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Poema ep. 1: Lamento de um órfão

Papai partiu, sem me despedir,
Foi para um lugar muito além daqui.
Com sua partida, uma lacuna ficou,
Contudo, nada neste mundo a eliminou.

Papai partiu para um lugar distante.
Hoje, por sua falta, eu me sinto no inferno de dante,
Rememorando angustiado
O nosso relacionamento que quis ficar no passado.

Papá partiu e só deixou saudade
A um filho órfão e desolado,
Que sabe que nada preencherá
O espaço num coração dilacerado.

Meu pai partiu e deixou emoção,
Risos nos lábios do filho
Que se lembra das noites em claro
Ouvindo causos misturado com ficção.

Meu “ai” partiu, mas ainda choro emocionado,
Desejando que ele estivesse do meu lado.
Nas alegrias, ele não está presente.
Nas tristezas, também,
Vejo que sem ele, eu me sinto ninguém.

Meu “i” partiu e certamente está num lugar separado,
Separado por Deus, conforme sacrifício do seu filho amado.
Porém, eu triste e a recordar, fecho esta poesia,
Crendo que iremos nos reencontrar um dia.

                       

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

7º ANO - PROVA DE LÍNGUA PORTUGESA COM GABARITO

Questão 01

Leia o trecho de uma crônica, atentando para o posicionamento do autor frente ao tema.

Leio na imprensa portuguesa que o grande dicionário em dois volumes da Academia das Ciências de Lisboa acaba de incorporar um novo lote de palavras “que passaram a fazer parte do léxico português”, entre elas criptomoeda, metaverso e podcast.

T rata-se de uma boa oportunidade para refletir sobre o papel dos dicionários na fixação de um vocabulário, digamos, chancelado, oficial Dicionário que fica parado cai na obsolescência, vira curiosidade de sebo.

 RODRIGUES, Sérgio. Dicionário que não se atualiza morre. Folha de S. Paulo, 7 jun. 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.  Acesso em: 22 jul. 2023 (adaptado). 

Ao ler o trecho da crônica, verifica-se que o autor

 

A) mostra-se favorável à atualização dos dicionários.

B) opõe-se ao uso de termos derivados de outros idiomas.

C) afirma que se devem usar apenas palavras chanceladas.

D) desaprova a inserção de palavras modernas ao dicionário.

 

Questão 02

Leia o texto, observando o argumento do autor.

A que filme assistir hoje? Ainda não sei, mas é bem provável que eu gaste boa parte do meu escasso tempo tentando encontrar o filme ideal.

Há várias razões para isto. Uma delas está ligada ao que o psicólogo norte-americano Barry Schwartz chamou de “paradoxo das escolhas”: diante de uma infinidade de opções disponíveis, criamos a ideia de que existe uma escolha perfeita; na busca deste ideal, tendemos a ficar frustrados após a tomada de decisão, nos questionando se não haveria outra opção melhor.

 FRANÇA, Vitor. Que filme ver hoje? Diário do Comércio, 26 maio 2023. Disponível em: https://dcomercio.com.br. Acesso em: 22 jul. 2023 (adaptado). 

No texto, ao mencionar o paradoxo das escolhas, o autor

 

A) explica por que se leva tanto tempo tentando encontrar um filme para assistir.

B) sugere que é melhor não assistir a filmes, para evitar a frustração de escolher um.

C) defende que não há escolha perfeita, portanto , deve-se optar por assistir a qualquer filme.

D) reforça a ideia de que é mais fácil escolher um filme se a decisão for delegada a outra pessoa.

 

Questão 03

Leia o texto, observando os meios pelos quais o autor defende seu argumento.

Em um país de dimensões continentais e realidades tão distintas, a educação não consegue chegar a todos da mesma forma. Atualmente, a modalidade EJA sofre com a evasão de alunos e profissionais de educação. De acordo com dados do Censo Escolar de 2021, foi registrada uma queda de 22% nas matrículas e 29 mil professores deixaram de dar aulas na EJA entre os anos de 2018 e 2021. Questões econômicas, dificuldades de acesso às escolas e a inadequação dos processos de aprendizagem à faixa etária são fatores que compõem esse triste retrato.   

 CIRILO, José Carlos. A lacuna educacional na juventude brasileira. Correio Brasiliense, 21 jul. 2023. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br. Acesso em: 22 jul. 2023 (adaptado). 

