da rua e o trabalhador rural. Abarcou os aspectos mais variados da nossa sensibilidade e da nossa formação, constituindo sua obra um painel a que nada falta, inclusive o índio, que nela tem participação considerável.
(José Paulo Paes e Massaud Moisés (orgs). Pequeno dicionário de literatura brasileira, 1980. Adaptado.)
Tal comentário refere-se ao escritor
A) Manuel Antônio de Almeida.
B) José de Alencar.
C) Aluísio Azevedo.
D) Guimarães Rosa.
E) Machado de Assis.

07. (UNESP) Outro traço importante da poesia de Álvares de Azevedo é o gosto pelo prosaísmo e o humor, que formam a vertente para nós mais moderna do Romantismo. A sua obra é a mais variada e complexa no quadro da nossa poesia romântica; mas a imagem tradicional de poeta sofredor e desesperado atrapalhou a reconhecer a importância de sua veia humorística.
(Antonio Candido. “Prefácio”. In: Álvares de Azevedo. Melhores poemas, 2003. Adaptado.)

A veia humorística ressaltada pelo crítico Antonio Candido na poesia de Álvares de Azevedo está bem exemplificada em:

A) Cavaleiro das armas escuras, Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

B) Ontem tinha chovido... Que desgraça!
Eu ia a trote inglês ardendo em chama,
Mas lá vai senão quando uma carroça
Minhas roupas tafuis encheu de lama...

C) Pálida, à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

D) Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

E) Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

08. (UNIFAE)

Por mais que o mundo aclame os vãos triunfadores,
Os que passam cantando e os que passam ovantes1,
Os que entre a multidão vão como uns hierofantes2,
E os que repartem d’alto, augustos julgadores,
Às turbas3 o favor e os desdéns cruciantes,
Não há glória ou poder, cousa que o mundo aclame,
Igual à morte obscura, erma, vil, impotente,
D’um homem justo e bom, que expira injustamente
Na miséria, no exílio, ou em cárcere infame,
Mas que aplaude a consciência – e que morre contente!
(Antero de Quental. Antologia, 1991.)
1 ovante: triunfante, vitorioso.
2 hierofante: guia, guru.
3 turba: multidão.


No poema, o eu lírico coloca-se a favor do homem que

A) Comparativo, sendo que o eu lírico ora dá voz a um pensamento racional e ora ao metafísico e desconhecido, cindindo-se.
B) Reflexivo, formalizando uma poesia que traduz as inquietações do eu lírico diante das injustiças existentes no mundo.
C) Idealizador, pois o eu lírico reconhece a impossibilidade própria de lutar e transformar a sociedade em que vive.
D) Ambíguo, buscando formalizar uma poesia em que o eu lírico assume um papel apostolar e ensimesmado.
E) Subjetivo, uma vez que cultiva uma poesia transcendental como forma de entender-se e de aceitar o mundo onde vive.

09. (CESMAC)
José de Alencar é um dos patriarcas da literatura brasileira. Sua obra vai do ensaio ao drama, da crônica ao romance urbano, do romance indigenista, passando pelo romance histórico aos tratados sobre política. Sobre os seus romances indigenistas — Iracema, O Guarani e Ubirajara —, é correto afirmar que:

A) Se passam no século XIX.
B) Em O Guarani, os protagonistas são Ceci e Peri.
C) Iracema tem como subtítulo “uma lenda alagoana”.
D) Em todos os romances indigenistas é forte a presença do negro.
E) Têm como cenários terras do Xingu.

10. (CESMAC)
O Romantismo brasileiro se distinguiu, em relação a outros períodos da literatura nacional, pois:

A) Fugia, em seus folhetins, comuns na época, ao interesse pelo romance urbano e às críticas à sociedade da época.
B) Defendia o nacionalismo, inclusivamente na valorização da natureza, da cultura e da língua portuguesa em uso no Brasil.
C) Desvalorizou a opção pelo romance regionalista, o qual preferia tramas, cenários e personagens próprios de diferentes regiões.
D) Afirmava a superioridade da observação de aspectos objetivos da realidade, descartando, então, as impressões subjetivas.
E) Foi influenciado pelo determinismo social, segundo o qual o ser humano – em ações, personalidade e condições de vida – seria produto do meio social.