No texto, o autor se vale do Censo Escolar de 2021 para

 

A) indicar uma solução para a queda de matrículas.

B) demonstrar as dificuldades enfrentadas pela EJA.

C) fundamentar a tese de que a EJA deve ser encerrada.

D) opor-se à ideia de que a EJA lida com a falta de qualidade.

 

Questão 04

Leia o texto, observando o emprego de pronomes demonstrativos.

Os grandes escritórios da maior parte das cidades do mundo continuam vazios. O abandono desses espaços se deve, basicamente, à pandemia do coronavírus, que forçou as empresas a adotar o trabalho remoto de forma repentina. O sucesso foi amplamente festejado: a adaptação foi rápida e salvou milhões de empregos.

    PASTORE, José. A reversão do trabalho remoto. Correio Brasiliense, 7 jul. 2023. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br. Acesso em: 23 jul. 2023.  

Na passagem “O abandono desses espaços se deve, basicamente, à pandemia do coronavírus”, o pronome demonstrativo “desses” foi utilizado para se referir

 

A) ao mundo.

B) às cidades.

C) aos empregos.

D) aos escritórios.

 

Questão 05

Leio o texto, atentando para o emprego de pronomes possessivos.

O envelhecimento do mercado de trabalho está diretamente ligado ao ritmo mais lento do crescimento populacional do Brasil. Segundo o Censo Demográfico, o país viu sua população aumentar 6,5% entre 2010 e 2022, para 203 milhões de habitantes, quase 5 milhões a menos do que o esperado. A taxa média de expansão anual da população foi de apenas 0,52% no período – a menor em 150 anos [...].

 MATOS, Fábio. Por que o mercado de trabalho está envelhecendo e o que isso significa. Metrópoles, 21 jul. 2023. Disponível em: https://www.metropoles.com. Acesso em: 23 jul. 2023 (adaptado).  

No texto, o pronome possessivo “sua” estabelece relação de “população” com

 

A) o país (Brasil).

B) o envelhecimento.

C) o Censo Demográfico.

D) o mercado de trabalho.

 

Questão 06

Observe a tabela, atentando para as informações apresentadas.

TABELA de decomposição. Disponível em: http://www.gramadus.com.br. Acesso em: 28 jul. 2023. 

Ao ler a tabela, é possível verificar que

 

A) a s esponjas se decompõem mais rápido do que a corda de nylon. 

B) os chicletes são os produtos que se decompõem mais rapidamente.

C) a fralda descartável pode levar mais tempo para se decompor do que as baterias.

D) a cerâmica e a borracha se decompõem mais rápido do que qualquer outro material.

 

Questão 07

Observe o gráfico, atentando para as informações apresentadas .




SPAGNUOLO, Sérgio. 11 gráficos que mostram como as pessoas consomem notícia na internet. Aos Fatos, 2 mar. 2018.Disponível em: https://www.aosfatos.org. Acesso em: 28 jul. 2023.

Ao analisar o gráfico, é possível verificar que

 

A) a maioria dos consumidores busca notícias em veículos tradicionais.

B) a maioria dos consumidores busca notícias em redes sociais ou sites de busca.

C) os veículos alternativos de imprensa são muito utilizados pelos consumidores.

D) os consumidores preferem agregadores como Reddit aos veículos tradicionais de notícias.

 

Questão 08

Leia o texto, observando a estrutura das orações.

Conhecidas como baleias assassinas, as orcas (Orcinus orca) não são nem propriamente baleias nem tampouco assassinas de pessoas. Esses mamíferos marinhos são cetáceos com dentes parentes dos golfinhos, e, junto com eles, consideradas os animais mais inteligentes do mundo depois do ser humano. A denominação popular de baleia alude ao tamanho do animal e inclui dezenas de espécies, além das orcas.

 POR QUE AS ORCAS não são baleias nem assassinas? O Globo, 15 jul. 2023. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 28 jul. 2023 (adaptado). 

A respeito da passagem “A denominação popular de baleia alude ao tamanho do animal e inclui dezenas de espécies, além das orcas”, é possível afirmar que

 

A) o sujeito da oração é “baleia”.

B) a frase tem uma única oração.

C) a frase tem duas orações unidas pela palavra “e”.

D) o sintagma “inclui” concorda com “dezenas de espécies”.

 

Questão 09

Leia o texto, atentando para as informações implícitas.

“Minha obra foi copiada por IA mais do que a de Picasso.”

A inteligência artificial (IA) está mudando a vida como a conhecemos, mas para o artista digital Greg Rutkowski está causando grandes problemas.

Ele disse que seu nome havia sido usado mais de 400 mil vezes como prompt em ferramentas de IA que geram arte desde setembro de 2022 — mas sem seu consentimento.

Prompts são os comandos enviados ao sistema de inteligência artificial para que ele gere a resposta almejada [...].

 HUTCHINSON, Clare; JOHN, Phil. Minha obra foi copiada por IA mais do que a de Picasso'. BBC News Brasil, 20 jul. 2023. Disponível em: https://www.bbc.com. Acesso em: 26 jul. 2023.  

Ao ler o texto, é possível verificar que

 

A) o artista desaprova o uso de sua arte por IA.

B) o artista gostou de ser reconhecido por sua arte.

C) a arte de Greg tem sido usada com sua aprovação.

D) o artista tem usado prompts em IA para gerar novas artes.

 

Questão 10

Leia uma estrofe do cordel, observando as características desse gênero.

História do pavão misterioso 

Eu vou contar uma história

De um pavão misterioso

Que levantou voo na Grécia

Com um rapaz corajoso

Raptando uma condessa

Filha de um conde orgulhoso.

[...]

SILVA, João Melquíades Ferreira da; BATISTA, Francisco das Chagas. Histórias no varal: três cordéis de romance e aventura . 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. p. 13.

Ao ler a estrofe inicial de “História do pavão misterioso”, é possível perceber que esse cordel

 

A) tem versos livres.

B) dispensa o uso de rimas.

C) retoma a poesia clássica.

D) narra uma história ficcional.

 

Questão 11

Leia um trecho do cordel “Brasi Caboco”, atentando para as variações linguísticas utilizadas pelo autor.

Brasi Caboco 

[...]

É o Brasil que não veste

Liforme de gazimira ,

Camisa de peito duro,

Cum butuadura de ouro...

Brasí Cabôco só veste,

Camisa grossa de lista,

Carça de brim da "P olista"

Gibão e chapéu de couro!

[...]

LUZ, Zé da. Brasi Caboco . Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br . Acesso em: 24 jul. 2023.

No cordel, ao utilizar palavras que fogem à norma-padrão, o poeta

 

A) satiriza o modo de falar das pessoas do interior.

B) limita a literatura de cordel a quem fala dessa forma.

C) enaltece a cultura e as variações linguísticas regionais.

D) revela como os desvios gramaticais prejudicam a literatura.

 

Questão 12

Leia um trecho de cordel, atentando para seu ritmo.

Poeta, cantô de rua,

Que na cidade nasceu,

Cante a cidade que é sua,

Que eu canto o sertão que é meu.

Se aí você teve estudo,

Aqui, Deus me ensinou tudo,

Sem de livro precisá

Por favô , não mêxa aqui,

Que eu também não mexo aí,

Cante lá que eu canto cá..

[...]

ARRUDA, Inácio (org.). Patativa do Assaré : Poeta Universal . Fortaleza: Gráfica Pouchain Ramos, 2009. p. 125 .

Ao ler a estrofe, é possível constatar que

 

A) os versos dispensam as rimas.

B) os versos dispensam a métrica.

C) os versos são compostos por setilhas.

D) os versos são compostos por sextilhas.

 

Questão 13

Leia um trecho da entrevista, observando os temas e subtemas tratados na conversa.

Amazônia Real – O que é a Década Internacional da Língua Indígena?

Altaci Rubim – A década surge em 2019, na Bolívia, durante uma luta em torno do fortalecimento das línguas indígenas [...].

Amazônia Real – O que será feito para fortalecer línguas em risco?

Altaci Rubim – Mexer com a língua é conflituoso. Mas se não nos aliarmos nesse momento, podemos não ter oportunidade de fortalecer as línguas que estão “fracas”. Tem povo querendo retomar, mas falta política pública para isso [...].

FARIAS, Elaíze . ‘ As línguas indígenas estão adormecidas, não foram extintas ’ , diz linguista Kokama . 

                                                                                                                                 Disponível em: https://amazoniareal.com.br. Acesso em: 24 jul. 2023.