Gabarito
1.C
2.B
3.A
4.B
5.C
6.C
7.B
8.C
9.B
10.B






Ensino médio - avaliação de português com gabarito

Questão 01
“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”

Marque a alternativa que aponta a característica do Romantismo presente no fragmento do Romance “Iracema”, de José de Alencar.

A) Idealização da personagem mediante a associação entre aspectos humanos e elementos da natureza.
B) Valorização do regionalismo por meio do registro de palavras e expressões típicas do vocabulário regional.
C) Enaltecimento do indígena com o emprego do locus amoenus exigível em cenas da natureza das narrativas clássicas.
D) Empoderamento de minorias marginalizadas por meio da escolha de uma mulher morena e indígena para o protagonismo da narrativa.
E) Reflexão crítica sobre a formação do povo brasileiro mediante a identificação de uma mulher como verdadeira representante de nossas origens indígenas.

Questão 02
Leia.
Meu sonho

Eu,
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
(...)
Cavaleiro, quem és? − que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?

O FANTASMA
Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!...
(Álvares de Azevedo)

(...) Sobretudo se nos reportarmos ao título: o sujeito do enunciado estaria descrevendo um sonho, onde se vê a angústia devida à frustração das aspirações, corporificada num cavaleiro que galopa pelo reino da morte.
(Na Sala de Aula – Caderno de Análise Literária, de Antonio Candido, Editora Ática, Série Fundamentos, 1989, p. 39)

Considere o fragmento do poeta Álvares de Azevedo, o período literário em que ele está inserido e o comentário do crítico literário Antonio Candido. A partir das considerações, marque a afirmação incorreta.


A) Imagens como “noite assombrada” e “da morte no império” estão de acordo com o tom macabro da 2.ª geração do Romantismo no Brasil.
B) Segundo o crítico, a evasão no sonho para o eu lírico seria uma estratégia para atingir o mundo metafísico e compensar a existência desagradável.
C) A exacerbação das emoções e das paixões, típicas do movimento romântico, está evidente nas passagens “olhos ardentes” e “fogo do teu coração”.
D) A referência à morte é tema constante em Álvares de Azevedo; o desencanto da vida leva o indivíduo a querer antecipar seu fim existencial.
E) Antonio Candido fala do título do poema e da identificação do eu lírico com o sonho; o ser romântico é voltado para si próprio e para o mundo onírico, da fantasia.

Questão 03
Em relação à poesia do Romantismo brasileiro analise o esquema abaixo. Em seguida, analise as afirmações que constam nas alternativas.

Um quadro que dê conta da poesia romântica brasileira pode ser sintetizado conforme o seguinte esquema:
  • a 1ª. geração é chamada de ‘nacionalista ou indianista’;

  • a 2ª. geração é conhecida como a ‘ultrarromântica’;

  • a 3ª. geração é denominada de ‘condoreira’.
1) Os representantes da 1ª. geração escolheram como tema a natureza tropical, o patriotismo e o elemento indígena brasileiro.
2) Foi destaque entre os poetas da primeira geração, o poeta Gonçalves Dias, autor do conhecido poema Canção do Exílio.
3) Os representantes da 2ª. geração alimentaram uma visão pessimista da vida e da sociedade. Têm como expoentes Casimiro de Abreu e José de Alencar.
4) Os representantes da 3ª. geração destacaram-se por uma literatura de caráter social, que denunciava a desigualdade social e defendia a liberdade.
5) Na 3ª. geração, merece destaque o poeta Castro Alves, que, em seu poema Navio Negreiro critica com veemência a escravidão que imperava no Brasil.

Estão corretas as alternativas:

A) 1, 2, 3, 4 E 5
B) 1, 2, 4 E 5 apenas
C) 1, 3, 4 E 5 apenas
D) 2 E 3 apenas
E) 3 E 5 apenas

Questão 04
Leia. 
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.  Ser feliz por nada talvez seja isso.

MEDEIROS, Martha. Felicidade crônica. 15.ed. Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 86-87.

Determinadas categorias gramaticais podem produzir diferentes efeitos de sentido nos contextos em que estão inseridas, como é o caso dos verbos. Alguns deles, em tempos simples ou integrando uma locução verbal, podem denotar ideias ou “matizes” denominados aspectos.