O tema central da entrevista trata de

 

A) uma reforma das línguas indígenas .

B) um conflito entre os indígenas bolivianos.

C) um processo para oficializar línguas indígenas.

D) uma iniciativa de preservação de línguas indígenas.

 

Questão 14

Leia o fragmento da entrevista, observa n do o tipo de linguagem empregada.

Quando foi que começou escrever seus primeiros poemas?

Eu não me lembro muito bem de como comecei mesmo a escrever, eu me lembro que gostava muito de ler, lia muitas poesias e tinha uma vontade de me expressar [...].

Frequentemente você é vista como uma autora de textos difíceis, herméticos ..

Quando me perguntam por que escrevo dessa forma que as pessoas não entendem, e por que é tão complexo tudo, então eu digo, mas, Meu Deus, é o processo da vida que é tão complexo! [...]

Glossário :

herméticos : complexos, de difícil compreensão.

HILDA Hilst: uma conversa sobre a vida, a morte, o amor e o ato de escrever . Estadão , 7 jul. 2023. Disponível em: https://www.estadao.com.br. Acesso em: 23 jul. 2023 (adaptado) .

A linguagem empregada na entrevista é

 

A) complexa, pois trata -se de poesia.

B) técnica, pois utiliza termos científicos.

C) descontraída, pois simula uma conversa oral.

D) desrespeitosa, pois se critica a poesia da autora.

 

Questão 15

Leia um trecho da entrevista, atentando para os adjuntos adnominais e para os termos por eles determinados.

Que vivências foram as mais significativas para você desenvolver seu trabalho com Educação a partir da Literatura Negra?

Uma outra vivência literária que despertou em mim símbolos e significados relacionados a essas temáticas foram os saraus literários. Em específico o Sarau Elo da Corrente, onde aprendi, por meio da récita, o sentido da palavra nós. Desde 2007 esse encontro é produzido pelo Coletivo Literário Elo da Corrente que, prioritariamente, valoriza a escrita negra e periférica.

PRADO, Camila. Mãos pretas compartilhando saberes : Literatura, Memória e Identidades . Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br. Acesso em: 24 jul. 2023 (adaptado) .

Na passagem “uma outra vivência literária”, o adjunto adnominal “literária”

 

A) indica exemplos de vivência.

B) especifica um tipo de vivência.

C) intensifica o sentido de vivência.

D) expressa um juízo sobre a vivência.



GABARITO
1A
2A
3B
4D
5A
6D
7B
8C
9A
10D
11C
12C
13D
14C
15B

Poema ep. 3: Pensando em você

Lembrar é sofrer.
Assim dizem e é verdade;
Como sofro recordando você.

Passo dias e noites
Sem obter nenhuma resposta,
Apenas me dizendo que amo você.

Recordar o passado
É sofrer no presente;
É trocar a alegria pela tristeza;
É virar noite e mais noites
Só pensando em você.

Você é meu sonho,
Minha vida e minha luz,
É um perfume de flor
Que me seduz;

Tristemente sozinho,
Só pensando em você,
Eu descubro que
Recorda é sofrer.


Para que dizer que eu a amo,
Se você não me quer,
Se você não me deseja
E não me vai recorrer.

Mas dizendo a verdade,
Eu só penso em você.

Pelos caminhos da mente,
você me conduz.
Leva-me a um jardim florido;
Os cantos dos pássaros
E a beleza das flores me encantam,
Mas não encantam a você.

Vejo-me a curtir a mãe natureza,
De mãos dadas contigo,
Mas nesse momento
A imagem desaparece,
deixando-me em perigo.

Então, saio a lhe procurar
Nas pétalas das flores,
Mas só encontro
O cheiro de ex-amores.

O ilusionismo me revela
Que é uma flor perfumosa
Que me faz lembrar
O quanto tu es é formosa.

Mais uma vez
eu sofro recordando e penso:
Relembrar é sofrer;
Como sofro por você!

Escreva-me:  “i love you”,
Para eu mudar esta triste história
Que delineia
Na minha memória.

Se soubesse quanto sofro por você,
Logo comigo reconciliava,
Reacendia o nosso amor
E jamais me abandonava.

Digo a você:
Paixão é uma coisa séria
Que invade corações
E os deixa na miséria.

Quero lhe dizer
Que no brilhar das estrelas
Estarei me lembrando de você,
Considerando a princesa
Que jamais vou esquecer.

Escrevendo esses versos
Que vem a imaginação;
Ouvindo barulho de ondas
E o resto: solidão.

Apenas as ondas tentam me animar,
Mas a paixão é demais
Já não aguento mais te esperar.

Preciso estar logo com você
pois, tenho pressa em te amar,
Torço que seus sentimentos,
uma tartaruga , esteja a carregar.

Neste mundo de azar,
Só penso em você.
Crendo que um dia
Eu vou te conquistar.

Mesmo que a solidão
E a distância sejam grandes,
Eu vou esperar;
Mesmo que meu coração
Esteja preste a explodir:
Demore o tempo que demorar.
Vou deixar me iludir.

É triste, mas vou confessar
Muitas recordações virão
E terei que aguentar,
Pensando sempre no dia
em que eu te encontrar.

Enquanto isso, 
Sigo me lembrando de você,
Ainda que saiba que
recordar é sofrer, 
Pois não há outra inspiração
Já que fonte única é você.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Poema ep.5: Exílio sem canção

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá;
A melancolia daqui
É o contraste de lá.

Minha terra tem políticos
Que adoram caviar;
Os políticos daqui são
Menos corruptos que os de lá

Minha terra tem o sertão,
Em que o povo está sempre a esperar:
Espera a chuva,
Espera o pão,

Eu queria voltar a São Paulo,
A capital da América do Sul;
Andar pelo Ibirapuera e ver o sol nascer;
Passear pelas belas praças
Sem me preocupar com o PCC.

Oh Minas Gerais!
Sem você, eu me sinto só:
Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e Sabará;
Gruta no Maquiné, Serra do Cipó,
Congonhas, Maria Fumaça,
Estrada Real e Araxá.
Que saudade do véu da noiva,
Com suas límpidas águas a jorrar;

Minha querida BH,
Preciso logo lhe ver:
Praça da liberdade,
Serra do Curral,
Parque das Mangabeiras...
Orla da lagoa, para percorrer.
Aqui, noite opaca não me despista,
Tenho saudades das seis pistas.

Minha terra tem mais terra,
Que vão do Oiapoque ao Chuí.
Eu queria que o geocentro
Fosse em Itambacuri.
Do fruto da pedra,
essa cidade nasceu;
Do coração dela, eu emergir.
Quão bom era morar ali.


Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Poema ep.7: Transposição do velho chico

Boom boom baum
Há trabalho no sertão.
Mas por muito tempo ainda
Vai continuar a luta pelo o pão.
E não esqueçamos que aqui 
Há o laboral regado pela escravidão.

“Aqui nóis trabaia um muntão,
Pois o coroné precisa
Se manter como patrão”.

As crianças estão sempre a chorar,
Pois o alimento é escasso 
E  na mesa, está sempre a faltar.

Pela manhã, 
come-se arroz,
Pois o feijão está a cozinhar;

À noite,
Come-se feijão com farinha,
Quando há o jantar;

De vez em quando
Há uma segunda refeição,
Já no fim da linda tardinha,
Que despede do solarão

A vida das aves também é dura
Como a do sertanejo,
Voam o dia todo em busca de pão.
No final do dia,
O que conseguem é a exaustão.

Boom boom baum
O governo se alegra com a irrigação;
Acredita que ela é a única solução,
Para fixar o homem no sertão.

Mas quando os sertanejos tiverem a água,
Muitos peixes morrerão;
Com eles irão população ribeirinha,
Que retira no velho Chico
A única refeição.

Boom boom baum
Haverá muito trabalho no sertão,
Com essa tal de transposição;
Muitos frutos hão de se produzir,
Aqui nesse rincão;

Assim os europeus sorrir, irão,
Uma vez que tudo 
que produz aqui
Será destinado à exportação.

Há sertanejo acredita em milagre
Da tal transposição,
Pois o Chico vai molhar o sertão.
Quanta ilusão!

Sertão, transposição, Pão, solução, 
Toda essa mistura de sons
Reflete mais um ato político
Cativando quem vela pelo sertão.

Boom boom baum
Tem que haver solução para o sertão.
Água, comida, remédio, trabalho e
Governos que respeitem essa região.

É preciso existam políticos
Que tragam a real solução;
Que disponham a ajudar esse povo
Não somente durante eleição.