Examine as alternativas e indique em qual delas o aspecto verbal está INCORRETAMENTE analisado:

A) No excerto “ter que responder ao mundo quais são suas qualidades” (l. 31-32), a expressão em destaque indica ideia de “obrigação” em relação ao que se é preciso fazer para ser feliz.
B) “De querer se adequar à sociedade” (l. 28) – O uso do infinito “querer”, no 6º parágrafo, traz para o contexto o valor semântico de “vontade”, sugerindo que essa adequação não é imposta, ao contrário, configura-se num desejo por parte do indivíduo.
C) Na linha 4, o trecho “Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo” apresenta o verbo auxiliar da locução verbal “costumo torcer” (l. 1-3), no presente do indicativo, com a ideia de “fato habitual, frequente”.
D) No fragmento “Mas não estando alegre, é possível ser feliz também.” (l. 17-18), com o verbo de ligação no gerúndio, pretende-se demonstrar a situação em curso como um aspecto concluído.
E) No 6º parágrafo, a forma verbal “sejamos” (l. 27), embora esteja conjugada no modo subjuntivo, no contexto, marca uma sugestão imperativa.

Questão 05. 
Enem (adaptado). Levando em conta o aspecto do verbo na frase: “crianças de oito anos podem manusear armas de fogo”, afirma-se que a forma verbal destacada está no presente

A) Momentâneo, pois se refere ao manuseio de armas no momento da fala.
B) Histórico, pois se refere a fatos sobre crimes ocorridos nos passado.
C) Frequentativo, pois se refere a um fato que se repete ao longo do tempo no noticiário criminal.
D) Universal, pois se refere à permissão do manuseio tida como uma verdade supostamente aceita por todos.
E) No lugar do futuro, pois a permissão para o manuseio de armas se dará em época próxima.

Questão 06
Leia.

O presbítero Eurico era o pastor da pobre paróquia de Carteia. Descendente de uma antiga família bárbara, gardingo1 na corte de Vítiza, depois de ter sido tiufado2 ou milenário3 do exército visigótico vivera os ligeiros dias da mocidade no meio dos deleites da opulenta Toletum. Rico, poderoso, gentil, o amor viera, apesar disso, quebrar a cadeia brilhante da sua felicidade. Namorado de Hermengarda, filha de Favila, duque de Cantábria, e irmã do valoroso e depois tão célebre Pelágio, o seu amor fora infeliz. O orgulhoso Favila não consentira que o menos nobre gardingo pusesse tão alto a mira dos seus desejos. Depois de mil provas de um afeto imenso, de uma paixão ardente, o moço guerreiro vira submergir todas as suas esperanças. Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia a que o mundo deu o nome de imaginações desregradas, porque não é para o mundo entendê-las. Desventurado, o seu coração de fogo queimou-lhe o viço da existência ao despertar dos sonhos do amor que o tinham embalado. A ingratidão de Hermengarda, que parecera ceder sem resistência à vontade de seu pai, e o orgulho insultuoso do velho dera em terra com aquele ânimo, que o aspecto da morte não seria capaz de abater. A melancolia que o devorava, consumindo-lhe as forças, fê-lo cair em longa e perigosa enfermidade, e, quando a energia de uma constituição vigorosa o arrancou das bordas do túmulo, semelhante ao anjo rebelde, os toques belos e puros do seu gesto formoso e varonil transpareciam-lhe a custo através do véu de muda tristeza que lhe entenebrecia a fronte. O cedro pendia fulminado pelo fogo do céu.

Educado na crença viva daqueles tempos; naturalmente religioso porque poeta, foi procurar abrigo e consolações aos pés d’Aquele cujos braços estão sempre abertos para receber o desgraçado que neles vai buscar o derradeiro refúgio. Ao cabo das grandezas cortesãs, o pobre gardingo encontrara a morte do espírito, o desengano do mundo. A cabo da estreita senda da cruz, acharia ele, porventura, a vida e o repouso íntimos?

O moço presbítero, legando à catedral uma porção dos senhorios que herdara juntamente com a espada conquistadora de seus avós, havia reservado apenas uma parte das próprias riquezas. Era esta a herança dos miseráveis, que ele sabia não escassearem na quase solitária e meia arruinada Carteia.
(Alexandre Herculano. Eurico, o presbítero, 1988)

1 gardingo: nobre visigodo que exercia altas funções na corte dos príncipes
2 tiufado: o comandante de uma tropa de mil soldados, no exército godo
3 milenário: seguidor da crença de que a segunda vinda de Cristo se daria no ano 1000
4 prócer: indivíduo importante, influente; magnata

No trecho – A ingratidão de Hermengarda, que parecera ceder sem resistência à vontade de seu pai... (1° parágrafo) –, mantém-se a expressão em destaque inalterada, com o uso do acento indicativo da crase, se o verbo “ceder” for substituído por

A) Atender.
B) Concordar.              
C) Discordar.       
D) Afastar-se.          
E) Contestar.