Aqui tudo se promete antes da votação;
Depois eles somem,
Como grão de areia atirado ao chão;
Só nos deixam uma certeza,
De que voltarão na próxima eleição.

Boom boom baum
Como sofre o homem do meu sertão,
Boia fria, pela madrugada a se levantar,
Sai de casa sem garantia
de que vai retornar.

Duro dia de trabalho;
Na espalda, somente a dor,
Maltrapilho e sem sorriso,
dia um dia aterrorizante pelo calor.

Na dureza da vida do sertão,
Escondem-se o inferno e o paraíso
Quiçá a desilusão.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Poema ep. 8: Tempero escolar: diversidade

Escola moderna é como comida de fato;
É como se houvesse
Arroz, feijão, carne 
E legumes em um só prato.

Há na escola moderna, diversidade;
Onde variado gênero está junto e misturado,
Mostrando que as diferenças
Podem conviver lado a lado.

A escola moderna 
é como um quadrado,
Que contém negro, índio, branco e pardo;
Juntos e  bem respeitados

A escola moderna não é singular;
Pois até os gestores sabem
Que a diferença, nela,
Encontrou seu lugar.

A escola moderna é sobrenatural,
Onde há respeito a pluralidade sexual.
Onde o preconceito e ironia,
Precisa diminuir a dia a dia.

A escola moderna 
Já não é  mais futurista;
Discute-se  temas sociais
Com leigo, sábio e artista.

Escola moderna
respeita a inclusão
De humano especial
Que também é cidadão.

A escola moderna se resumo a isto:
Respeito à diversidade,
Conforme ensinou o Jesus Cristo.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.


Poema ep. 15: O mundo em contraste

O que esperar de um mundo 
Que só fornece às pessoas tristeza e dor?
Se eu me alegro na vitória do meu time , 
Os adversários sofrem.
Se eu me alegro 
Quando consigo passar em um concurso público,
Meus concorrentes padecem com a derrota.
Se eu faço piada, 
sempre haverá alguém constrangido.
Se falo bem de uma pessoa,
Sempre haverá outra que julga que a desprezo. 
Se ofereço um presente a alguém, haverá outro 
Que julga no digno de receber também.
Que mundo é esse 
Que se divide entre a dor e a alegria.
Que está dominado pela infidelidade, 
Ganância, egocentrismo, corrupção, 
Latrocínio, paixão doentia.
Deus me poupe deste Mundo.
Amém.


Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Noviço poeta: ep. : Querida Matemática

Seus cálculos sempre crescendo
e em minha vida se envolvendo.
Matéria chata de aprender,
Preciso mesmo de você?
Há loucos que se apaixonam
Pelo que os teoremas nos proporcionam.
Alguns se dizem fera
E nem passam cola pra galera.
Matemática, cresça sem gracinha
E seus problemas, resolva sozinha.
Fazendo meus cálculos para finalizar,
O único jeito é estudar.
Laís Luana de Souza Almeida

Poema ep.16: Tirinha de família

Mário, Maria e Mariela;
Vovô e vovó Anabela;
Que família bela!
Os tios Pedro e Renata,
Rindo meio sem graça.

Família completa, não;
Há um gato, um rato e um cão.
Há pouca comida,
Então, briga-se pelo pão.
O cão olha para o gato,
Que olha para o rato.
Quanta tentação!

O cão corre atrás do gato,
Que corre atrás do rato,
Que não vê refeição.

De repente,
Ouve-se um grito na viela.
É o berro de Mariela,
Que vê o gato comer o rato
Pelo orifício da janela.

Por Geraldo Genetto Pereira
Professor, escritor, blogueiro, youtuber.
Formação: Licenciatura e Mestre em Letras pela UFMG.

Poema ep. 13: negra lagartinha

Foi uma tarde de verão, 
Em um lugar distante,
Quando uma lagartinha
Negrinha, ela nasceu;

E não era novidade para o mundo
Tal nascimento, pois, simplesmente,
Pois, não foi a primeira vez
Que uma negra lagarta nasceu.

A família festejava a nova vida
E as plantas se preocupavam,
Pois uma lagartinha nasceu.

Passaram-se os dias,
Passaram-se as horas,
Veio a competição por alimentos,
Então a lagartinha, triste, chora.

Não conseguia entender o mundo;
Não entendia os seus irmãos;
Por que brigavam por alimento,
Uma vez que era possível
Dividir o pão?

Chorou... chorou... chorou...
Queria entender
A falta de amor.

Se há mais valia na vida
Por que os irmãos brigavam
Por um simples prato de comida?

Certo dia, ela ouviu dizer
Que os irmãos lutavam
Somente para sobreviver;

Que aquele rico país
pouco tinha a oferecer;
A uma negra lagartinha
Que acabara de nascer.

A lagartinha ficou a pensar:
Há aurífera riqueza
Mas o negro nada pode herdar?

Pensou em família do Norte,
Que vive em árida região
Onde se alimentar bem é sorte;

Ali ouro é o alimento
Que chega no prato
Daquela gente.

A lagartinha ficou duvidosa
Sobre a riqueza do Brasil
Que Caminha ousou dizer.

Mas mãe já lhe avisara
Sobre uma briga pelo poder
Opressão do forte ao mais fraco,
Pois, dizem que um precisa prevalecer.

São disputas econômicas
Que a lagartinha 
Não conseguia entender.

Se almeja-se ao ouro.
logo, os governantes tratam
O menos favorecido como tolo.

Com o tempo, a lagartinha,
Nos governos não confiava;
Mas quis provar a si mesma
Que aos irmãos amava.

Resolveu fazer uma ação séria;
Criaria uma ONG,
Que lutaria contra a miséria.

A ONG pouco durou,
A vida de inseto  é curta
E poder político 
Também não cooperou.

A lagartinha foi aprisionada
Dentro de um casulo
E passou a viver separada.

Imagina o vento a transportar;
Para um longínquo lugar,
Sem saber o que
Ali estava a lhe esperar.

Na triste condição de escrava
Nem imaginou que era sua cor
Que a vitimava

Mas como isso entender?
Se lagartinha sabia
Que não se escolhe uma cor
Quando vai nascer.

Mas algo veio lhe consolar,
Quando a fala da mãe
Começou a rememorar.

Dizia Dona Rosaleta
Que sua espécie nasce lagarta,
Mas, transforma-se em borboleta.

A tempestade cessou;
Em algum lugar, 
a lagartinha posou.

Era uma terra de mata virgem,
Onde uma árvore 
Que chorava sangue.
Dava-lhe vertigem

A angústia da lagarta aumentou.
_ É certo que a árvore
Sofre de algum mal; 
Tristemente pensou.

O tempo passou
Numa linda borboleta
A lagartinha se transformou.

Tão negra e tão bela
Que imaginou que a escravidão
Não era coisa imputada a ela.

Muitas borboletas negras
Ali habitavam,
A vida é dura,
Mas elas não desanimavam.

A beleza negra, nas flores
Dos lindos bosques, espalhava;
Nos verdes campos,
A borboletinha trabalhava.

A A borboletinha cresceu
E a inocência, perdeu;
Via irmãos morrendo de trabalhar
Sem nada poder falar.

Por isso, um grupo fugiu.
Estava cansado da escravidão
E rebelar
Foi a única opção.

O tempo passou e hades chegou,
Da penúria,
Por sua cor,
Acreditou que se libertou;

Mas notícias chegavam,
Não a faziam animar;
Diziam que suas lindas negras irmãs
Continuavam a lamentar.

Miséria, despreza,
Juntas escravidão e o preceito
Pareciam nunca acabar.


As negras lagartinhas
Continuavam a padecer;
Pela a miséria e a fome
Que tanto as faziam sofrer.

A cor negra, que é tão linda e tão bela,
Que nenhuma arte ousou menosprezar,
Até o tal  mundo, 
Valor a ela quer creditar.

Na escuridão do Hades
A borboletinha vive a se perguntar:
_ Não é possível conviver com
A negritude se a descriminar?

Vi lindas negras borboletas a revoar
Mas o mundo ocidental não quer enxergar,
Que a minha raça é capaz de bailar.

Vi um excelente maestro crioulão,
brilhar tanto no trabalho
Quanto àquele 
De distinta coloração;

Mas o Hades provará
Que não deve haver discriminação,
Que somos todos iguais,
De ração ou região.

Novidade!

8º ano do Ensino Fundamental Língua Portuguesa

  QUESTÃO   1                                                              VALOR: 0,60                       NOTA:_______ Observe os três ...