Questão 07
Leia.

Sinais
Por milênios o homem foi caçador. Durante inúmeras perseguições, ele aprendeu a reconstruir as formas e movimentos das presas invisíveis pelas pegadas na lama, ramos quebrados, bolotas de esterco, tufos de pêlos, plumas emaranhadas, odores estagnados. Aprendeu a farejar, registrar, interpretar e classificar pistas infinitesimais como fios de barba. Aprendeu a fazer operações mentais complexas com rapidez fulminante, no interior de um denso bosque ou numa clareira cheia de ciladas.

Gerações e gerações de caçadores enriqueceram e transmitiram esse patrimônio cognoscitivo. Na falta de uma documentação verbal para se pôr ao lado das pinturas rupestres e dos artefatos, podemos recorrer às narrativas de fábulas, que do saber daqueles remotos caçadores transmitem-nos às vezes um eco, mesmo que tardio e deformado. Três irmãos (narra uma fábula oriental, difundida entre os quirguizes, tártaros, hebreus, turcos...) encontram um homem que perdeu um camelo – ou, em outras variantes, um cavalo. Sem hesitar, descrevem-no para ele: é branco, cego de um olho, tem dois odres nas costas, um cheio de vinho, o outro cheio de óleo. Portanto, viram-no? Não, não o viram. Então são acusados de roubo e submetidos a julgamento. É, para os irmãos, o triunfo: num instante demonstram como, através de indícios mínimos, puderam reconstruir o aspecto de um animal que nunca viram.

Os três irmãos são evidentemente depositários de um saber de tipo venatório* (mesmo que não sejam descritos como caçadores). O que caracteriza esse saber é a capacidade de, a partir de dados aparentemente negligenciáveis, remontar a uma realidade complexa não experienciável diretamente. Pode-se acrescentar que esses dados são sempre dispostos pelo observador de modo tal a dar lugar a uma seqüência narrativa, cuja formulação mais simples poderia ser “alguém passou por lá”. Talvez a própria idéia de narração (distinta do sortilégio, do esconjuro ou da invocação) tenha nascido pela primeira vez numa sociedade de caçadores, a partir da experiência da decifração das pistas. O fato de que as figuras retóricas sobre as quais ainda hoje se funda a linguagem da decifração venatória – a parte pelo todo, o efeito pela causa – são reconduzíveis ao eixo narrativo da metonímia, com rigorosa exclusão da metáfora, reforçaria essa hipótese – obviamente indemonstrável. O caçador teria sido o primeiro a “narrar uma história” porque era o único capaz de ler, nas pistas mudas (se não imperceptíveis) deixadas pela presa, uma série coerente de eventos.
(GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais. S. Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 151–2.)
 
*Venatório: relativo à caça e seu universo.

Indique a alternativa que explicita a hipótese indemonstrável mencionada na antepenúltima linha do texto.

A) Os caçadores eram capazes de reconstituir uma realidade complexa a partir das histórias que ouviam.
B) As fábulas transmitiam histórias de caçadores e, por isso, apresentavam em geral decifrações de pistas.
C) A narração teve origem em uma sociedade de caçadores.
D) Os caçadores primitivos faziam operações mentais com grande rapidez.
E) Os caçadores tinham sucesso em sua empreitada porque sabiam contar histórias.

Questão 08
Para que se compreenda bem a maneira como são escolhidas e utilizadas as formas verbais nos enunciados da língua portuguesa, é importante que se leve em conta uma noção muito importante: o aspecto verbal. Nesse sentido, em “A própria filha do engenheiro residente da estrada de ferro, que VIVIA DESDENHANDO aquele lugarejo” a forma verbal destacada marca o aspecto:

A) Perfectivo momentâneo.
B) Perfectivo terminativo
C) Perfectivo incoativo.
D) Perfectivo resultativo.
E) Perfectivo cursivo

GABARITO
1
2. B
3
4
5
6.B
7
8


Novidade!

8º ano do Ensino Fundamental Língua Portuguesa

  QUESTÃO   1                                                              VALOR: 0,60                       NOTA:_______ Observe os três ...